Márcio Aguiar afirma que disponibilidade de energia é hoje um dos principais gargalos para ampliar a infraestrutura de inteligência artificial.
Executivo da Nvidia recomenda começar projetos de IA em pequena escala e escolher equipamentos conforme a necessidade de cada empresa.
Nvidia aposta em software, eficiência energética e infraestrutura para robôs, sem planos de fabricar seus próprios humanoides.
A disponibilidade de energia se tornou um dos principais obstáculos para ampliar data centers e a capacidade de processamento de inteligência artificial, afirmou Márcio Aguiar, diretor-executivo da divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina, em entrevista ao programa Entrelinhas de Mercado, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
“O grande gargalo da expansão de um data center, da expansão de um poder computacional é: tem energia suficiente para isso?”, disse Aguiar ao apresentador Júnior Gornelli. Segundo ele, as limitações do setor mudam conforme a tecnologia avança e já envolveram a oferta de GPUs e de memória.
Para enfrentar a demanda crescente, a companhia busca otimizar o software e aumentar a eficiência dos servidores, reduzindo consumo de energia e espaço físico. O executivo explicou que a Nvidia também desenvolve CPUs, DPUs e tecnologias de conexão entre equipamentos, além das placas gráficas pelas quais é mais conhecida.
“O foco tem sido sempre ao máximo otimizar o uso do software, no sentido da atualização do software para que ele consuma menos energia e traga mais poder de processamento ao cliente final”, afirmou.
Aguiar citou a evolução da infraestrutura: a Nvidia já oferece um rack com 72 GPUs e anunciou outro que, segundo ele, deverá reunir 544 GPUs no mesmo espaço físico em cerca de dois anos. A concentração de capacidade exige soluções de refrigeração e aproxima a empresa de fornecedores especializados.
“A gente começa a atrair também mais próximos de nós empresas que têm especialização na parte de refrigeração”, explicou o executivo, ao descrever o crescimento do ecossistema ligado aos data centers.
Empresas devem começar pequeno
Na adoção de inteligência artificial, a recomendação de Aguiar é não investir automaticamente na GPU mais avançada. Ele defende que as companhias avaliem seus softwares, suas necessidades de processamento e a infraestrutura já disponível antes de definir novos investimentos.
“Comecem pequeno, pensem grande, comecem pequeno”, aconselhou. Segundo ele, o primeiro passo é reunir uma equipe para conduzir a transformação e testar aplicações que possam demonstrar o retorno do investimento.
O executivo afirmou que cerca de 80% do trabalho da Nvidia com seu ecossistema envolve educação e orientação. A companhia procura mostrar que a inteligência artificial não se restringe às grandes empresas e que projetos podem começar com equipamentos de gerações anteriores.
“Faz o teu benchmark, porque quem define a arquitetura de hardware são os softwares”, destacou Aguiar. Ele acrescentou que GPUs adquiridas há cinco ou seis anos continuam sendo oferecidas por empresas que comercializam capacidade de processamento na nuvem.
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Sobre robôs humanoides e veículos autônomos, Aguiar afirmou que a Nvidia pretende fornecer a capacidade computacional dessas máquinas, em vez de se tornar uma fabricante de robôs próprios. Para ele, a expansão da inteligência artificial ainda está em estágio inicial.
“A gente vai ser sempre o cérebro de tudo isso”, disse o diretor, ao explicar o papel da empresa no desenvolvimento da chamada IA física.
Aguiar mencionou aplicações que vão além da robótica, como previsões meteorológicas, planejamento urbano, produção e distribuição de alimentos. Na avaliação dele, o processamento de grandes volumes de dados amplia as possibilidades de pesquisa e de tomada de decisões.
“O intuito não é você simplesmente sair comprando só o que há de melhor”, ressaltou. Para o executivo, o objetivo é combinar ferramentas diferentes que efetivamente agreguem valor às operações das empresas.
Estratégia de longo prazo
Aguiar relembrou que a Nvidia identificou novas possibilidades para suas GPUs em 2012, quando pesquisadores utilizaram plataformas originalmente voltadas a games em uma competição de classificação de imagens. A partir dali, a companhia intensificou o desenvolvimento de hardware e software para aplicações de inteligência artificial.
“O hardware por si só […] não adianta”, explicou o executivo, ao destacar que os programas precisam estar preparados para aproveitar o processamento das placas.
Após 16 anos na Nvidia, Aguiar afirmou que não imaginava a dimensão atual da transformação tecnológica. Segundo ele, a orientação da empresa é desenvolver soluções a partir das necessidades dos clientes e continuar abrindo mercados.
“O foco sempre foi abrir novos mercados e nunca focado em disputar mercado”, afirmou. O diretor acrescentou que, em sua avaliação, a companhia ainda alcança apenas uma parte das oportunidades existentes no setor.
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