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Por que a China consegue suportar a alta do petróleo com mais facilidade do que outros países
Publicado 09/03/2026 • 13:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 09/03/2026 • 13:30 | Atualizado há 1 hora
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Montagem Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC - Fotos: Canva Images
China - petróleo
PEQUIM — A disparada dos preços do petróleo após a guerra envolvendo o Irã deve afetar a China menos do que em anos anteriores. O país acumulou grandes estoques de petróleo bruto e diversificou suas fontes de energia, incluindo energias renováveis.
Com os preços do petróleo ultrapassando US$ 100 por barril pela primeira vez em quatro anos, analistas do OCBC afirmaram que a China pode ser “menos sensível a um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz do que muitos de seus pares asiáticos”.
“A China acumulou uma das maiores reservas estratégicas e comerciais de petróleo bruto do mundo”, disseram os analistas, acrescentando que a “rápida transição para veículos elétricos e energia renovável oferece uma proteção estrutural adicional”.
O país tinha cerca de 1,2 bilhão de barris de petróleo bruto armazenados em terra em janeiro.
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Isso equivale a cerca de três a quatro meses de reservas, o que tende a atrasar o impacto econômico, afirmou Rush Doshi, diretor da China Strategy Initiative no Council on Foreign Relations, em entrevista ao programa “Squawk Box Asia”, da CNBC, na segunda-feira.
“A China passou os últimos 20 anos reduzindo parte de sua dependência dos fluxos marítimos de petróleo”, disse Doshi, observando que novos oleodutos terrestres e alguma diversificação para energias renováveis significam que o país hoje depende do Estreito de Ormuz para cerca de 40% a 50% de suas importações marítimas de petróleo.
Até 2030, a China pretende elevar a participação de fontes não fósseis no consumo total de energia para 25%, ante 21,7% em 2025.
O estreito conecta o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e às rotas globais de navegação. Trata-se de uma passagem estreita, com o Irã ao norte e Omã e os Emirados Árabes Unidos ao sul. Cerca de 31% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo passou pelo Estreito de Ormuz no ano passado — aproximadamente 13 milhões de barris por dia — segundo a Kpler.
No entanto, as remessas de petróleo que passam pelo estreito representam apenas 6,6% do consumo total de energia da China, de acordo com Ting Lu, economista-chefe para a China no Nomura.
As importações de gás natural pela mesma rota representam outros 0,6%, disse ele.
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A mudança reflete duas décadas de transição estratégica, o que coloca a China em uma posição particular nos mercados globais de energia. Os Estados Unidos são o maior consumidor de petróleo do mundo, seguidos por China e Índia, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), fundada em 1960 para coordenar a oferta global da commodity.
A China, porém, é a maior importadora de petróleo bruto, comprando quase o dobro do volume dos Estados Unidos, enquanto a Índia ocupa a terceira posição, mostram dados da Opep.
Entre os três países, a Índia é a mais dependente das importações de petróleo, que respondem por cerca de um quarto de seu consumo total, segundo análise da CNBC com base em dados da U.S. Energy Information Administration (EIA) de 2023.
Na China, essa proporção é de 14%, enquanto os Estados Unidos produzem a maior parte do petróleo que consomem, de acordo com os dados de 2023, que incluem “outros líquidos” na categoria de petróleo.
Enquanto os Estados Unidos ampliaram a produção doméstica de petróleo na última década, a China diversificou rapidamente suas fontes de energia.
As energias renováveis — excluindo energia nuclear e hidrelétrica — representaram 1,2% do consumo total de energia da China em 2023, ante 0,2% duas décadas antes, segundo cálculos da CNBC com base em dados da Agência Internacional de Energia (IEA).
Índia e Estados Unidos registraram uma participação bem menor de renováveis em 2023, de 0,2% cada.
Por enquanto, esse número ainda é pequeno. Mas a crescente participação das renováveis na matriz energética chinesa tem implicações globais.
O avanço dos veículos elétricos na China, especialmente no segmento de caminhões, já reduziu mais de 1 milhão de barris por dia da demanda implícita por petróleo, segundo o Rhodium Group, em relatório de julho de 2025.
A consultoria estima que esse número aumente em cerca de 600 mil barris por dia ao longo dos 12 meses seguintes.
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Mais da metade dos novos carros de passeio vendidos na China hoje são veículos de nova energia — ou seja, modelos que dependem mais de baterias do que de gasolina.
“Com a demanda por combustíveis rodoviários já mostrando sinais de pico e a capacidade de geração renovável se expandindo rapidamente, a sensibilidade da China às flutuações nos preços do petróleo vem diminuindo ano a ano”, afirmaram os analistas do OCBC.
“Ao longo do tempo, a eletrificação do transporte e a expansão da geração de energia renovável devem proteger ainda mais a economia contra choques ligados ao petróleo.”
Petróleo e gás natural respondem por apenas 4% da matriz de geração elétrica da China — muito abaixo da participação de 40% a 50% observada em muitas economias asiáticas, disseram os analistas.
A eletricidade — gerada em grande parte a partir do carvão e de uma parcela crescente de energias renováveis — representa hoje uma fatia cada vez maior do consumo total de energia do país, segundo o think tank de energia Ember.
As energias renováveis responderam por cerca de 80% da nova demanda por eletricidade da China em 2024, segundo a Ember.
Mesmo assim, o carvão continua sendo uma fonte relevante — ainda que estagnada — na matriz energética do país. A China foi o maior produtor e consumidor de carvão do mundo em 2023, apesar dos esforços para reduzir as emissões de carbono.
As sanções dos Estados Unidos contra o Irã também fizeram da China um dos poucos compradores do petróleo iraniano.
O Irã respondeu por cerca de 20% das importações de petróleo da China, embora grande parte desse volume possa ser substituída principalmente por um aumento das compras de petróleo da Rússia, afirmou Ano Kuhanathan, chefe de pesquisa corporativa da Allianz Trade.
O risco maior está nos cerca de 5 milhões de barris por dia que a China importa de outros países do Oriente Médio através do Estreito de Ormuz, disse Kuhanathan.
À medida que a guerra envolvendo o Irã entra em sua segunda semana, ainda não está claro quando o conflito terminará.
“Um choque como esse provavelmente reforçaria a direção que a China já vem seguindo, em vez de mudá-la”, disse Muyi Yang, analista sênior de energia para a Ásia no Ember.
“Isso evidencia os riscos de depender fortemente de petróleo e gás importados. Por isso, a transição não se resume a construir mais usinas eólicas e solares, mas também a descarbonizar a economia como um todo”, afirmou.
Ainda assim, mudanças não acontecem facilmente. A indústria de combustíveis fósseis do país é dominada por estatais chinesas, que tendem a ser menos dinâmicas do que empresas do setor privado.
A China também pode continuar ampliando suas reservas de petróleo bruto.
A U.S. Energy Information Administration afirmou em fevereiro que espera que o país expanda seus estoques estratégicos em cerca de 1 milhão de barris por dia em 2026.
As importações de petróleo bruto da China caíram quase 2% em 2024, segundo a Wind Information. No entanto, com as tensões no Oriente Médio começando a aumentar no ano passado, as compras chinesas da commodity subiram 4,6%, alcançando um recorde de cerca de 580 milhões de toneladas métricas.
“A China está significativamente exposta, mas tem mais flexibilidade”, afirmou anteriormente à CNBC Go Katayama, analista principal de insights da Kpler.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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