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Brasil precisa usar energia limpa para entrar na cadeia global de tecnologia, diz CEO da Stay

Publicado 23/06/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Tsai Chi-yu afirma que o clima no Davos de Verão é de “otimismo com cautela” diante das incertezas globais.
  • Executivo vê a China bem posicionada para liderar inovação em escala, com IA aplicada à indústria e à robótica.
  • Para ele, o Brasil pode ir além da exportação de commodities e atrair data centers com energia renovável e disponibilidade de água.

O Brasil precisa usar sua matriz energética renovável para disputar espaço na cadeia global de tecnologia, afirmou Tsai Chi-yu, CEO da Stay, durante o Davos de Verão, na China.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo disse que o país tem condições de se posicionar melhor em um momento em que inteligência artificial, data centers e infraestrutura digital passam a exigir grandes volumes de energia e água.

“A gente precisa achar formas de não só consumir essa tecnologia, mas participar do processo”, afirmou.

Segundo Tsai, o Brasil ainda é visto principalmente como fornecedor de commodities, mas pode usar sua vantagem em energia limpa para atrair investimentos ligados à nova infraestrutura tecnológica.

“O Brasil tem uma das maiores reservas de água doce do mundo e é um dos poucos países que têm como matriz energética energia renovável”, disse.

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Otimismo com cautela

Tsai afirmou que o sentimento predominante entre empresários e investidores no Davos de Verão é de “otimismo com cautela”. O encontro ocorre em meio a incertezas sobre crescimento global, comércio internacional, transição energética, inteligência artificial e reorganização das cadeias produtivas.

“Quando a gente está diante de incerteza, pode enxergar riscos, mas também oportunidades”, afirmou.

Para o executivo, o mundo atravessa uma fase de transição, impulsionada por tecnologias como a inteligência artificial e por mudanças na forma de avaliar empresas e ativos.

Ele citou o IPO da SpaceX como exemplo de mudança no paradigma de precificação de companhias, em um ambiente no qual investidores buscam ativos com potencial de desempenho de longo prazo.

China e inovação em escala

O tema central do Davos de Verão é inovação em escala. Para Tsai, a China está entre os países mais bem posicionados nesse debate por combinar base industrial, capacidade de execução e uso crescente de IA e robótica.

“Quando a gente fala de inovação em escala, a China talvez seja um dos países mais bem posicionados hoje no mundo”, afirmou.

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Segundo ele, a aplicação de inteligência artificial à produção industrial pode ampliar ainda mais a eficiência chinesa em setores como carros elétricos, painéis solares e outros segmentos de manufatura.

“A China tem uma base industrial instalada muito grande que, com IA aplicada à robótica, tende a ter um impacto extremamente grande”, disse.

Energia como vantagem para o Brasil

Tsai afirmou que a discussão sobre energia é central para o avanço da inteligência artificial. O crescimento de data centers e da infraestrutura digital aumenta a demanda por eletricidade e água, o que pode abrir uma oportunidade para o Brasil.

“Por que a gente não tem mais data centers instalados aqui no Brasil?”, questionou.

Na avaliação do executivo, o país deve olhar para além da exportação de commodities e buscar formas de se integrar à cadeia global de tecnologia.

“Como a gente usa nossa expertise em energia renovável para se alinhar a essa cadeia de suprimentos de tecnologia?”, afirmou.

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IA na gestão das empresas

Como CEO da Stay, Tsai disse que a inteligência artificial já mudou a forma de construir tecnologia e operar negócios. Segundo ele, tarefas que antes exigiam centenas de engenheiros podem hoje ser realizadas por equipes muito menores.

“Hoje, o que você faz com 10, 20 engenheiros, três ou quatro anos atrás precisava de centenas de engenheiros para fazer”, afirmou.

A Stay atua em previdência privada corporativa. Tsai disse que a IA permite customizar planos para empresas em escala e em menos tempo.

“O que era impensável no passado, com IA eu faço em questão de dias”, disse.

Para o executivo, o Brasil está bem posicionado para adotar a tecnologia, mas precisa participar de forma mais ativa da nova etapa da economia digital.

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