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Operações da PF

Digimais rebate auditoria sobre fundos que renderam R$ 639 milhões

Publicado 23/06/2026 • 13:19 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Digimais atribui ressalvas de auditoria a prazos distintos entre balanços do banco e dos fundos
  • Fundos do banco de Edir Macedo valorizaram 178% após aquisição de R$ 357,6 milhões em cotas
  • Operação Hermon com holding de Macedo segue, segundo o banco, práticas usuais de mercado
Digimais aplicativo

Reprodução

PF mostra como o Digimais inflou crédito de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões em sucessivas reavaliações contábeis

O Digimais, banco controlado pelo bispo Edir Macedo, respondeu às ressalvas feitas pela auditoria Clifton Larson Allen Brasil sobre fundos de investimento que renderam R$ 639,8 milhões ao banco em poucos meses.

Segundo a instituição, os apontamentos dos auditores tratam de prazos distintos entre o balanço do banco e os relatórios dos fundos, e não de erros nos números apresentados. O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC pediu posicionamento ao banco, ainda sem resposta. Contudo, o banco respondeu ao jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a Folha, o Digimais adquiriu R$ 357,6 milhões em cotas de fundos de investimento em participações no segundo semestre do ano passado. As aplicações chegaram a valer R$ 997,5 milhões em dezembro, um avanço de 178%.

Leia também: PF aponta que Digimais copiou tática do Master de superavaliar ativos para esconder rombo e de se escorar no FGC

🔍 FIP (Fundo de Investimento em Participações) é um veículo de renda variável que compra participações em empresas de capital aberto ou fechado, geralmente com horizonte de investimento mais longo.

A auditoria afirmou que não foi possível avaliar a razoabilidade dos valores atribuídos a essas cotas porque os fundos ainda não tinham demonstrações financeiras próprias auditadas quando o balanço do banco foi publicado.

O Digimais disse ao jornal que os fundos foram adquiridos no segundo semestre de 2025 e ainda não haviam completado o ciclo para a emissão de auditorias próprias até o fechamento do balanço do banco. A instituição afirmou ainda que os ativos foram mensurados a valor justo por empresas especializadas e independentes, o que garantiria a transparência das demonstrações financeiras.

Um dos fundos citados na reportagem é o Cajaíba, com patrimônio de R$ 419 milhões, que investe na Cajaíba Participações, dona de terras na Praia Grande da Cajaíba, em Paraty, no Rio de Janeiro. O investimento do Digimais no fundo começou no dia 29 de agosto de 2025, data da primeira emissão de cotas, segundo documentos enviados à CVM.

Leia também: Como o Digimais inflou um crédito de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões no balanço

Negócio com a holding de Macedo

Outro ponto levantado pelos auditores, segundo a Folha, envolve a venda de R$ 741,3 milhões em cotas de um fundo chamado Hermon para a B.A. Empreendimentos e Participações, holding de Edir Macedo que controla o banco.

🔍 FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) reúne recursos de investidores para aplicar em créditos que empresas têm a receber, como duplicatas ou parcelas de vendas.

A operação reverteu provisões para perdas e contribuiu com R$ 126 milhões para o resultado do banco no ano passado, quando o Digimais teve lucro de R$ 31 milhões.

A auditoria apontou que o negócio está pendente de pagamento, com vencimento previsto para 29 de dezembro de 2032, e que a remuneração pode não ser compatível com a natureza econômica da operação.

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O Digimais afirmou que todas as suas operações financeiras seguem as práticas usuais de mercado, são devidamente auditadas e estão alinhadas às diretrizes de uma instituição do seu porte.

Leia também: Digimais, banco do Edir Macedo, corre ‘risco real de quebra’, justificou a Fitch diante do corte do rating

Carteira de fundos sem auditoria preocupa

A reportagem apontou ainda que o Digimais investiu R$ 3 bilhões em fundos cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas por falta de documentos, o equivalente a 73% do total aplicado pelo banco nesse tipo de veículo.

O banco não comentou esse ponto especificamente, concentrando sua resposta nos casos dos fundos adquiridos no segundo semestre de 2025 e na operação com o fundo Hermon.

Digimais e o acordo com o BTG Pactual

Em abril de 2026, o BTG Pactual fechou acordo de intenção de compra do Digimais. Pessoas próximas ao assunto afirmaram que a conclusão da transação depende de uma série de tratativas, entre elas um acerto com o FGC para financiar a operação.

🔍 FGC (Fundo Garantidor de Créditos) é uma entidade privada que protege depositantes e investidores de instituições financeiras em caso de problemas como falência ou liquidação do banco.

O desfecho da venda ao BTG Pactual ainda não foi definido, e segue em curso paralelamente aos questionamentos levantados pela auditoria sobre os fundos do Digimais.

O BTG Pacual não comenta.

Operação Miragem

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem para apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional supostamente cometidos na gestão do Digimais. Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, com autorização judicial para quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados e bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores.

Segundo a corporação, o banco teria replicado tática semelhante à usada pelo Banco Master para superavaliar ativos e esconder a deterioração da carteira de crédito, emitindo títulos com rentabilidade desproporcional aos indicadores de mercado e explorando a confiança dos depositantes na proteção do FGC. As investigações, subsidiadas por relatórios do Banco Central, apontam manipulação de demonstrativos contábeis para aparentar solvência. Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas.

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