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Carlo Pereira: Bélgica pode ser porta de entrada do Brasil na União Europeia
Publicado 27/05/2026 • 23:27 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 27/05/2026 • 23:27 | Atualizado há 3 dias
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A Bélgica pode ganhar peso como porta de entrada para empresas brasileiras na União Europeia, em um momento de avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia e de maior disputa por influência regulatória em Bruxelas. É o que avalia Carlo Pereira, Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Pereira disse que o país ainda é pouco conhecido pelo empresariado brasileiro, mas ocupa posição estratégica para negócios com a Europa.
Segundo ele, a Bélgica combina relevância logística, presença institucional e papel regulatório. Bruxelas abriga o centro político da União Europeia, enquanto o porto de Antuérpia-Bruges funciona como uma das principais estruturas de entrada e saída de mercadorias no continente.
“A gente conhece muito pouco a Bélgica”, afirmou. “É um país muito pequeno, muito bonito, mas vamos para o que importa: quando a gente fala de investimento estrangeiro direto, a Bélgica está em nono lugar.”
Leia também: Nova corrida global: Brasil e Bélgica discutem negócios com a União Europeia durante evento em São Paulo
Pereira disse que parte dessa baixa visibilidade ocorre porque muitas empresas belgas atuam no modelo B2B, sem presença direta no cotidiano do consumidor final brasileiro.
O comentário foi feito após um jantar organizado pelo grupo empresarial Lide e pelo Consulado da Bélgica em São Paulo, que reuniu lideranças empresariais brasileiras e belgas, autoridades e representantes ligados à União Europeia. Entre os participantes estavam executivos de empresas como Airbus, BASF, Danone, Stefanini, McKinsey, Raízen e Dasa, além de ex-ministros e diplomatas.
Para Pereira, o encontro mostrou que a discussão vai além do acesso ao mercado europeu. Segundo ele, estar próximo de Bruxelas também significa acompanhar e tentar influenciar regulações que acabam servindo de referência para outras economias.
“Quando a gente fala da regulação europeia, não está falando só no acesso ao mercado europeu”, disse. “Muitos países, inclusive o Brasil, acabam se baseando nas legislações da União Europeia para as suas legislações. Até a China faz isso.”
O Notável afirmou que, por isso, a presença empresarial brasileira em Bruxelas é estratégica para companhias que exportam não apenas para a Europa, mas também para outros mercados.
“Influenciar efetivamente as legislações na União Europeia tem que ser em Bruxelas. Faz muito sentido para o mercado brasileiro, para as empresas brasileiras que queiram exportar não só para a Europa, mas para outros países do mundo”, afirmou.
Pereira também avaliou que o acordo entre Mercosul e União Europeia abre um mercado relevante, mas não garante ganhos automáticos ao Brasil. Segundo ele, o tratado precisa ser bem discutido e regulamentado para não produzir efeitos contrários aos interesses brasileiros.
“O acordo é o início, não o fim”, disse. “Se ele não for bem discutido, bem regulamentado, de nada vai servir para o Brasil e pode jogar contra.”
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Seguir no GooglePara o Notável, o governo belga demonstrou abertura para aprofundar relações com o Brasil. O avanço, no entanto, dependerá da capacidade do setor privado brasileiro de ocupar espaço na capital europeia.
“O Brasil tem um espaço muito grande”, afirmou. “Mas vale muito do setor privado brasileiro. Esse setor privado ainda não está em Bruxelas.”
Segundo Pereira, ampliar essa presença pode fortalecer a relação bilateral com a Bélgica e, ao mesmo tempo, aumentar a influência brasileira nas discussões regulatórias da União Europeia.
“A gente precisa aumentar a nossa presença para aumentar a relação entre esses países, mas também com o bloco União Europeia, influenciando legislações e normativas europeias”, disse.
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