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Em recuperação judicial bilionária, Ambipar segue estampando a marca em carros da Ferrari na F1
Publicado 15/06/2026 • 22:25 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 15/06/2026 • 22:25 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Divulgação
Quando Lewis Hamilton e Charles Leclerc cruzam a linha de chegada nos circuitos da Fórmula 1, é possível ver, estampado nos carros e macacões da Scuderia Ferrari, o logo da Ambipar. A empresa brasileira de soluções ambientais firmou em fevereiro de 2025 uma parceria com a escuderia italiana para liderar seu programa de descarbonização, com o objetivo de ajudar a Ferrari a alcançar neutralidade de carbono até 2030.
Oito meses depois de assinar o contrato com a Ferrari, a Ambipar pediu recuperação judicial no Brasil e proteção sob Chapter 11 nos Estados Unidos, com dívidas estimadas em cerca de R$ 10,5 bilhões.
Desde então, a empresa acumula três resultados pendentes de divulgação: o do terceiro e quarto trimestres de 2025 e o do primeiro trimestre de 2026.
Leia também: Operação coordenada conecta Vorcaro e Tanure para inflar artificialmente ações da Ambipar
A trajetória da crise é desconcertante pelo ritmo em que aconteceu. Em junho de 2025, a Ambipar reportava cerca de R$ 4,7 bilhões em caixa consolidado. Quatro meses depois, em outubro, a empresa pedia proteção judicial alegando severa crise de liquidez, com dívidas de curto prazo de R$ 616 milhões que logo revelaram um passivo total estimado em cerca de R$ 10,5 bilhões.
A pergunta que credores, investidores e reguladores tentam responder desde então é sempre a mesma: onde foi parar o caixa bilionário?
A empresa acumula três resultados pendentes de divulgação. Segundo a Ambipar, o atraso decorre principalmente do processo de recuperação judicial, que impactou os trabalhos de auditoria e revisão contábil. A troca do CFO, com a saída de João Arruda, também é mencionada como fator de impacto nos processos internos.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), porém, afirma que a Ambipar descumpriu obrigações ao não disponibilizar, no mesmo dia do protocolo do pedido, a íntegra da petição inicial e das demonstrações contábeis exigidas pela Lei de Recuperação e Falências — omitindo balanço patrimonial, demonstração de resultados e relatório gerencial de fluxo de caixa. A autarquia chegou a recorrer à Justiça para obter acesso integral aos documentos mantidos sob sigilo.
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Siga o Times | CNBCAs preocupações da CVM com a Ambipar, porém, antecedem a recuperação judicial. Em maio de 2025, a autarquia abriu um inquérito administrativo para apurar indícios de infrações em operações realizadas pela companhia, seus controladores e pessoas a eles ligadas, nos mercados à vista e de derivativos, em 2024 e 2025, envolvendo ações emitidas pela própria empresa. O processo segue em andamento.
O contrato com a Ferrari foi anunciado em 14 de fevereiro de 2025, com a Ambipar posicionada como parceira oficial de sustentabilidade da escuderia. A empresa brasileira assumiu o papel de líder do programa de descarbonização da Ferrari, com iniciativas que incluem adoção de fontes renováveis de energia, otimização de processos industriais, estratégias de economia circular e programas de crédito de carbono.
Os valores do contrato não foram revelados. A estrutura do acordo também não é pública, o que impede saber se envolve pagamento direto, prestação de serviços ou outros formatos comerciais. A parceria continua listada nos canais oficiais da Ferrari, e a marca da Ambipar segue presente na identidade visual da equipe.
Leia também: Bancos vão à Justiça dos EUA para travar plano da Ambipar que deixa credores brasileiros de fora
Em outubro de 2025, a Ambipar Emergency Response, unidade internacional sediada nas Ilhas Cayman, entrou com pedido de proteção sob Chapter 11 no Tribunal de Falências dos EUA para o Distrito Sul do Texas, em Houston.
Os credores afirmam que a Ambipar está “abusando” do tempo e, em mais de quatro meses no Chapter 11, falhou em conduzir negociações significativas e em dar qualquer clareza sobre a redução bilionária do caixa. Em documentos judiciais, os advogados dos credores afirmam que a empresa “informou a dois tribunais que pode nem se dar ao trabalho de prosseguir com um plano do Chapter 11, deixando claro que este processo é um mero esforço tático para suspender os credores dos EUA.”
A Ambipar contesta essa caracterização e diz que o processo de reestruturação segue seu curso normal.
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