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Acordo entre EUA e China pode pressionar soja brasileira e acelerar aposta no biodiesel, diz especialista
Publicado 04/05/2026 • 13:40 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 04/05/2026 • 13:40 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
O possível redirecionamento da demanda chinesa por soja, caso se confirme um acordo comercial entre Estados Unidos e China, pode pressionar preços no Brasil e reduzir exportações, exigindo ajustes rápidos do setor. A avaliação é do economista Gabriel Viana, especialista nos mercados de soja e biodiesel, que aponta o biodiesel como principal alternativa para equilibrar o mercado interno diante de um eventual excesso de oferta.
Segundo ele, o cenário recente favoreceu o Brasil, mas pode mudar rapidamente. “Em 2024/2025, a China comprou 18% a mais do Brasil, cerca de 85 milhões de toneladas, deixando de comprar dos EUA em boa parte do período”, disse nesta segunda-feira (4) em entrevista ao Pré-Market, jornal matutino do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. O movimento foi impulsionado por uma safra recorde, que deve se repetir. “Teremos outra grande safra em 2026, estimada em 178 milhões de toneladas”, acrescentou.
O principal ponto de atenção está na possibilidade de redirecionamento da demanda chinesa. “Se a China parar de comprar, por exemplo, 20 milhões de toneladas do Brasil para cumprir um acordo com os EUA, para quem mais exportaríamos? Os outros países não têm volume para absorver isso”, explicou o economista.
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Nesse cenário, o impacto tende a ser direto nos preços domésticos. “Se Trump e Xi Jinping confirmarem o acordo, o Brasil perderá espaço nas exportações e os preços internos, que já estão pressionados pela colheita recorde, podem sofrer ainda mais”, destacou. Ele ressalta, porém, que o país ainda mantém competitividade. “No momento, o Brasil é mais barato para a China, mas a volta do mercado americano pode ser rápida dependendo de acordos políticos”, ponderou.
Diante do risco de excesso de oferta, o processamento interno da soja aparece como solução estratégica. “O biodiesel surge como uma alternativa importante para o mercado interno, processando a soja aqui e agregando valor, em vez de exportar apenas o grão in natura”, afirmou.
O especialista compara o modelo brasileiro com o de outros países. “A Argentina, por exemplo, exporta 80% da produção já processada, enquanto o Brasil ainda exporta 70% em grãos”, ressaltou, indicando espaço para mudança estrutural no setor.
Apesar das incertezas, Viana avalia que não há motivo para pânico imediato. “É difícil falar para o produtor que o ano que vem será ruim quando temos batido recordes de exportação sucessivos”, disse. Ele reforça que o setor segue sólido. “A rentabilidade ainda é aceitável, não é terra arrasada”, pontuou.
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O desfecho das negociações internacionais será determinante. “Se o encontro entre Xi Jinping e Trump não resultar em nada prático, a China continuará comprando aqui e os preços podem até se recuperar”, explicou.
A tendência de fortalecimento do biodiesel não é exclusiva do Brasil. “Os Estados Unidos estão investindo pesado em biodiesel, aumentando o mandato em 70% para 2025/2026, justamente porque preveem que a China pode não comprar tanto deles”, afirmou.
No Brasil, o movimento segue a mesma direção. “O presidente Lula mencionou recentemente o aumento da mistura de B14 para B15”, lembrou. Para Viana, a estratégia é clara. “O foco continua sendo a China, pois não há como fugir do maior importador global, mas o biodiesel é a principal via para equilibrar o mercado interno e reduzir a dependência exclusiva da exportação do grão”, concluiu.
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