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Entidades criticam manutenção da taxa de juros; comércio vê cautela como necessária

Publicado 04/11/2026 • 22:42 | Atualizado há 7 minutos

KEY POINTS

  • CNI, Fiesp, Firjan e Fiemg criticaram a decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% ao ano.
  • Entidades afirmam que juros elevados encarecem o crédito, adiam investimentos e prejudicam a competitividade da indústria.
  • FecomercioSP destoou e avaliou que a pausa nos cortes era necessária diante da inflação, do câmbio e das incertezas fiscais.
CNI

Foto: Arquivo Nacional

A manutenção da Selic em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (4) provocou críticas de entidades da indústria, que apontaram impactos dos juros elevados sobre crédito, investimentos e atividade econômica. A FecomercioSP, por outro lado, considerou a pausa nos cortes uma decisão prudente diante da piora do cenário inflacionário e fiscal.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão como “equivocada e excessivamente conservadora”. Para a entidade, manter os juros nesse nível prolonga o crédito caro e impõe custos adicionais a empresas e famílias. O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu que o Banco Central retome os cortes já na reunião de dezembro.

“A Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica”, afirmou Alban. Segundo ele, apesar da piora recente das expectativas de inflação, ainda haveria espaço para reduzir os juros sem comprometer a convergência dos preços à meta.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também criticou a decisão. Em nota assinada pelo presidente Paulo Skaf, a entidade afirmou que o nível dos juros representa um aperto excessivo e que, “na prática, a autoridade monetária pune quem produz e consome”.

A Fiesp destacou ainda que o custo do crédito para empresas e empreendedores permanece próximo de 30% ao ano, dificultando novos investimentos, e defendeu uma readequação das políticas monetária e fiscal.

Firjan e Fiemg cobram avanço fiscal

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) considerou equivocada a interrupção do ciclo de cortes e afirmou que a manutenção da Selic posterga o alívio necessário para uma economia que já apresenta baixo dinamismo industrial.

Segundo a Firjan, os juros elevados seguem inibindo investimentos e reduzindo a competitividade das empresas, especialmente na indústria de transformação. A entidade também relacionou a possibilidade de novos cortes ao avanço da agenda fiscal e de reformas estruturais.

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A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) adotou avaliação semelhante. Para a entidade, o atual nível dos juros dificulta a retomada dos investimentos e compromete a competitividade da indústria.

“A falta de consistência na condução fiscal impõe custos elevados à economia. Com juros altos por mais tempo, o crédito fica mais caro, os investimentos são adiados e a indústria perde capacidade de crescer e competir”, afirmou o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. 

A Associação Paulista de Supermercados (Apas) também criticou a manutenção. O economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, afirmou que juros elevados restringem o consumo e os investimentos e afetam comércio, serviços e indústria.

FecomercioSP vê pausa como necessária

Na direção oposta, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) avaliou que a manutenção da Selic era a decisão mais prudente diante das incertezas fiscais, da pressão sobre o câmbio e da deterioração das expectativas de inflação.

A entidade afirmou que, embora juros menores sejam desejáveis para estimular investimentos e reduzir o custo do crédito, o cenário atual não oferecia condições seguras para um novo corte.

Para a FecomercioSP, reduzir a Selic neste momento poderia aumentar a pressão sobre o dólar e os juros de longo prazo. A federação defendeu ainda medidas de contenção das despesas públicas e estabilização da dívida como condição para uma trajetória sustentável de queda dos juros. 

O Copom manteve a Selic em 13,75% por unanimidade e interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. No comunicado, o Banco Central destacou a piora das expectativas de inflação, o ambiente externo mais adverso e a necessidade de manter cautela na condução da política monetária.

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