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Raízen deveria aumentar repasse de canaviais a fornecedores independentes, diz Orplana
Publicado 16/02/2026 • 07:40 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 16/02/2026 • 07:40 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Foto: divulgação/Raízen
Raízen: o que a empresa pode ganhar com a venda de ativos na Argentina
Fornecedores de cana-de-açúcar avaliam que a Raízen deveria acelerar a transferência de parte de seus canaviais próprios para produtores independentes como estratégia para cortar custos e elevar a produtividade agrícola.
A discussão acontece após a companhia, controlada pela Cosan e pela Shell, reportar prejuízo de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26 e dívida líquida de R$ 55,4 bilhões.
José Guilherme Nogueira, presidente-executivo da Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil), afirmou, em entrevista ao Globo Rural, que a participação da matéria-prima oriunda de áreas próprias poderia cair dos atuais 50% para cerca de 30%, enquanto fornecedores independentes passariam de 50% para 70%. Negociações já ocorrem com produtores de regiões como Araraquara e Piracicaba, mas divergências sobre preços têm travado acordos.
Leia também: Crise da Raízen se agrava e credores se preparam para reestruturação de dívida
De acordo com Nogueira, a companhia já iniciou esse movimento, porém ainda cobra valores considerados altos pelos produtores ou oferece remuneração abaixo do esperado pela cana.
Segundo ele, fornecedores independentes poderiam atingir maior produtividade e qualidade com custos menores. O executivo também defende preços mais atrativos pela soqueira (base da planta que permite rebrota) para viabilizar a transferência de áreas.
Leia também: Sob pressão, Raízen busca alternativas para reduzir a dívida
Apesar do cenário financeiro pressionado, o executivo diz não haver receio generalizado de inadimplência. Dados de associados indicam que a empresa não possui débitos com produtores e segue as regras do Consecana, que preveem pagamento de 80% do valor no mês seguinte à colheita e quitação do restante entre dezembro e março. “Não há pânico”, afirmou.
Ele pondera, contudo, que alguns agricultores podem adiar a expansão de plantio até haver maior clareza sobre a situação financeira da companhia. Grandes fornecedores já vêm diversificando compradores.
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