Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
GPA e Raízen em crise levantam alerta: renda fixa é tão segura quanto parece?
Publicado 20/03/2026 • 10:30 | Atualizado há 6 meses
O que a Paramount prometeu a Hollywood para obter os direitos de exibição da WBD
Coca-Cola contrata Rob Gehring, da Monster, para dirigir operações na América do Norte
Trump e Xi encerram visita de Estado marcada mais por espetáculo do que por acordos
Rússia pode atacar um país da Otan em questão de meses, alerta inteligência dinamarquesa
Meta sai na frente da OpenAI em dispositivos de IA, mas aposta de Zuckerberg ainda é incerta
Publicado 20/03/2026 • 10:30 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik.
GPA e Raízen testam credibilidade da renda fixa; veja o que dizem especialistas
No Brasil, investidores procuram principalmente por títulos de renda fixa, uma categoria que inclui debêntures, CRIs e CRAs. Essas mesmas modalidades eram também boa parte dos títulos emitidos pela Raízen e pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA) para seus investidores.
Agora, com ambas de fora do Ibovespa e outros índices da Bolsa de Valores brasileira (B3), R$ 16 bilhões em títulos de renda fixa são afetados pela crise nos dois conglomerados.
Em geral, os títulos incluíam justamente debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Contudo, com as empresas em recuperação extrajudicial, esses investimentos perderam boa parte do valor e muitos investidores podem sair no prejuízo.
Sendo assim, surge o questionamento: a renda fixa é confiável?
Para responder a essa questão, o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC conversou com Regis Chinchila, analista de investimentos da Terra Investimentos; e Ricardo Schweitzer, economista, investidor profissional, analista CNPI e consultor autorizado pela CVM.
Leia também: Recuperação extrajudicial serve para dar “fôlego” ao GPA, diz especialista; rede fechou 39 lojas desde 2023
Títulos de renda fixa costumam atrair mais pessoas do que outras modalidades de investimento, justamente porque prometem maior previsibilidade e segurança.
No entanto, os brasileiros têm investido muito em debêntures, CRAs e até CRIs. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima):
No entanto, os três títulos acima se enquadram como crédito privado – e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não oferece cobertura nesses casos. Em quadros críticos, o investidor pode virar um credor comum, com menor prioridade na fila de pagamento.
Leia também: Raízen tem prejuízo bilionário no 3º tri, mas avança em eficiência e redução de dívida
Até mesmo os títulos de renda fixa têm versões mais arriscadas, para quem quer tentar retornos maiores. Entre eles, estão as debêntures, CRAs e CRIs, que são investimentos nos quais se “empresta” dinheiro para empresas e ele retorna depois com juros.
Contudo, esses títulos não estão imunes à possível deterioração financeira das empresas. Em todos os casos, o retorno depende da capacidade de pagamento da empresa que emitiu o título ou dos fluxos que dão origem aos títulos.
Dentro disso, o mercado no qual as empresas estão inseridas pode impactar esse retorno. Ou seja, apesar de serem renda fixa, esses títulos não são livres de risco e podem até impactar o restante do mercado de crédito.
“Renda fixa descreve a forma de remuneração, não o risco. A taxa é contratada; se a empresa não pagar, a taxa não serve de nada”, aponta Ricardo Schweitzer, analista CNPI, consultor CVM e investidor profissional.
De acordo com Schweitzer, o rótulo de “conservador”, comum em plataformas de investimento, está mais relacionado à previsibilidade do retorno do que à garantia de recebimento. Na verdade, “a ideia de renda fixa como investimento ‘seguro’ vem da previsibilidade, mas isso só vale se o emissor pagar”, reforçou Regis Chinchila, analista de investimentos da Terra Investimentos.
Os efeitos de eventos como os de GPA e Raízen não se restringem aos títulos diretamente envolvidos. Segundo Ricardo Schweitzer, há transmissão direta e indireta de impactos para o mercado.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCA título de exemplo, Ricardo Schweitzer relembra o caso da Americanas, em 2023. Naquela época, o mercado de crédito privado praticamente parou por algumas semanas após a revelação da fraude contábil bilionária.
Além disso, entre outros riscos, Regis Chinchila, analista de investimentos da Terra Investimentos, acrescenta ainda o risco de contaminação via fundos de investimento e mercado secundário. Isso porque, quando títulos problemáticos perdem valor, as cotas dos fundos podem cair, levando a resgates em massa. Logo, para honrar esses pedidos, gestores podem ser forçados a vender ativos saudáveis, medida que pressiona ainda mais os preços.
