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Larissa Oliveira Rêgo

A importância dos reservatórios na gestão de recursos hídricos para a segurança energética

Publicado 05/11/2026 • 14:00 | Atualizado há 1 hora

Foto: Reprodução

Os reservatórios desempenham um papel estratégico na gestão dos recursos hídricos e na garantia da segurança energética, dada a capacidade de armazenamento de água. Essa função permanece essencial, mas já não traduz integralmente o valor estratégico dos reservatórios.

Em um sistema elétrico com participação crescente de fontes renováveis variáveis, os reservatórios oferecem um atributo cada vez mais relevante: flexibilidade. A água armazenada permite deslocar a geração no tempo e responder às oscilações entre oferta e demanda. Mais que energia potencial, representa capacidade de resposta, confiabilidade e resiliência. Essa flexibilidade depende da água.

A relevância desse papel torna-se ainda maior diante das mudanças climáticas, do crescimento populacional, da expansão urbana e da necessidade de conciliar diferentes usos da água. O abastecimento humano, a irrigação, a indústria, a navegação, a preservação dos ecossistemas e a produção de energia competem por um recurso limitado.

É importante destacar a crescente disputa pelos recursos hídricos e a necessidade de integrar segurança hídrica, segurança energética e sustentabilidade ambiental.

Esse cenário impõe uma pergunta regulatória: estamos reconhecendo adequadamente os atributos que os reservatórios entregam ao sistema e os riscos associados à disponibilidade da água?

Em sistemas elétricos com participação crescente de fontes solar e eólica, os reservatórios também assumem uma função complementar. Sabe-se que o setor elétrico tem pressa, a transformação tecnológica e a expansão das fontes renováveis avançam rapidamente. Mas pressa sem planejamento pode apenas transferir riscos para o futuro. O desafio das instituições é ganhar velocidade sem perder qualidade decisória.

Para tanto, há necessidade de incrementar a análise de dados. É preciso aprimorar estudos de afluências, incorporar cenários climáticos, testar diferentes condições de expansão e operação e utilizar novas ferramentas de modelagem e inteligência artificial. O objetivo não é prever com exatidão um futuro incerto, mas preparar o sistema e a regulação para diferentes futuros possíveis.

Também será necessário discutir se os sinais regulatórios e econômicos reconhecem adequadamente flexibilidade, armazenamento, segurança e confiabilidade.

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Tecnologias como as usinas hidrelétricas reversíveis reforçam a importância que o armazenamento tende a assumir, mas o ponto de partida deve ser utilizar estrategicamente os atributos da infraestrutura que o país já possui.

Todos esses fatores tornam a gestão dos reservatórios mais incerta. Fortalecer a contribuição dos reservatórios para a segurança energética exige fortalecimento da segurança hídrica. Entre as principais estratégias estão a recuperação de bacias hidrográficas, a redução do assoreamento, aprimoramento da previsão de afluências e a operação coordenada dos reservatórios, conciliando geração com abastecimento, irrigação, navegação, proteção dos ecossistemas e os demais usos da água.

Essa coordenação é condição para a resiliência do sistema. Nesse contexto, a ANA tem buscado aprimorar uma gestão cada vez mais orientada à antecipação de riscos e à conciliação dos usos da água. Melhores informações, planejamento, regras de operação adaptáveis e diálogo entre os atores de cada bacia serão fundamentais para responder a períodos de maior escassez e incerteza, preservando tanto a segurança hídrica quanto a energética. Também é importante combinar a capacidade de armazenamento hidrelétrico com outras soluções, como baterias, geração distribuída, gestão da demanda, interligações entre regiões e expansão equilibrada das fontes solar, eólica e de biomassa.

A transição energética amplia o valor estratégico dos reservatórios, mas aumenta a responsabilidade na gestão da água. Não há segurança energética sem segurança hídrica. E elas não são agendas concorrentes, são dimensões de um mesmo desafio.

Para os próximos anos, é imprescindível transformar essa compreensão em planejamento integrado, decisões adaptativas e uma gestão capaz de preservar a água como recurso essencial à energia, ao desenvolvimento e à sociedade e uma regulação capaz de acompanhar um sistema cada vez mais complexo e dinâmico.

Larissa Oliveira Rêgo
Diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, advogada, mestranda em Gestão Pública e Governança na Fundação Getúlio Vargas FGV

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