Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Disputa entre Brasil e EUA pelo mercado chinês de soja ganha novo capítulo
Publicado 23/06/2026 • 08:49 | Atualizado há 2 horas
Publicado 23/06/2026 • 08:49 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Divulgação/CNA
Grãos de soja
À medida que o Brasil amplia sua participação nas importações chinesas de soja, reduzindo o espaço dos produtores americanos, os Estados Unidos tentam reconquistar compradores destacando a qualidade de sua produção.
“A produção de soja na América do Norte e a produção de soja na América do Sul são muito diferentes”, afirmou Carlos Salinas, diretor executivo para o Leste Asiático do Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos (U.S. Soybean Export Council), durante uma apresentação nesta terça-feira na China International Supply Chain Expo, em Pequim.
Leia também: Soja sobe e milho cai, mostram novos sinais do mercado de grãos em junho
Salinas comparou uma série de fatores climáticos entre uma cidade brasileira e outra no estado americano de Illinois, como o volume de chuva nos 30 dias que antecedem a colheita: 231 milímetros contra 72 milímetros.
“Isso impacta as condições da safra. Isso impacta a qualidade”, disse.
O evento de meio período, voltado para o “avanço de uma cadeia de suprimentos de soja EUA-China sustentável e resiliente”, foi organizado em conjunto com o Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional.
“O que realmente incentivamos os compradores de soja a fazer é buscar mais informações e aprofundar esse conhecimento”, disse Jim Sutter, CEO do Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos, à CNBC, à margem do evento. Segundo ele, há novas formas de medir a qualidade e o valor nutricional da soja, especialmente para a produção de ração animal.
Leia também: Acordo entre EUA e China pode pressionar soja brasileira e acelerar aposta no biodiesel, diz especialista
Nos últimos anos, a soja americana tornou-se uma moeda de troca na escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China. Pequim, maior importador mundial da commodity, também diversificou seus fornecedores, ampliando as compras do Brasil e da Argentina como estratégia para reforçar sua segurança alimentar.
Enquanto Estados Unidos e Brasil respondiam, cada um, por cerca de 40% das importações chinesas de soja há uma década, o Brasil passou a conquistar uma fatia significativamente maior a partir de 2018, após a primeira rodada de tarifas impostas pelos EUA à China, segundo cálculos da CNBC com base em dados da alfândega chinesa obtidos por meio da Wind Information.
Nos cinco primeiros meses de 2026, mais de 60% das importações chinesas de soja vieram do Brasil, 23% dos Estados Unidos e 10% da Argentina, mostram os dados.
As exportações americanas de soja para a China despencaram 76% no ano passado, para US$ 3,1 bilhões, bem abaixo do pico de US$ 17,9 bilhões registrado em 2022, de acordo com dados oficiais dos EUA. Ainda assim, com 7,37 milhões de toneladas métricas embarcadas, a soja continuou sendo o principal produto agrícola americano exportado para a China no último ano-calendário.
Convencer compradores chineses a ampliar as aquisições, porém, deve levar tempo.
Leia também: Acordo entre EUA e China pode pressionar soja brasileira e acelerar aposta no biodiesel, diz especialista
No mês passado, a Casa Branca informou que a China comprará pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas americanos até 2028, após a reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim. Segundo a Casa Branca, esse volume será “adicional aos compromissos de compra de soja assumidos em outubro de 2025”.
Após um encontro entre Trump e Xi na Coreia do Sul, no outono passado, os Estados Unidos informaram que a China concordou em comprar pelo menos 25 milhões de toneladas métricas de soja americana em cada um dos três anos seguintes.
Segundo Sutter, a China já comprou todas as 12 milhões de toneladas métricas de soja americana que havia se comprometido a adquirir no ano comercial encerrado em agosto de 2026, e praticamente todo esse volume já foi embarcado.
Em relação ao compromisso subsequente de 25 milhões de toneladas métricas, Sutter afirmou que as compras começaram na semana passada.
Nos dias 17 e 18 de junho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou que exportadores privados registraram vendas de 132 mil toneladas métricas de soja para entrega à China no ano comercial encerrado em 31 de agosto de 2027, além de vendas de um volume muito maior da commodity para destinos não identificados, com entregas distribuídas ao longo de dois anos. Sutter observou que esses destinos desconhecidos frequentemente acabam sendo a China.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCHá ainda outros sinais de uma recuperação modesta.
Leia também: OCDE: Brasil é o terceiro maior destino de investimento estrangeiro em 2025, atrás apenas da China e dos EUA
“Na última semana e meia, os chineses se comprometeram a comprar quase 1 milhão de toneladas métricas da safra que começaremos a colher em setembro”, disse Jerry Slocum, diretor do United Soybean Board e produtor rural no estado do Mississippi, à CNBC.
“Estamos vendo o acordo firmado pelos dois presidentes começar a se concretizar”, afirmou Slocum. Ainda assim, ele disse não esperar novos pedidos nesta terça-feira, observando que “ainda existe certa hesitação em relação a isso”.
Slocum também participou das apresentações do evento desta terça-feira, destacando o sistema de rotação de culturas adotado pela fazenda de sua família, administrada há cinco gerações, além de outras iniciativas para preservar a qualidade do solo.
Na semana passada, a US Heartland China Association levou uma delegação às cidades de Zhengzhou, na província de Henan, e Pequim para participar de uma mesa-redonda sobre agricultura.
“Já faz algumas semanas que americanos estão na China, acompanhando de perto a cooperação agrícola que China e Estados Unidos já tiveram em uma escala muito maior”, disse Darrell Irwin, professor assistente do Departamento de Sociologia da Universidade de Connecticut, que participou da visita.
Segundo ele, o comércio agrícola “não é tão expressivo quanto era em 2019, quando sofreu uma queda considerável”.
Apesar do otimismo, é improvável que a soja americana volte a inundar o mercado chinês tão cedo.
Sutter afirmou esperar que as exportações permaneçam entre 25 milhões e 30 milhões de toneladas métricas nos próximos um ou dois anos, antes de eventualmente avançarem para cerca de 40 milhões de toneladas métricas nos anos seguintes.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
Maiores Audiências
1
Rumor de mercado liga QI Tech a carteira de R$ 500 milhões da Reag e do Banco Master
2
Ações da SpaceX estendem queda após estreia recorde na bolsa
3
Ambipar: empresas em recuperação judicial podem manter patrocínios milionários?
4
QI Tech perde na Justiça em processo de responsabilidade por pirâmide financeira
5
Acordo de US$ 60 bi mostra que SpaceX não é empresa de foguetes