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Empreendedorismo feminino avança por autonomia, mas culpa e sobrecarga ainda travam crescimento, avalia empresária
Publicado 24/04/2026 • 14:01 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 24/04/2026 • 14:01 | Atualizado há 7 meses
KEY POINTS
O recorde de abertura de empresas por mulheres no Brasil reflete uma busca crescente por autonomia, protagonismo econômico e flexibilidade de vida, mas ainda esbarra em obstáculos emocionais e estruturais que dificultam a expansão dos negócios. A avaliação é de Fernanda Tochetto, fundadora do Tittanium Club, ao analisar os dados de empreendedorismo feminino registrados em 2025.
Segundo números do Sebrae, o país abriu quase 5 milhões de novos microempreendedores individuais e pequenas empresas no ano passado. Desse total, cerca de 2 milhões, ou 42%, estavam sob comando feminino.
Para Fernanda, esse movimento vai além da necessidade financeira e revela uma mudança profunda no papel da mulher no mercado. “As mulheres estão cada vez mais buscando construir sua autonomia com a carreira, contribuindo com as famílias, mas também querendo ocupar esse espaço como empresárias, construindo e fazendo a diferença”, afirmou em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta sexta-feira (24).
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Ela destaca que o empreendedorismo feminino mistura vocação, desejo de independência e expansão profissional. “O ato de liderar e de ser empresária é um desejo. Pode vir com a vocação, pode ser despertado, mas as mulheres estão buscando cada vez mais esse lugar no mercado de trabalho através do empreendedorismo”, ressaltou.
Os dados mostram que a indústria teve a maior participação feminina entre os novos negócios em 2025, com 45%, seguida por serviços (44%) e comércio (43%). A construção civil apareceu com menor presença, em 11%.
Fernanda afirma que, embora a liderança da indústria surpreenda, o setor de serviços tem forte apelo entre mulheres por permitir melhor gestão da rotina. “A mulher busca o serviço com mais flexibilidade, com mais estratégia e com melhor gestão de tempo, tarefas e entregas”, explicou.
Segundo ela, áreas como mentorias, consultorias e prestação de serviços facilitam a conciliação entre trabalho, família e vida pessoal. “A mulher quer ocupar espaço sem deixar de exercer suas atribuições familiares e o cuidado consigo mesma”, pontuou.
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Siga o Times | CNBCNa visão da empresária, o avanço quantitativo do empreendedorismo feminino precisa ser acompanhado por atenção à saúde emocional e à organização da rotina.
Ela afirma que muitas mulheres acumulam responsabilidades dentro e fora de casa e acabam reproduzindo no negócio a mesma carga de liderança que exercem no ambiente familiar. “Ela precisa liderar, vender, gerenciar e repete no trabalho muitos dos papéis que desempenha dentro do lar”, destacou.
Por isso, o autocuidado aparece como fator central para a sustentabilidade dos negócios comandados por mulheres. “Cuidar de si para poder cuidar dos seus e cuidar dos seus negócios é fundamental”, frisou.
Fernanda também aponta um obstáculo silencioso recorrente entre empreendedoras: a culpa. Segundo ela, o sentimento acompanha decisões ligadas à maternidade, carreira, crescimento e escolhas pessoais. “A mulher nos seus diferentes papéis tem uma palavra que a persegue: culpa. Nasce um filho, nasce uma culpa; nasce um negócio, pode vir uma culpa”, disse.
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Para a fundadora do Tittanium Club, o crescimento profissional exige renúncias e escolhas, e lidar emocionalmente com isso é decisivo para avançar. “Quanto mais nos colocamos em ambientes que nos desafiam, mais responsabilidades surgem. E junto vêm escolhas, renúncias e culpa”, lembrou.
Ela alerta que esse sentimento pode até impulsionar em alguns momentos, mas frequentemente bloqueia resultados e limita a expansão dos negócios. “Esse desafio muitas vezes impulsiona, mas na grande maioria das vezes trava o resultado da mulher”, concluiu.
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