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Microsoft planeja reduzir parcerias com empresas de neocloud em meio a sinais de desaceleração nos investimentos em infraestrutura de IA
Publicado 06/11/2026 • 19:18 | Atualizado há 3 horas
Microsoft planeja reduzir parcerias com empresas de neocloud em meio a sinais de desaceleração nos investimentos em infraestrutura de IA
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Publicado 06/11/2026 • 19:18 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Foto: AFP
A Microsoft está revendo sua rede de parceiros de neocloud e pretende concentrar as operações em um grupo menor de fornecedores estratégicos, além de ampliar sua própria infraestrutura de data centers. A informação foi revelada por pessoas familiarizadas com o assunto.
A possível redução das parcerias representa mais um desafio para o setor de neocloud, que já enfrenta sinais de pressão diante do aumento dos custos de financiamento, do elevado endividamento das empresas e das dúvidas sobre o ritmo de expansão da infraestrutura de inteligência artificial.
Nos últimos anos, a Microsoft firmou acordos com diversas empresas do segmento, entre elas CoreWeave, Nebius, Chronoscale, IREN, Lambda e Nscale. A companhia também mantém uma parceria com a Oracle, que vem investindo bilhões de dólares na ampliação de sua infraestrutura voltada à inteligência artificial.
Segundo duas fontes ouvidas pela reportagem, a Microsoft ainda está avaliando suas opções e não decidiu quais parceiros poderá deixar de contratar. As fontes pediram para não ser identificadas, já que as discussões são confidenciais. Uma delas afirmou que a empresa pretende dar prioridade à expansão de seus próprios data centers. A Bloomberg já havia noticiado os planos.
As fontes também disseram que a Microsoft decidiu não renovar um contrato com a Oracle.
Em nota enviada por e-mail, um porta-voz da Microsoft afirmou que a estratégia de infraestrutura da companhia é baseada em flexibilidade e na possibilidade de escolher diferentes fornecedores.
“Combinamos data centers próprios, instalações alugadas e parcerias estratégicas com fornecedores terceirizados para oferecer a capacidade de que nossos clientes precisam, onde e quando precisam”, afirmou. “Reavaliamos regularmente esses investimentos de acordo com a demanda dos clientes. Isso inclui acompanhar os prazos de entrega e ajustar nossos planos conforme as circunstâncias mudam.”
As empresas de neocloud vêm enfrentando forte turbulência no mercado financeiro nas últimas semanas. A alta dos juros aumentou a preocupação dos investidores com o nível de endividamento dessas companhias, muitas das quais recorreram a grandes volumes de empréstimos para acelerar a construção de sua infraestrutura.
No último mês, as ações da CoreWeave, da Nebius e da IREN perderam aproximadamente metade de seu valor, apesar da recuperação registrada na sexta-feira.
Um levantamento recente identificou 323 empresas de neocloud em operação, e especialistas avaliam que muitas delas não conseguirão se manter no mercado.
Em seu balanço divulgado na quinta-feira, a IREN informou que entregou à Microsoft uma estrutura de data center em agosto. No entanto, a companhia solicitou uma atualização dos equipamentos de rede, o que adiou o início das operações para janeiro ou fevereiro, em vez de ainda este ano.
Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre fiscal da Microsoft, realizada em outubro, a diretora financeira da empresa, Amy Hood, afirmou que alguns contratos de serviços de nuvem envolvendo unidades de processamento gráfico (GPUs) foram adiados para o primeiro semestre de 2027. Segundo ela, os adiamentos devem afetar o crescimento do Azure.
No trimestre mais recente, a Microsoft registrou US$ 45,2 bilhões (R$ 248,6 bilhões) em despesas de capital e compromissos com arrendamentos financeiros. A empresa também informou que pretende acelerar os investimentos em infraestrutura (capex) na segunda metade do ano fiscal.
CoreWeave e Nebius devem divulgar seus resultados trimestrais na próxima semana.
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Siga o Times | CNBCAs ações da IREN dispararam 16% na sexta-feira, depois que a empresa informou que sua receita com serviços de inteligência artificial mais que dobrou em relação ao trimestre anterior, chegando a US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão).
Em entrevista à CNBC, o co-CEO da IREN, Daniel Roberts, afirmou que existe uma diferença entre o que vem acontecendo no mercado financeiro e a demanda observada entre os clientes da empresa.
No entanto, ele reconheceu que as condições de financiamento se tornaram mais difíceis.
“Nas últimas semanas, os mercados de capitais ficaram mais seletivos. Os investidores passaram a questionar não apenas o tamanho dos contratos, mas também se essas empresas têm condições de executar os projetos, financiar a expansão e operar de forma lucrativa”, afirmou Roberts durante a teleconferência de resultados.
A Microsoft já havia reduzido sua exposição à Nscale, empresa britânica de neocloud, ao desistir de utilizar uma instalação que estava prevista para a Inglaterra.
Em outubro, Darren Hardman, CEO da Microsoft para o Reino Unido e a Irlanda, disse à CNBC que a decisão estava relacionada à capacidade da Nscale de garantir o fornecimento de energia elétrica necessário para a operação.
O Financial Times informou nesta semana que a Microsoft também decidiu não renovar um contrato com a Nscale no Texas.
A Nscale protocolou os documentos para uma oferta pública inicial de ações (IPO) em meados de setembro, mas não apresentou atualizações desde então. No prospecto, a empresa afirmou que espera que a Microsoft se torne um de seus principais clientes nos próximos anos.
A expansão das parcerias da Microsoft com empresas de neocloud ganhou força após o lançamento do ChatGPT, em 2022, que provocou um salto na demanda por unidades de processamento gráfico (GPUs).
Na tentativa de ampliar rapidamente sua capacidade computacional, a Microsoft fechou um acordo com a CoreWeave, que, na época, ainda era uma startup de capital fechado com origem no setor de mineração de criptomoedas.
Ao abrir seu capital no ano passado, a CoreWeave revelou que a Microsoft havia respondido por 62% de sua receita em 2024.
Quando o ChatGPT foi lançado, a OpenAI dependia exclusivamente da infraestrutura de nuvem do Azure. Desde então, a empresa diversificou seus fornecedores e passou a contar também com Amazon, Cerebras, CoreWeave, Google e Oracle.
O porta-voz da Microsoft afirmou que a revisão das parcerias com empresas de neocloud faz parte da gestão normal de projetos de infraestrutura de grande porte.
“Essa é uma maneira normal e responsável de administrar projetos de infraestrutura complexos e de grande escala. O ritmo de fechamento de novos acordos reflete as necessidades que temos neste momento”, afirmou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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