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Energia

Transição energética ganha força com avanço de crises geopolíticas

Publicado 02/06/2026 • 07:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Crises geopolíticas estão acelerando a transição energética, segundo Paulo Artaxo, pois os países buscam reduzir a dependência de petróleo e aumentar a segurança energética produzindo energia internamente.
  • Apesar do avanço das fontes limpas, Artaxo avalia que zerar as emissões líquidas globais até 2050 ainda será difícil, devido ao apoio político contínuo à indústria de combustíveis fósseis.
  • O aumento do preço do petróleo fortalece a competitividade das energias renováveis e biocombustíveis, criando oportunidades para países como o Brasil expandirem sua produção e exportação, especialmente em possíveis acordos como Mercosul–União Europeia.

A necessidade de os países ganharem segurança energética em seus próprios territórios por conta das crises geopolíticas acelerou a transição para fontes limpas. Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos da Amazônia Sustentável da USP, destacou que a instabilidade no fornecimento de insumos fósseis gerou uma lição global sobre a importância da autonomia mineral:

“Todos os países aprenderam que é estratégico para a sua segurança realizar a transição energética o mais rápido possível e diminuir a sua dependência de petróleo o mais rápido possível. A melhor maneira de você ganhar segurança energética é gerar energia no seu próprio território”, disse em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Artaxo ponderou que, provavelmente, até 2050 não será factível zerar as emissões líquidas globais devido ao apoio político que a maior parte da indústria de petróleo recebe de vários governos importantes no planeta. No entanto, ele destacou que a geração de energia limpa está aumentando significativamente.

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O coordenador ressaltou que o encarecimento do barril de petróleo reposiciona as vantagens financeiras das matrizes renováveis, abrindo uma janela de oportunidade essencial para o mercado brasileiro.

Ele afirmou que, devido à atual guerra no Irã, a alta dos preços foi muito acentuada e que também se observa que, do ponto de vista econômico, hoje faz muito mais sentido deixar os combustíveis fósseis de lado e investir pesado em independência energética. “Isso é particularmente importante para o Brasil”, afirmou.

“A exportação de biocombustíveis para a Europa sofre muito da questão de políticas protecionistas de comércio. Agora, o que esperamos é que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, a evolução desse acordo, pode levar a uma produção ainda maior de biocombustíveis no Brasil”, concluiu.

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