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Agro

Novas exigências da UE pressionam agronegócio brasileiro por rastreabilidade e controle ambiental

Publicado 07/08/2026 • 14:06 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • UE eleva exigências para entrada de produtos em seu mercado, com novas regras relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade e controle ambiental.
  • Para o Brasil, as mudanças representam a necessidade de ajustes em cadeias produtivas que desejam manter o acesso ao bloco europeu.
  • Mercado europeu tem histórico de padrões elevados de qualidade, questões sanitárias e critérios ambientais.

A União Europeia tem elevado as exigências para entrada de produtos em seu mercado, com novas regras relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade e controle ambiental.

Para o Brasil, as mudanças representam a necessidade de ajustes em cadeias produtivas que desejam manter o acesso ao bloco europeu, segundo avaliação de Leandro Gílio, professor e pesquisador do Insper Agro Global.

Em entrevista concedida ao Real Time, o especialista afirmou que o mercado europeu historicamente adota padrões elevados de qualidade, questões sanitárias e critérios ambientais. Entre as medidas recentes, estão restrições relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção de carne brasileira e novas normas ambientais que devem ganhar força nos próximos anos.

“O mercado europeu é bastante restrito em termos de exigências, tanto de qualidade quanto sanitárias e ambientais. O Brasil vai precisar se adaptar ao modelo de produção exigido se quiser continuar exportando para esse mercado”, afirmou Gílio.

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Rastreabilidade passa a ser um dos principais desafios

Entre os pontos que exigem maior adaptação está a rastreabilidade, ou seja, a capacidade de comprovar a origem e o caminho percorrido pelo produto até chegar ao consumidor. Segundo Gílio, a exigência representa custos adicionais e demanda investimentos por parte dos produtores e das empresas.

Ele explica que o desafio aumenta porque o Brasil possui uma cadeia produtiva extensa e diversificada, com diferentes perfis de produtores e regiões. Uma das alternativas discutidas pelo setor é criar mecanismos para separar a produção destinada ao mercado europeu daquela voltada a outros compradores.

“O Brasil tenta fazer com que a produção que vai para a União Europeia tenha um controle maior, com rastreabilidade e acompanhamento específicos, enquanto outra parte da produção possa seguir outros mercados”, disse.

O pesquisador destaca que as exigências europeias também envolvem uma coordenação entre diferentes etapas da cadeia, incluindo produtores, indústrias, exportadores e órgãos públicos.

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Custos de adaptação preocupam produtores

A adequação às novas regras pode representar um desafio financeiro, principalmente para produtores com menor capacidade de investimento. Além da compra de tecnologias e implementação de controles, o setor precisa lidar com a incerteza sobre o retorno desses gastos.

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Segundo Gílio, não basta que um produtor individual faça mudanças isoladamente, já que muitas cadeias dependem de uma organização mais ampla para garantir que os padrões sejam cumpridos. “Não é apenas um investimento do produtor. Existe uma questão de organização do setor como um todo para conseguir atender esse mercado”, afirmou.

Ele também ressaltou que custos maiores podem pressionar a rentabilidade do produtor rural, embora o mercado europeu tenha uma característica de oferecer melhores remunerações em algumas operações.

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Grandes empresas têm mais estrutura, mas dependem de toda a cadeia

As maiores empresas tendem a ter mais recursos para implementar processos de controle e adequação às regras internacionais. No entanto, o cumprimento das exigências depende também de fornecedores menores que fazem parte da cadeia produtiva.

Na pecuária, por exemplo, a rastreabilidade envolve diferentes etapas, desde a criação do animal até o processamento no frigorífico. Esse processo pode dificultar o controle completo da origem do produto.

“Mesmo grandes empresas podem ter dificuldade de controlar totalmente a origem porque a cadeia envolve vários produtores e movimentações entre propriedades”, explicou Gílio.

Para pequenos produtores, a adaptação pode ser ainda mais difícil, já que os custos e a estrutura necessária podem limitar a participação em mercados mais exigentes.

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Impacto sobre exportações brasileiras pode ser limitado, avalia pesquisador

Apesar das dificuldades, Gílio avalia que a União Europeia não representa a maior parcela das exportações brasileiras em alguns segmentos. Na cadeia da carne, por exemplo, a participação europeia é relativamente pequena quando comparada a outros destinos.

Por outro lado, ele destaca que atender às exigências do bloco pode funcionar como uma forma de demonstrar capacidade de cumprir padrões internacionais, facilitando a entrada em outros mercados.

“O mercado europeu acaba funcionando como uma validação para o Brasil, porque outros países também observam a capacidade de atender a critérios mais rigorosos”, afirmou. Segundo o pesquisador, o principal desafio está em organizar a cadeia produtiva para responder às novas regras sem concentrar os custos apenas nos produtores.

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