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Queda do câmbio e juros elevados pressionam rentabilidade do produtor na Agrishow 2026

Publicado 01/05/2026 • 17:16 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • O último dia da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), deve atrair grande público e consolidar os resultados da maior feira de agronegócio da América Latina.
  • O cenário para o setor segue desafiador, marcado por juros elevados, aumento da inadimplência e queda na rentabilidade do produtor rural.
  • Em entrevista ao Times Brasil Licenciado Exclusivo CNBC, Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara de Máquinas da Abimaq, afirmou que esses fatores têm impactado diretamente o desempenho do mercado.

Divulgação Agrishow

O último dia da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), deve atrair grande público e consolidar os resultados da maior feira de agronegócio da América Latina.

O cenário para o setor segue desafiador, marcado por juros elevados, aumento da inadimplência e queda na rentabilidade do produtor rural. Em entrevista ao Times Brasil Licenciado Exclusivo CNBC, Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara de Máquinas da Abimaq, afirmou que esses fatores têm impactado diretamente o desempenho do mercado.

“Você tem juros elevados, uma alta inadimplência e preços das commodities muito baixos, o que reduz bastante a rentabilidade do agricultor”, comenta.

A inadimplência no setor gira em torno de 7%, acima do patamar considerado saudável, de cerca de 1%. Ao mesmo tempo, a queda do câmbio também pressiona os preços das commodities. “Se cai 1% o câmbio, cai 1% o preço da soja e do milho. De um ano para cá, o câmbio caiu quase 15%, o que reduz diretamente a receita do produtor”, explicou.

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O impacto já aparece nas vendas de máquinas agrícolas. No primeiro trimestre de 2026, o setor registrou queda de cerca de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. “As vendas ficam travadas por três fatores principais: juros altos, baixa rentabilidade e crédito mais seletivo pelos bancos”, disse Bastos.

A valorização do real, embora reduza custos de insumos importados, também tende a prejudicar o produtor. “O custo pode cair 1%, mas o preço do produto cai 10%. No fim, o prejuízo é muito maior”, destacou.

Para a indústria, o efeito cambial é mais limitado, já que a maior parte da produção é nacional. “Cerca de 80% da indústria é nacional, então o impacto do câmbio é menor, com exceções pontuais”, afirmou.

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Diante desse cenário, o Plano Safra segue como um dos principais instrumentos de financiamento do setor. Segundo Bastos, ele tem forte influência sobre o mercado. “Entre 50% e 60% das vendas de máquinas agrícolas são financiadas. O plano tem um peso muito grande”, disse.

Ele explica que o financiamento da produção rural é dividido entre três frentes: recursos do Plano Safra, operações de barter (troca por produção futura) e capital próprio do agricultor. “O plano representa cerca de um terço do custeio, então é essencial para o funcionamento do setor”, afirmou.

Apesar da importância, o custo do crédito segue como principal preocupação. “O problema não é falta de dinheiro, é o custo. O governo já tem um limite para subsidiar juros, então há restrições para reduzir essas taxas”, explicou.

Como alternativa, cresce o uso do barter, modalidade em que o produtor troca parte da produção futura por insumos ou equipamentos. “Sempre foi relevante e tem ganhado espaço, principalmente em momentos de juros altos”, disse.

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No Congresso, tramita um projeto de lei que prevê a reestruturação das dívidas do setor, medida vista como possível alívio para produtores. “É uma forma de ajudar o setor a respirar, e há expectativa de avanço”, afirmou Bastos.

Enquanto isso, o governo também anunciou novos recursos para o crédito rural, com taxas que devem permanecer em um dígito. A regulamentação, no entanto, ainda está em definição.

Com expectativas de bons resultados na feira, mas desafios persistentes no campo, o setor acompanha com atenção os próximos passos da política agrícola e as condições de financiamento, considerados decisivos para a retomada do crescimento.

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