Ademais, setores relacionados – como varejo alimentar e agronegócio – passam a ser alvo de escrutínio, o que eleva o custo de capital mesmo para empresas sem problemas aparentes. Contudo, o efeito tende a ser seletivo, concentrado em companhias mais alavancadas ou segmentos mais pressionados.
Leia também: GPA e Raízen deixam Ibovespa em meio às recuperações extrajudiciais
Identificar quando empresas estão expostas a riscos nem sempre é fácil, especialmente para investidores pessoa física. Na prática, investidores podem descobrir se há risco nos títulos de renda fixa – como debêntures, CRAs e CRIs – com análise de crédito adequada e do quanto se tem na carteira.
Em casos de crise, “se comprou o título direto pela corretora, provavelmente seu assessor já te ligou. Se tem fundo de renda fixa com crédito privado, a descoberta costuma acontecer quando o gestor “confessa” que carregava o papel, muitas vezes depois que o estrago já está feito”, detalhou Ricardo.
Entretanto, CRIs e CRAs costumam aparecer em fundos, como os FIIs e Fiagros. Nesses casos, o cotista desses fundos pode estar exposto sem saber. “Em geral, a informação existe e é pública, mas está espalhada em documentos que ninguém lê. Quando o problema aparece, a surpresa é quase sempre do investidor, raramente do mercado”, alerta Schweitzer.
Por isso, Regis Chinchila sugere considerar indicadores financeiros-chave nas análises, como alavancagem – isto é, relação entre dívida e geração de caixa – e capacidade de pagamento de juros. “Empresas com alavancagem acima de 3x ou 4x em um cenário de Selic a 15% devem acender o alerta”, reforça o analista da Terra Investimentos.
Ademais, no caso de fundos, Chinchila recomenda acompanhar documentos como:
Em meio à crise do GPA e da Raízen, um outro elemento se sobressai: a sensibilidade do crédito privado quando os juros estão altos. Atualmente, com a taxa Selic elevada, o custo da dívida aumenta e pressiona ainda mais as empresas que se financiaram em um cenário mais favorável.
Diante desse cenário, Ricardo explica que “a segurança de um título não é estática, ela depende da macroeconomia”. Atualmente, de acordo com o analista, o cenário mostra que cerca de 24% das empresas abertas não geram caixa suficiente para cobrir os juros, o que indica um risco sistêmico de alavancagem.
Leia também: Raízen (RAIZ4) virou penny stock? Entenda o que é esse tipo de ação
Junto a isso, o fato de os CRAs da Raízen estarem majoritariamente nas mãos de pessoas físicas expõe a fragilidade da distribuição. “O varejo muitas vezes compra o “nome” da empresa sem entender que, em caso de crise, esses títulos são créditos sem garantias reais, ficando atrás de outros credores na fila de recebimento”, disse Regis.
Por fim, embora só o GPA e a Raízen tenham entrado em recuperação extrajudicial e saído do Ibovespa, “muitas empresas se endividaram assumindo custo baixo de capital, e com a Selic elevada, a conta não fecha mais”, alertou o analista da Terra Investimentos.
Ou seja, até mesmo setores considerados resilientes não estão imunes a choques operacionais e macroeconômicos – e, consequentemente, nem os títulos de renda fixa eles emitem. Seja agro, varejo ou energia, “o principal recado é que crédito privado exige análise contínua e diversificação, pois o risco pode mudar rapidamente com o cenário econômico”, concluiu Regis Chinchila, diante da saída do GPA e da Raízen da Ibovespa e suas recuperações extrajudiciais.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
Snoopy no Starbucks: quanto vai custar a coleção de Halloween no Brasil?
2
Após morte, cantor Rick deixa suposta herança milionária; veja valor
3
Preços do petróleo caem após notícia de que Arábia Saudita pretende reativar oleoduto estratégico nesta semana
4
Banco Master acumulou bilhões em pré-precatórios ligados a processos nas altas cortes da justiça
5
Daniel Vorcaro reservou mansão de luxo para ministro Nunes Marques no Carnaval de 2025
Dow Jones avança mais de 470 pontos e Wall Street encerra semana em alta apesar da alta dos Treasuries
Ibovespa cai 0,27% com Petrobras e fecha semana em baixa; dólar recua a R$ 5,18 com alívio do petróleo