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Fim da patente do Ozempic dispara guerra de preços pelo mundo e Brasil aguarda corrida das farmacêuticas
Publicado 20/03/2026 • 09:54 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 20/03/2026 • 09:54 | Atualizado há 2 horas
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imagem gerada pela inteligência artificial ImaGen3, do Google
Patente da semaglutida expira nesta sexta-feira e abre mercado para versões mais baratas do Ozempic no Brasil e no mundo
A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, expira nesta sexta-feira (20) em vários países, incluindo o Brasil. Após 20 anos de exclusividade da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, outras empresas estão autorizadas a produzir e comercializar suas próprias versões da substância.
A largada já foi dada na Índia, maior mercado de genéricos do mundo, e o Brasil aguarda a fila de aprovações da Anvisa.
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A Índia se tornou o primeiro grande mercado a ver uma enxurrada de versões copiadas da semaglutida. O Canadá foi o primeiro país a perder a proteção de patente, em janeiro, mas o regulador canadense ainda não aprovou nenhum genérico até agora.
A Natco Pharma colocou à venda uma injeção de semaglutida com preços a partir de 1.290 rúpias por mês, o equivalente a cerca de R$ 75, já no primeiro dia em que os genéricos foram permitidos. Outro dispositivo, do tipo caneta, deve ser lançado pela mesma empresa até abril, com previsão de custo em torno de 4.500 rúpias mensais.
Em comparação, a caneta do Wegovy da Novo Nordisk começa em cerca de 10.480 rúpias na Índia e aproximadamente US$ 199 nos Estados Unidos no modelo de pagamento direto.
A dimensão da concorrência que se forma é expressiva. A Bloomberg identificou ao menos 12 grandes fabricantes indianos, entre eles Sun Pharmaceutical Industries, Dr. Reddy’s Laboratories e Lupin, com planos de vender semaglutida genérica. Sheetal Sapale, pesquisadora da Pharmarack, empresa de dados de mercado, estima que cerca de 42 fabricantes devem lançar produtos sob mais de 50 marcas ao longo deste ano.
Analistas do Jefferies descreveram a Índia como “um importante estudo de caso para o futuro” da perda de exclusividade da molécula. A corretora estima o mercado de perda de peso no país em cerca de US$ 500 milhões, com potencial de dobrar com preços adequados e maior adoção.
Fabricantes de genéricos também testam formatos variados de aplicação: seringas pré-preenchidas de uso único, canetas injetoras, frascos e canetas reutilizáveis com dosagem ajustável. O objetivo é oferecer mais flexibilidade, reduzir custos e criar fidelidade à marca. “A reputação da empresa nessa categoria terapêutica, assim como o sistema de aplicação, serão agora os diferenciais”, afirmou Sapale.
No Brasil, o fim da patente não significa acesso imediato a versões mais baratas. As farmacêuticas que já submeteram seus dossiês à Anvisa precisam aguardar a conclusão da análise regulatória antes de produzir ou comercializar qualquer produto. A agência recebeu 17 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida.
A expectativa é que a concorrência derrube os preços entre 15% e 60% em relação ao Ozempic e Wegovy originais, seguindo a tendência histórica de similares e genéricos no país. A legislação brasileira exige que um genérico seja ao menos 35% mais barato que o medicamento de referência. Na prática, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares, os genéricos costumam chegar a 60% mais baratos.
A EMS, maior indústria farmacêutica do país e única nacional a produzir peptídeos no Brasil, investiu mais de R$ 1,2 bilhão em uma planta em Hortolândia, no interior de São Paulo, com capacidade inicial para produzir até 20 milhões de canetas por ano. A empresa aguarda a conclusão da análise da Anvisa para iniciar a produção e a comercialização.
Em nota à Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, uma fonte interna que não quis ser identificada confirmou a intenção da companhia de lançar uma caneta injetável à base de semaglutida para o tratamento do diabetes tipo 2. “Assim como acontece com qualquer medicamento, a companhia seguirá integralmente o rito regulatório estabelecido pela Anvisa. Por isso, neste momento, não consigo indicar uma data para eventual lançamento ou disponibilidade nas farmácias”, disse a fonte.
O vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, afirmou que a empresa chegará “de forma competitiva” ao mercado, sem revelar preços. “Como líder do setor farmacêutico no país e única farmacêutica nacional a produzir peptídeos no Brasil, entendemos a responsabilidade de disponibilizar terapias de qualidade, com rigor científico e dentro de todas as exigências regulatórias”, disse.
A Biomm, que investiu mais de R$ 800 milhões em sua planta industrial nos últimos anos, também submeteu à Anvisa o dossiê com a documentação necessária para o registro da semaglutida. Em nota à Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a empresa confirmou os planos de comercializar uma versão da substância e afirmou que estará apta a disponibilizar o medicamento assim que obtiver aprovação regulatória.
A companhia também planeja lançar a liraglutida, ampliando sua atuação no segmento de GLP-1. “Seguimos avançando em análises técnicas para ampliar o acesso dos pacientes brasileiros a terapias biológicas, contribuindo para a redução da dependência do Brasil a medicamentos importados e reduzindo custos para os pacientes e todo o sistema de saúde”, informou a Biomm em nota.
Vale destacar que semaglutida e liraglutida não se enquadram na categoria tradicional de genéricos. Por envolverem processos industriais altamente especializados, seguem um caminho regulatório distinto. No caso da EMS, o produto é classificado como medicamento novo de molécula já conhecida, com base em síntese química em fase sólida, diferente da tecnologia utilizada pela Novo Nordisk.
Ainda assim, a perspectiva de queda nos preços é real. “Na prática, ambos são iguais aos seus medicamentos de referência e podem ser utilizados pela população sem medo de perder qualidade, eficácia ou segurança”, explicou Marcela Amaral, gerente de Acesso e Precificação do Sindusfarma. A disputa pelo mercado brasileiro, à espera do aval da Anvisa, está apenas começando.
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