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Protagonistas: Inovação começa nas pessoas, não na tecnologia, diz Glaucia Guarcello, CEO da HSM

Publicado 16/07/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Glaucia Guarcello afirma que empresas erram ao projetar o futuro apenas como continuação do passado.
  • Executiva defende que líderes precisam combinar excelência operacional com atenção a novos riscos, tecnologias e mudanças de comportamento.
  • Para ela, inteligência artificial exige fluência tecnológica, pensamento crítico e capacidade de fazer boas perguntas.

A inovação começa nas pessoas, e não na tecnologia, afirmou Glaucia Guarcello, CEO da HSM, da Singularity Brasil e do Learning Village.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Glaucia disse que a tecnologia só gera valor quando líderes conseguem definir propósito, tese de uso e aplicação clara para resolver problemas reais. “A tecnologia é sempre meio, nunca é o fim”, afirmou.

Glaucia já foi Chief Innovation Officer (CIO) da Deloitte e da Andrade Gutierrez. Hoje, atua na preparação de empresas e lideranças para um ambiente de negócios mais incerto, marcado por inteligência artificial, mudanças aceleradas e novos modelos de inovação.

Segundo ela, um dos principais erros das empresas ao olhar para o futuro é imaginar que ele será apenas uma progressão do passado. A executiva afirmou que muitas companhias ainda operam com base em dados históricos e projetam melhorias incrementais, sem considerar rupturas mais profundas.

“As empresas são viciadas em projeção de resultado futuro apenas melhorando o índice histórico”, disse.

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Para Glaucia, companhias precisam olhar para “futuros”, no plural. Isso significa considerar cenários alternativos, mudanças de comportamento, transformações geopolíticas, alterações econômicas e tecnologias capazes de substituir produtos, serviços ou modelos de negócio.

A executiva disse que o desafio não é abandonar o negócio principal, mas combinar disciplina operacional com atenção ao ambiente externo. Segundo ela, nenhum produto ou serviço tem viabilidade econômica eterna, o que torna fontes alternativas de receita cada vez mais importantes.

“Não é apenas sobre como eu posso fazer melhor o que eu sempre fiz”, afirmou.

Glaucia também afirmou que empresas tendem a negar futuros que não gostariam que acontecessem. Para ela, esse viés pode atrasar respostas a disrupções e reduzir o tempo disponível para reagir quando mudanças chegam ao mercado.

A CEO da HSM defendeu que líderes entendam melhor o papel social de seus produtos e serviços. Segundo ela, uma empresa que vende colchões, uma marca de bebidas ou uma plataforma de meditação podem atender a uma mesma necessidade, como oferecer calma ao consumidor, ainda que por caminhos diferentes.

Ao comentar inteligência artificial, Glaucia disse que a pergunta central não deve ser apenas o que a IA é capaz de fazer, mas o que a sociedade quer ou não quer delegar à tecnologia.

“Eu acho que a pergunta não deve ser o que ela não consegue fazer. A pergunta deveria ser o que a gente não gostaria que ela fizesse, mesmo se ela pudesse”, afirmou.

Para ela, temas ligados a filosofia, arte, moral e ética deveriam permanecer humanos por decisão coletiva, não necessariamente por limitação tecnológica. A executiva afirmou que a IA torna pessoas e empresas mais poderosas, mas também pode gerar impactos sociais relevantes.

Glaucia disse que a economia atual não foi desenhada para uma inteligência artificial em escala. Segundo ela, a possibilidade de geração de produção por máquinas, sem vínculo direto com renda do trabalho, levanta questões sobre consumo, distribuição de renda, regulação e políticas públicas.

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A executiva também defendeu que o Brasil participe de forma mais ativa da agenda global de tecnologia e inovação. Glaucia disse ter acesso a ambientes internacionais relevantes, incluindo os Estados Unidos, mas afirmou ter escolhido desenvolver sua carreira no Brasil.

“Eu quero muito aplicar meus talentos no Brasil”, disse.

Para ela, o país tem capacidade intelectual e potencial para ganhar relevância em ciência e tecnologia, embora ainda precise de incentivos e organização. Glaucia afirmou que o Brasil sofre de uma “crise de vira-lata” que não corresponde ao talento disponível no país.

Sobre as competências mais valorizadas nos próximos anos, a executiva citou fluência tecnológica mínima, capacidade de usar ferramentas de IA, domínio de prompts, pensamento crítico, filosofia e raciocínio analítico.

“Saber perguntar em tempos de IA é uma das maiores habilidades que um ser humano pode ter”, afirmou.

Glaucia disse que boas perguntas geram melhores respostas das máquinas e que a capacidade de avaliar criticamente resultados será cada vez mais importante. Para ela, se parte da cognição passa a ser terceirizada à tecnologia, saber julgar a qualidade das respostas se torna essencial.

Para mulheres que buscam cargos de liderança, Glaucia afirmou que é preciso perder a culpa de priorizar a própria carreira e os próprios sonhos. Segundo ela, muitas mulheres foram educadas para cuidar dos outros antes de si mesmas, o que pode limitar ambição e desenvolvimento.

“Não tenha vergonha de se priorizar, não tenha vergonha de correr atrás dos seus sonhos”, disse.

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A executiva afirmou que só percebeu diferenças de gênero com mais clareza ao chegar à universidade e ao mercado de trabalho. Criada por um homem, disse que cresceu acreditando ter as mesmas oportunidades e sonhos que qualquer menino, o que a ajudou a não sentir culpa por ser ambiciosa.

Questionada sobre o que significa ser protagonista da própria história, Glaucia associou a ideia à liberdade de escolha, autenticidade e responsabilidade pela própria reação diante dos acontecimentos.

“Ser protagonista, para mim, significa ser livre”, afirmou.

Ela disse que prefere se arrepender do que fez, e não do que deixou de fazer, e que parte relevante do sucesso está em ter coragem para dar os primeiros passos.

“Metade do sucesso é ter coragem de dar os passos. O resto vai se ajeitando”, disse.

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