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Créditos, dívidas e poder: entenda a movimentação que envolve a Raízen

Publicado 21/06/2026 • 06:30 | Atualizado há 5 meses

KEY POINTS

  • A Raízen avança em um processo de reestruturação que envolve uma dívida de R$ 64,7 bilhões.
  • Em meio a esse cenário, uma movimentação da gestora IG4 passou a chamar atenção do mercado.
  • A empresa que assumiu recentemente o controle da Braskem apresentou uma proposta para comprar créditos da Raízen.
Raízen

Foto: Raízen

Créditos, dívidas e poder: entenda a movimentação que envolve a Raízen

A Raízen avança em um processo de reestruturação que envolve uma dívida de R$ 64,7 bilhões e já é considerado o maior pedido de recuperação extrajudicial da história do país. Em meio a esse cenário, uma movimentação da gestora IG4 passou a chamar atenção do mercado.

A empresa que assumiu recentemente o controle da Braskem apresentou uma proposta para comprar créditos da Raízen. Caso a operação avance, a gestora poderá concentrar parte relevante da dívida e ganhar influência sobre os rumos da companhia após a reestruturação financeira.

Leia também: Shell declara apoio à Raízen após aval de credores à recuperação bilionária

Compra de crédito

A gestora IG4 apresentou uma proposta não vinculante para adquirir os créditos da Raízen. A ideia consiste em concentrar parte relevante das dívidas nas mãos de um único credor.

Segundo fontes do mercado, a oferta prevê a compra de 50% mais um dos créditos da companhia. Caso alcance esse percentual, a gestora poderá assumir posição de controle após a conclusão da reestruturação financeira.

Por outro lado, a operação só seguirá adiante se atingir essa participação mínima. Até o momento, a IG4 não comentou oficialmente a proposta.

Mudanças na estrutura da Raízen

Após a reestruturação, a divisão de etanol e açúcar poderá ficar sob responsabilidade da IG4. Enquanto isso, a Shell, uma das empresas que compõem a Joint Venture, manteria foco nos negócios ligados à distribuição de combustíveis.

A movimentação chama atenção porque envolve uma das maiores empresas do setor de energia do país e pode redefinir a estrutura acionária da companhia nos próximos anos.

Além disso, a proposta surge em um momento no qual a Raízen busca reorganizar ativos e reduzir a pressão financeira sobre suas operações. A empresa segue em recuperação extrajudicial.

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Raízen tem a maior recuperação extrajudicial do país

O plano de recuperação extrajudicial da Raízen envolve uma dívida de R$ 64,7 bilhões. No início do mês, 74,5% dos credores aprovaram a proposta apresentada pela companhia.

O projeto inclui um aporte direto de R$ 3,5 bilhões liderado pela Shell. Além disso, a Aguassanta Participações S.A., da família de Rubens Ometto, poderá acrescentar mais R$ 500 milhões caso participe da operação.

O plano também prevê a conversão de 45% da dívida em ações da empresa, enquanto os 55% restantes passarão por reperfilamento com novos prazos e condições alinhadas ao fluxo de caixa esperado.

Leia também: Brava Energia é alvo de pedido de arbitragem da Westlawn sobre o Campo de Atlanta

Ligação com a Brasken

Como parte da reorganização, a Raízen vendeu suas operações de downstream na Argentina para empresas controladas pela Mercuria Energy Group por US$ 1,42 bilhão (aproximadamente R$ 7,2 bilhões na cotação atual).

A transação inclui ativos e participações ligados a refino, distribuição, comercialização de combustíveis, lubrificantes e outras operações no país. A possível entrada da IG4 na Raízen também ganha relevância porque a gestora assumiu o controle da Braskem após substituir a Novonor no fim de 2025.

A operação foi concluída em abril e colocou a empresa no comando de uma petroquímica que possui dívida estimada em US$ 9,8 bilhões (R$ 49,7 bilhões) e também avalia uma recuperação extrajudicial.

Enquanto a Raízen avança na reestruturação, a proposta da IG4 demonstra que a disputa envolve não apenas créditos e dívidas, mas também o controle de ativos estratégicos e o futuro de uma das maiores empresas do setor de energia do Brasil.

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