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Choques globais forçam agro brasileiro a redesenhar cadeias de suprimentos
Publicado 25/02/2026 • 22:59 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 25/02/2026 • 22:59 | Atualizado há 3 meses
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As empresas do agronegócio brasileiro estão redesenhando suas cadeias de suprimentos para enfrentar um cenário global de incertezas e riscos crescentes, disse Otávio Lopes, sócio líder de agro da EY para a América Latina, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele destacou que o setor vive sob um novo paradigma de volatilidade após a pandemia: “O que a gente vem vendo nos últimos anos são acontecimentos que trouxeram um mundo diferenciado, que chamamos na EY de mundo ‘nave’: não linear, acelerado, volátil e interconectado. Os choques não acontecem isoladamente, eles chacoalham a cadeia como um todo”.
Sobre os gargalos produtivos, o especialista mencionou que a dependência de mão de obra humana ainda é um desafio crítico em certas culturas. “Ainda dependemos muito de mão de obra em setores como o de frutas, que não esperam para ser colhidas. Se a força de trabalho não está disponível no campo, as frutas apodrecem e temos perdas significativas, o que impulsiona o avanço da robótica e da inteligência artificial no setor”, explicou.
A adaptação brasileira também passa pela superação de barreiras comerciais e exigências de sustentabilidade internacionais. “Temos barreiras sanitárias e regulatórias, como o acordo de prevenção do deflorestamento da União Europeia. Países que desejam acessar esse mercado de consumo precisam garantir que seus produtos venham de áreas de não deflorestamento, o que exige um redesenho logístico e operacional das empresas da EY e do setor”, afirmou.
Quanto à estratégia de mercado, Lopes ressaltou que a diversificação tem sido a resposta do Brasil para mitigar riscos globais. “O Brasil vem fazendo o dever de casa ao olhar para a diversidade de portfólio. Tivemos a abertura de 398 mercados para a carne brasileira e precisamos nos habilitar sanitariamente e logisticamente para atender a cada uma dessas novas demandas”.
Por fim, ele apontou uma mudança estrutural na mentalidade das companhias, que abandonam a eficiência extrema pela segurança operacional. “As empresas estão mudando de um modelo just-in-time, focado em velocidade e custo, para um modelo just-in-case. O objetivo agora é antecipar riscos e entender possíveis choques para responder muito mais rápido, minimizando prejuízos nesse novo cenário mundial”.
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