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Empresas brasileiras captam US$ 4,7 bilhões em títulos de dívida internacional em janeiro

Publicado 01/02/2026 • 21:09 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O mercado de capitais internacional abriu as portas para o Brasil neste início de ano. Em janeiro, as empresas brasileiras captaram US$ 4,7 bilhões
  • O movimento reflete uma forte realocação de portfólios globais: investidores estão saindo dos Estados Unidos, motivados pela incerteza econômica e pela perspectiva de queda de juros, e buscando retornos mais atrativos em mercados emergentes como o Brasil.

REUTERS/Adriano Machado

Azul

O mercado de capitais internacional abriu as portas para o Brasil neste início de ano. Em janeiro, as empresas brasileiras captaram US$ 4,7 bilhões (aproximadamente R$ 24,7 bilhões) por meio da emissão de títulos de dívida internacional (bonds), um salto de 39% em relação ao mesmo período de 2025.

O movimento reflete uma forte realocação de portfólios globais: investidores estão saindo dos Estados Unidos, motivados pela incerteza econômica e pela perspectiva de queda de juros, e buscando retornos mais atrativos em mercados emergentes como o Brasil.

Nomes de peso como Bradesco, BTG, Azul e Sabesp lideraram as emissões de dívida, encontrando uma liquidez robusta e investidores ávidos por papéis brasileiros. Em Davos, o CEO do Itaú apontou à imprensa que o Brasil tem capturado esse fluxo estrangeiro, com a bolsa local batendo recordes, o que beneficia os mercados emergentes.

Dois casos chamaram a atenção do mercado pela magnitude da demanda e pelo ineditismo das estruturas.

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A Azul Linhas Aéreas, em uma operação crucial para financiar sua saída do Chapter 11 (recuperação judicial nos EUA), registrou uma demanda impressionante por seus papéis, que atingiu US$ 9,1 bilhões (R$ 47,8 bilhões), evidenciando a confiança do mercado em seu plano de reestruturação.

Já a Sabesp realizou a maior captação de “blue bonds” do mundo, títulos destinados a projetos hídricos. A operação, inédita no Brasil, combinou bonds e empréstimos no modelo AB Bond, atraindo uma demanda de US$ 3,5 bilhões (R$ 18,2 bilhões). A companhia destacou que o objetivo foi aproveitar a “janela de mercado” favorável antes de possíveis mudanças no cenário global.

O Bradesco foi o responsável por abrir a temporada de 2026, captando US$ 750 milhões com uma taxa de 5,375%, nível considerado “super convidativo” pelo presidente do banco, Marcelo Noronha. A taxa ficou abaixo do esperado originalmente, reforçando o apetite dos compradores.

No setor privado, a Usina Coruripe já iniciou conversas informais com bancos e investidores para uma possível emissão em fevereiro.

No setor público, o Tesouro Nacional avalia entrar no mercado ainda neste trimestre, encorajado pelo sucesso de países vizinhos como Chile, México e Equador.

A expectativa é que fevereiro mantenha o ritmo acelerado, desde que a janela de liquidez permaneça aberta e os indicadores de risco-país continuem estáveis.

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