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Crise da Raízen: veja a linha do tempo completa e entenda o que aconteceu
Publicado 23/03/2026 • 11:53 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 23/03/2026 • 11:53 | Atualizado há 2 horas
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Foto: Reprodução
Crise da Raízen: veja a linha do tempo completa e entenda o que aconteceu
O processo de recuperação extrajudicial adotado pela Raízen continua gerando desafios para a companhia. Além das questões internas, a medida também acende um alerta entre investidores, especialmente sobre os possíveis impactos na estrutura financeira da empresa.
O plano escolhido pela empresa permite manter o funcionamento da fábrica sem a necessidade de interrupções temporárias ou mudanças no cronograma inicial. Além disso, a recuperação extrajudicial também facilita o processo de reestruturação das dívidas, já que podem ser tratadas diretamente com os credores da companhia.
Leia também: GPA e Raízen em crise levantam alerta: renda fixa é tão segura quanto parece?
A Raízen é uma das maiores empresas do Brasil no setor de energia, com atuação relevante na produção de açúcar, etanol e na distribuição de combustíveis.
A companhia é resultado de uma joint venture entre a Cosan e a Shell, o que garante forte presença tanto no mercado interno quanto no internacional.
Com operações integradas que vão do campo à distribuição, a empresa se consolidou como uma das líderes do setor sucroenergético, com grande influência na cadeia de produção e abastecimento, antes de iniciar o processo de reestruturação financeira.
No início do mês de março, a Raízen anunciou, por meio de um fato relevante, que adotaria o plano de recuperação extrajudicial. A companhia entrou em um cenário de pressão financeira após enfrentar uma combinação de fatores adversos, incluindo aumento do endividamento e desafios operacionais.
O total do endividamento da empresa chegou aos R$ 65 bilhões e levou a companhia a buscar alternativas para reorganizar sua estrutura financeira e manter as atividades.
“A Recuperação Extrajudicial foi estruturada com objetivo de assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras quirografárias do Grupo Raízen no montante aproximado de R$ 65,1 bilhões, bem como outros créditos intercompany (“Créditos Sujeitos”)“, afirmou a empresa.
O pedido de recuperação extrajudicial foi motivado principalmente pelo elevado nível de endividamento da empresa e pela necessidade de alongar prazos de pagamento. Como já citado, a RE permite que a empresa ganhe mais tempo para organizar a estratégia junto aos credores.
No caso da Raízen, a iniciativa foi vista como uma tentativa de reequilibrar o caixa e preservar suas atividades no longo prazo. No caso da Raízen, alguns dos seus credores, que já aderiram ao plano da empresa de recuperação extrajudicial, são bancos:
Como já mencionado, a companhia brasileira é uma joint venture entre a Cosan e a Shell. Na prática, embora opere de forma independente, a Raízen é controlada pelas duas empresas, que dividem o comando da companhia de energia.
Noticiado pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o plano de RE da Raízen também conta com uma contribuição de capital no valor de R$ 4 bilhões.
Desse montante, R$ 3,5 bilhões foram aportados pelo Grupo Shell, enquanto outros R$ 500 milhões vieram de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos S.A., ligada à família do empresário Rubens Ometto Silveira de Mello, principal acionista da Cosan S.A.
As lojas de conveniência Oxxo deixaram de ser da Raízen em setembro de 2025. Na época, conforme explicado no blog da produtora de etanol, encerrou-se a joint venture com a FEMSA, varejista mexicana.
Em 2019, duas empresas se uniram para criar o Grupo Nós e comandar os mercados Oxxo. No entanto, as empresas entenderam que a separação dos negócios favoreceria a competitividade. Sendo assim, hoje os mercados Oxxo pertencem 100% à FEMSA.
Já a Shell Select e a Shell Café, que também eram parte do Grupo Nós, ficaram para a Raízen. Na prática, são 1.300 unidades sob responsabilidade da produtora de etanol.
“A parceria com a FEMSA trouxe para a Raízen maior conhecimento sobre a operação própria e desenvolvimento de novos processos e tecnologias. A decisão de encerrar a joint venture reflete a maturidade da operação e está alinhada à nossa estratégia de simplificar o portfólio”, disse Rodrigo Patuzzo, Diretor de Serviços Financeiros da Raízen e Membro do Conselho Administrativo do Grupo Nós.
Ou seja, diante da recuperação extrajudicial, a Shell Select não deve ser afetada. As lojas de conveniência da Shell são “parte fundamental da oferta de valor para a sua rede de revendas” para a Raízen, afirmou a empresa.
Em resposta ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a Raízen informou que o processo de recuperação extrajudicial não terá impacto nas operações da rede Shell Select. Segundo a companhia, a marca continua operando normalmente e segue como parte da proposta de valor oferecida aos revendedores da rede.
A Cosan, uma das companhias detentoras da Raízen, afirmou que o pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela empresa brasileira não tem impacto direto sobre sua estrutura financeira ou operações.
Em fato relevante, a companhia informou que o processo foi estruturado de forma consensual com credores financeiros e busca criar um ambiente jurídico para a negociação da reestruturação das obrigações da empresa.
No comunicado, a Cosan também reforçou que o processo envolve apenas obrigações específicas da Raízen e não afeta o grupo controlador. “A recuperação extrajudicial possui escopo restrito às obrigações financeiras específicas dessas empresas, não envolvendo, afetando ou gerando qualquer repercussão sobre as obrigações, operações, estrutura de capital ou posição financeira da Cosan e de suas controladas”, afirmou.
A crise da Raízen traz impactos diretos para investidores, especialmente aqueles expostos à dívida da companhia. A renegociação pode envolver prazos mais longos e eventuais ajustes nas condições de pagamento, o que afeta o retorno esperado.
Além disso, o cenário aumenta a percepção de risco em relação à empresa, o que pode influenciar o valor de mercado e a confiança dos investidores. Após o pedido de RE, a empresa saiu do Ibovespa, principal indicador de desempenho das ações negociadas na B3 (Bolsa de Valores brasileira).
Vale lembrar que o plano de recuperação extrajudicial da Raízen não inclui todos os credores no processo. De acordo com o pronunciamento da empresa, dívidas com fornecedores e outros compromissos ligados à operação diária do negócio seguem fora do plano de reestruturação financeira.
Leia também: Raízen: BNDES entra em cena e tenta articular solução com credores
Após o pedido de recuperação extrajudicial ser aceito pela Justiça de São Paulo, a empresa brasileira pode iniciar o processo de reestruturação financeira.
A decisão judicial a favor da companhia determina a suspensão, por um prazo de 180 dias, de ações e execuções contra a companhia relacionadas aos créditos incluídos no processo de recuperação extrajudicial.
Além disso, durante esse período de suspensão, as cobranças de valores principais, juros e demais encargos vinculados à Raízen, assim como suas obrigações financeiras, ficam interrompidas.
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