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Crescimento da presença estrangeira no setor energético brasileiro gera alerta sobre soberania

Publicado 28/05/2026 • 06:30 | Atualizado há 3 semanas

KEY POINTS

  • O setor energético brasileiro teve forte crescimento de reservas, mas com redução da participação da Petrobras, que caiu de 84% em 2015 para 59% em 2025.
  • Segundo o INEP, essa mudança está ligada à estratégia da estatal de focar no pré-sal, vender ativos e ampliar parcerias com empresas estrangeiras, o que diluiu seu controle direto.
  • O aumento da presença estrangeira é visto como um ponto de atenção para a soberania energética, com defesa de maior investimento da Petrobras para garantir reposição de reservas e autonomia nacional.

O crescimento acelerado de empresas estrangeiras no setor energético brasileiro acendeu um alerta sobre o futuro da soberania nacional.

Francismar Ferreira, coordenador de pesquisas do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEP), apontou que o país registrou uma expansão expressiva de 34% em suas reservas na última década, saltando de 15 bilhões de barris em 2015 para 21 bilhões em 2025.

“Só que nesse movimento a gente percebe uma redução significativa do controle da participação da Petrobras sobre essas reservas. Quando a gente olha em 2015, a participação da Petrobras nas reservas nacionais girava em torno de 84%. Já em 2025, a participação recuou para 59%”, detalhou ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Ferreira, a mudança na estratégia financeira da estatal foi o primeiro fator determinante para esse recuo.

Ele explicou que houve um período significativo em que a companhia concentrou seus investimentos no desenvolvimento dos campos do pré-sal e, como consequência, outros segmentos (incluindo a exploração e produção em novas fronteiras) acabaram sendo reduzidos de forma significativa. Isso resultou no fato de que a empresa deixou de realizar novas descobertas fora do pré-sal.

Outro ponto crucial destacado na entrevista foi a política de venda de ativos adotada pela petrolífera nos últimos anos.

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Ele afirmou que uma segunda motivação está relacionada ao movimento de privatização de alguns ativos, tanto campos de produção terrestres e marítimos quanto ativos exploratórios localizados no pré-sal. Assim, ao vender esses ativos, reservas já conhecidas deixaram de estar sob o controle da Petrobras e passaram para outras empresas.

A consolidação de parcerias estratégicas com grandes players globais também ajudou a pulverizar o controle das reservas nacionais.

“A Petrobras passou a atuar com parcerias com outras multinacionais, principalmente no pré-sal. Então, é comum que em alguns ativos a Petrobras esteja atuando, mas junto com ela esteja alguma outra grande petroleira, seja nos campos que já estão em produção ou também naquelas áreas que estão em atividade exploratória”, contextualizou o pesquisador do INEP.

Diante do cenário geopolítico global mais acirrado, o pesquisador defende que a forte presença estrangeira exige cautela e atenção por parte do governo.

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Ele alertou que o patamar atual impõe precauções: caso a expansão da atuação de outras empresas sobre as reservas aumente, o Brasil pode enfrentar problemas. Isso porque nem sempre as estratégias dessas empresas estão necessariamente alinhadas ao interesse público nacional, nem ao planejamento e às necessidades de desenvolvimento econômico do país.

“Demanda-se um fortalecimento da Petrobras no sentido de ampliar os seus investimentos tanto na produção como também na exploração de novas áreas, visando novas descobertas e assim a reposição dessas reservas. É uma medida que é essencial para a soberania do país”, concluiu.

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