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Doutor Inovação: disputa por tecnologia para prontuários médicos gera cenário “extremamente interessante”

Publicado 06/07/2026 • 18:41 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Epic Systems lançou ferramenta de assistentes virtuais capazes de traduzir exames complexos e atender pacientes 24 horas por dia.
  • Segundo o executivo, mesmo sem a preferência do mercado, o principal desafio é a estratégia de venda casada que pode ser adotada pela Epic.
  • Para o mercado brasileiro, Pedro Batista afirma que startups nacionais precisam investir em especialização médica e conectar soluções a resultados financeiros.

A inteligência artificial chegou de vez aos prontuários médicos e promete redefinir a relação entre médicos e pacientes. A Epic Systems, maior empresa de prontuários eletrônicos dos Estados Unidos, lançou recentemente uma ferramenta robusta de assistentes virtuais nativos de IA, capazes de traduzir exames complexos e atender pacientes 24 horas por dia. 

Para explicar o impacto dessa movimentação no mercado de tecnologia em saúde, o fundador e CEO da Horus AI, e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Pedro Batista, detalhou os bastidores dessa transformação e suas implicações para o ecossistema global de healthtech, inclusive para o mercado brasileiro.

Segundo o executivo, o mercado global de saúde digital vive uma transformação profunda com a integração direta de inteligência artificial aos Prontuários Eletrônicos do Paciente. A Epic Systems, que detém cerca de 42% de participação hospitalar nos Estados Unidos e mantém registros de mais de 325 milhões de pacientes, decidiu internalizar ferramentas de IA que, até então, eram desenvolvidas por startups terceiras conectadas à sua plataforma. 

Pedro Batista destaca que essa movimentação provoca um verdadeiro terremoto entre as startups de healthtech. “Elas batem de frente com outras empresas nativas de IA, que acabaram produzindo ferramentas de muito boa adesão do mercado, das equipes médicas, dos profissionais de saúde, e agora começa um embate que pode ser extremamente interessante do ponto de vista econômico”, afirma.

Historicamente dependentes da infraestrutura da Epic para vender soluções pontuais, essas empresas agora passam a competir diretamente com a própria plataforma que antes as hospedava. 

O principal desafio, segundo o executivo, é a estratégia de venda adotada pela companhia. Sistemas hospitalares, que já lidam com dezenas de fornecedores de tecnologia diferentes, enxergam forte valor em consolidar ferramentas sob um único guarda-chuva. 

“A melhor ferramenta, hoje, que está em contato com o médico, tem a preferência de 75% do mercado. Porém, a preocupação do mercado é que a Epic faça a tal da venda casada”, explicou.

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Um levantamento recente da Health Affairs mostrou que 79% dos hospitais que implementam IA hoje optam por soluções fornecidas pelo próprio fornecedor de prontuário eletrônico. Especialistas em saúde digital da Universidade da Califórnia, em São Francisco, afirmam que essa preferência institucional por soluções “Epic-first” gera um comportamento específico.

“Mesmo quando uma ferramenta terceira apresenta desempenho superior, os hospitais tendem a preferir a opção nativa da Epic, motivados por integração mais simples, segurança de dados dentro do próprio ecossistema e uma relação de confiança já estabelecida”, resume Pedro Batista.

Diante desse cenário, empresas de IA focadas exclusivamente em documentação clínica estão sendo forçadas a repensar suas estratégias. Segundo Pedro Batista, a chamada “guerra das transcrições” está chegando ao fim, dando lugar a uma disputa por etapas mais avançadas do fluxo de trabalho hospitalar. Para sobreviver, empresas como Abridge, Suki e Ambience Healthcare precisarão demonstrar um retorno sobre o investimento expressivo o suficiente para justificar, aos olhos dos hospitais, a manutenção de um fornecedor adicional fora do pacote padrão da Epic.

O executivo também traçou um panorama das tendências que devem moldar o setor nos próximos anos. Uma delas é a forte onda de fusões e aquisições prevista para 2026: com mais de cem empresas financiadas por capital de risco oferecendo soluções muito semelhantes de IA para documentação clínica, o mercado não deve comportar todas. 

Para o mercado brasileiro de healthtechs, o executivo afirma que resolver apenas um problema pontual deixou de ser suficiente. Segundo ele, startups nacionais precisam investir em especialização médica, conectar soluções de IA clínica a resultados financeiros claros e garantir integração capaz de operar em diferentes sistemas de prontuários sem depender de um único fornecedor.

Para Pedro Batista, o movimento da Epic Systems marca o fim da fase experimental da inteligência artificial na saúde e o início de uma nova era de adoção em massa e infraestrutura consolidada. Ao mesmo tempo em que essa plataformização concentra poder e cria barreiras relevantes para novos players, ela também força o amadurecimento do setor.

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