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Carlo Pereira: Investimento em energia limpa avança apesar do recuo da agenda ESG

Publicado 15/07/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A discussão deixou de ser guiada pelo discurso e passou a ser conduzida pela lógica econômica.
  • Dados da IEA mostram que cerca de dois terços dos investimentos globais em energia são destinados a projetos de baixo carbono.
  • O especialista aponta que os aportes em iniciativas renováveis crescem mesmo em momentos de desaceleração econômica.

O enfraquecimento do discurso em torno da agenda ESG não interrompeu o avanço dos investimentos em energia limpa no mundo. De acordo com Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a discussão deixou de ser guiada pelo discurso e passou a ser conduzida pela lógica econômica.

Dados recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) mostram que os investimentos globais em energia devem alcançar US$ 3,3 trilhões neste ano, sendo cerca de dois terços destinados a projetos de baixo carbono. A expectativa é que, ainda este ano, as fontes renováveis se tornem a principal origem da eletricidade produzida no mundo.

Na avaliação de Carlo Pereira, o aparente enfraquecimento da agenda ESG está concentrado na retórica política, especialmente após movimentos registrados nos Estados Unidos. Já os fundamentos econômicos seguem impulsionando a expansão das energias renováveis.

“A agenda ESG como retórica, como narrativa, se enfraqueceu muito. Mas os dados que de fato importam mostram uma eletrificação da economia e uma eletrificação para uma eletricidade de fonte renovável. Esses números nunca arrefeceram”, afirma.

Para o especialista, a principal explicação está na queda do custo das tecnologias renováveis. Ele cita como exemplo o preço da energia solar, que caiu cerca de 90% em poucos anos graças e a energia eólica, que também se tornou progressivamente mais competitiva nas últimas décadas.

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O Notável lembra que essa mudança estrutural começou a ficar evidente após a crise financeira de 2008. Até então, os investimentos em energias renováveis acompanhavam o ritmo da economia mundial. Depois daquele período, porém, os aportes continuaram crescendo mesmo em momentos de desaceleração econômica.

“É custo. Não tem com o que brigar. Os mercados vão por preço, principalmente numa época de instabilidade econômica. É isso que é sustentabilidade. A gente fala muito em valores intangíveis, mas a gente tem que ter um pragmatismo”, diz.

As mudanças climáticas, na avaliação do especialista, também deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental para se tornar um fator de risco operacional. Ele destaca que os impactos do aumento da temperatura já fazem parte das análises de continuidade dos negócios e afetam diretamente setores como agricultura, infraestrutura e energia.

Segundo Carlo Pereira, os relatórios científicos mais recentes passaram a mensurar o efeito econômico de cada aumento da temperatura sobre diferentes atividades produtivas, deslocando o debate climático dos relatórios de sustentabilidade para a estratégia corporativa.

“Quando as empresas vão falar em carbono ou em clima, elas têm que deixar o crédito de carbono lá para trás. Primeiro têm que falar em risco. O quanto estão descobertas para os eventos climáticos que estão chegando e o quanto cada décimo de grau de aumento da temperatura pode afetar os negócios”, explica.

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