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EXCLUSIVO: “Brasil é crucial para nós”, diz VP Global da Airbus ao destacar país como mercado estratégico
Publicado 01/09/2026 • 22:25 | Atualizado há 53 minutos
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Publicado 01/09/2026 • 22:25 | Atualizado há 53 minutos
KEY POINTS
Motores atrasados, fábricas paradas na Espanha e uma disputa de décadas com a Boeing. Da sede da Airbus – Helibrás, no aeroporto Campo de Marte (SP), Wouter van Wersch, vice-presidente executivo da Airbus, recebeu a equipe de Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, para uma entrevista exclusiva na qual abordaria os principais assuntos da companhia, além da relação com o Brasil e ampliação da fábrica de helicópteros da Helibrás, em Itajubá (MG).
Wersch não escondeu a preocupação com os dois principais entraves que a Airbus enfrenta neste momento, mas ainda assim, o executivo repetiu, mais de uma vez, que a companhia não vê motivo para recuar da meta de entregas estabelecida para 2026.
Por trás da confiança pública, no entanto, há números que pesam. A Airbus entregou apenas 114 aeronaves comerciais entre janeiro e março deste ano, praticamente um quinto do total que precisa somar até dezembro para bater a meta de cerca de 870 unidades.
“Nós tivemos uma série de desafios a superar e a empresa reafirma o guidance para o ano”, disse o executivo, logo nos primeiros minutos do encontro. Segundo ele, a companhia vive um momento recorde em pedidos, com forte demanda por aeronaves comerciais, helicópteros e produtos de defesa e espaço.
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O principal entrave da Airbus neste momento está ligado à entrega de motores para a família A320neo, fornecidos pela Pratt & Whitney. A disputa entre as duas companhias já levou a Airbus a sinalizar publicamente insatisfação com o ritmo de fornecimento, e a possibilidade de acionar cláusulas contratuais caso o cenário não melhore. O impasse ajuda a explicar por que a Airbus entregou apenas 19 aeronaves em janeiro deste ano e cerca de 33 em fevereiro, números considerados fracos mesmo para o início do calendário anual.
Questionado sobre a cadeia de fornecedores, van Wersch tratou o tema como prioridade da companhia. “Precisamos garantir que todos os fornecedores entreguem as peças para que possamos entregar aos clientes. Esse é um foco alto, mas vemos melhorias, e esperamos que isso continue a melhorar”, afirmou.
Sobre o cumprimento da meta anual, o executivo preferiu não antecipar números. “No momento eu não posso comentar sobre isso, mas continuamos buscando uma grande expansão, temos objetivos claros para os próximos anos. Estamos fazendo tudo o que é possível para que isso aconteça e estou confiante que seremos capazes”, declarou.
Enquanto isso, milhares de funcionários da Airbus na Espanha retomaram a greve no fim de agosto, depois de rejeitarem a última proposta salarial da companhia. A paralisação, iniciada em terça-feira (25), afeta diretamente a produção do A400M, do C295, do A330 MRTT e do caça Eurofighter, além de componentes usados em aeronaves comerciais.
Os sindicatos UGT, CGT e UTIL, que convocaram o movimento, representam cerca de 40% dos aproximadamente 14 mil funcionários da Airbus na Espanha. A Espanha concentra parte relevante da operação de defesa da companhia, com cerca de 9 mil pessoas empregadas na divisão Airbus Defence and Space, distribuída em cinco unidades no país.
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Siga o Times | CNBCQuestionado sobre o impasse, van Wersch afirmou que a Airbus trabalha para uma solução rápida. “Estamos trabalhando muito na Espanha, com a liderança e com o sindicato, para encontrar uma solução, esperamos ser capazes de chegar a uma conclusão o mais rápido possível”, disse. Segundo ele, uma paralisação prolongada teria efeito além da própria fábrica. “Se isso se arrastar, vai ter consequências que vão além, inclusive para os clientes automotivos. No momento, nenhum impacto. Mas se isso se arrastar, pode ter impacto, sim”, completou.
Além da greve, a disputa comercial com a Boeing também ganhou capítulo recente. A rival pediu ao governo dos Estados Unidos que intervenha sobre um empréstimo de 3 bilhões de euros concedido pelo Banco Europeu de Investimento à Airbus, sob a justificativa de reavivar o debate sobre subsídios entre as duas fabricantes. O Banco Europeu de Investimento, por sua vez, classificou a operação como um financiamento comercial comum, com juros de mercado.
Van Wersch tratou o episódio como parte natural da concorrência histórica entre as companhias. “Nós sempre tivemos uma competição forte com a Boeing, isso não é novidade, vem de trás. Mas se você olhar para os pedidos, estamos indo bem com a família A320, com o A350 e também com o A220, que está vendendo forte no momento”, afirmou.
Segundo o executivo, a carteira de pedidos da família A320 segue como um dos principais ativos da Airbus. “Com o A320 temos uma aeronave fantástica. É a aeronave de última geração, muito adequada aos clientes que temos hoje. Temos um backlog forte e vamos continuar buscando negócios pelo mundo todo”, disse.
À parte dos gargalos globais, van Wersch reforçou o peso do Brasil na estratégia da companhia. O executivo lembrou o acordo entre Brasil e França, que prevê investimento de R$ 1 bilhão para ampliar a fabricação do helicóptero H145 na fábrica da Helibras em Itajubá, Minas Gerais, conforme apuração da Reuters. Pelo acordo, a expectativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços é que a unidade produza 200 helicópteros em 15 anos, voltados aos mercados nacional e internacional.
“É um país muito forte para nós. Temos uma presença há mais de 45 anos, temos a única planta de fabricação de helicópteros da América Latina, em Itajubá. Quase metade da frota comercial brasileira é Airbus, e temos uma fatia de mercado muito forte em helicópteros”, disse van Wersch.
O executivo também comentou a possibilidade de trazer uma nova linha de montagem para o país. “Não posso fazer anúncios comerciais agora, mas achamos que esse programa é fantástico, com muito potencial no Brasil e em toda a América Latina. Se pudéssemos trazer uma linha final de montagem para o Brasil, seria uma grande oportunidade também para o setor aeroespacial brasileiro”, afirmou.
Por fim, van Wersch reforçou o compromisso da companhia com o país. “O Brasil, nós amamos, eu amo. Vamos estar aqui por muito tempo, seguimos comprometidos em continuar crescendo. Vemos o Brasil como uma porta de entrada para alcançar o resto da região”, disse.
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