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EXCLUSIVO: IA entra na era dos milhares de agentes autônomos, diz diretor da Nvidia para América Latina

Publicado 10/06/2026 • 22:37 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Diretor da divisão enterprise da Nvidia para a América Latina diz que empresas saíram da fase de exploração da IA agêntica.
  • Marcio Aguiar afirma que o maior desafio hoje é formar profissionais qualificados para usar as novas plataformas computacionais.
  • Nvidia vê processamento de IA se expandindo dos data centers para a borda, com uso local em computadores e empresas.

A Nvidia vê a inteligência artificial entrando em uma nova fase nas empresas, marcada pelo uso crescente de agentes autônomos e pela necessidade de profissionais qualificados para tirar valor das novas plataformas computacionais.

Em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC durante o Web Summit Rio, Marcio Aguiar, diretor da divisão enterprise da Nvidia para a América Latina, afirmou que a IA agêntica deixou de ser apenas tema de exploração e passou a ganhar aplicações práticas nas companhias.

“Saímos daquela era em que as empresas estavam ainda explorando, vendo como usar esses agentes em seus negócios”, disse.

Segundo Aguiar, a tendência é que empresas passem a usar não apenas um ou dois agentes de IA, mas milhares deles em diferentes áreas.

“Eu diria que a gente vai ver mais e mais empresas não só usando um ou dois agentes no seu dia a dia, mas milhares de agentes”, afirmou.

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IA agêntica ganha escala

Aguiar disse que a IA agêntica foi um dos temas centrais de suas apresentações no Web Summit Rio. O conceito envolve assistentes e agentes capazes de executar tarefas com maior autonomia, usando dados, modelos e validação humana.

O executivo citou o desenvolvimento de modelos sintéticos de pessoas e afirmou que empresas brasileiras já trabalham na criação de agentes nacionais de IA.

Segundo ele, uma nova arquitetura da Nvidia ligada a esse movimento teve mais de 80 milhões de downloads em cerca de três meses.

“Ficamos impressionados. Em um período de poucos meses, foram mais de 80 milhões de downloads dessa nova arquitetura nossa da Nvidia”, disse.

Tecnologia sai do data center

A Nvidia também vê a inteligência artificial se expandindo para além dos data centers. Segundo Aguiar, o processamento de IA começa a avançar para a chamada borda, com parte das cargas sendo executada localmente em computadores e ambientes corporativos.

“Não é só sair do data center. Estamos expandindo esse processamento para levar também um pouco para a borda”, afirmou.

Na avaliação do executivo, nem toda empresa precisa começar sua jornada de IA com grandes modelos de linguagem ou usando apenas infraestrutura em nuvem.

Essa combinação entre processamento local e remoto deve ganhar força diante da demanda por eficiência, disponibilidade energética e menor dependência de grandes centros de dados.

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Consumo de energia

Aguiar afirmou que o consumo de energia já é um dos principais gargalos para a expansão de data centers. Segundo ele, a Nvidia tem buscado aumentar o poder computacional de suas plataformas com menor consumo energético.

“Hoje, um dos gargalos na expansão de um data center é o fornecimento de energia para atender toda essa demanda computacional”, disse.

O executivo afirmou que a companhia trabalha em novas arquiteturas de hardware e na otimização de software para entregar mais capacidade de processamento com maior eficiência.

“Nosso foco sempre foi muito forte em otimizar os softwares e fazer novos desenhos de arquitetura de hardware para conseguir entregar todo esse volume computacional necessário”, afirmou.

Código aberto e segurança

Aguiar também destacou a importância do código aberto para o avanço da inteligência artificial. Segundo ele, a participação de diferentes empresas e desenvolvedores acelera a criação de novos conceitos tecnológicos.

A Nvidia, afirmou, trabalha para criar versões otimizadas desses modelos, com foco no desempenho das GPUs e em aplicações corporativas.

“O que a gente faz com os códigos abertos é criar uma versão otimizada para tirar proveito do processamento das nossas GPUs”, disse.

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Segundo o executivo, a adaptação para uso empresarial também passa por requisitos de segurança e confiabilidade.

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Empregos e qualificação

Perguntado sobre o impacto da IA no mercado de trabalho, Aguiar afirmou que a tecnologia ainda está em fase inicial e tem gerado novas funções, com demanda por habilidades diferentes.

“O que a gente tem visto, como está tudo no início, são novos empregos sendo gerados com novas habilidades”, afirmou.

Para ele, trabalhadores e empresas precisam adotar uma postura de aprendizado contínuo. O executivo disse que não basta uma empresa decidir usar IA sem mudar a cultura interna e preparar gestores e equipes.

“Não adianta querer adotar um novo conceito computacional na sua empresa se realmente não existe aquela cultura, aquela mudança de pensamento dos gestores”, afirmou.

Aguiar disse ainda que a Nvidia segue crescendo e contratando, diante do volume de trabalho necessário para levar a IA às organizações.

“Tem muito ainda o que fazer dentro das organizações”, disse.

Falta de profissionais é desafio

Para Aguiar, o maior desafio atual não está na disponibilidade de tecnologia, mas na formação de pessoas capazes de usá-la.

“Hoje a gente tem uma plataforma computacional completa, muitos recursos para as pessoas aprenderem. O que falta realmente são pessoas qualificadas para tirar proveito de tudo isso”, afirmou.

Segundo ele, a IA moderna representa uma nova era computacional, ainda cercada por dúvidas, mas já em curso.

“Esse movimento não é uma coisa tão abrupta, da noite para o dia. Ele já vem acontecendo pouco a pouco”, disse.

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