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Shell declara apoio à Raízen após aval de credores à recuperação bilionária

Publicado 06/06/2026 • 15:00 | Atualizado há 1 mês

KEY POINTS

  • Shell reforça apoio à Raízen e afirma que o plano de recuperação deve trazer mais estabilidade financeira, preservando a presença da marca nos segmentos de combustíveis, lubrificantes e aviação no Brasil.
  • Maior recuperação extrajudicial da história do país envolve a reestruturação de R$ 64,7 bilhões em dívidas, com aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e conversão de parte do passivo em ações.
  • Empresa estratégica para a economia brasileira, a Raízen atua em combustíveis, etanol, açúcar e bioenergia, movimentando uma ampla cadeia ligada ao agronegócio, energia e logística.

Foto: Divulgação

Quem manda na Raízen? Entenda a disputa pelo controle nas negociações

A decisão da Shell de apoiar o plano de recuperação extrajudicial da Raízen marca um passo importante na tentativa de reestruturação da companhia, responsável por uma das maiores operações de energia, combustíveis e bioenergia do país. Em comunicado divulgado após a aprovação do plano pelos credores, a petroleira afirmou que a reestruturação deve proporcionar “maior estabilidade financeira e uma trajetória mais clara para o futuro” da empresa.

O posicionamento da multinacional não apenas reforça a confiança na continuidade da operação, mas também sinaliza ao mercado a relevância estratégica da Raízen para a economia brasileira.

O que está em jogo na recuperação da Raízen

A recuperação extrajudicial aprovada pelos credores envolve a reestruturação de aproximadamente R$ 64,7 bilhões em dívidas, no maior processo desse tipo já registrado no Brasil.

O plano recebeu apoio de 75,45% dos credores e prevê uma série de medidas para reduzir o endividamento da companhia, reforçar o caixa e reorganizar sua estrutura operacional.

Entre os principais pontos estão:

  • aporte de R$ 3,5 bilhões liderado pela Shell;
  • possibilidade de aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, ligada à Cosan;
  • conversão de 45% da dívida em ações;
  • alongamento dos compromissos financeiros remanescentes;
  • divisão da companhia em duas empresas independentes até 2027.

Segundo a Shell, a proposta preserva a presença da marca nos mercados brasileiros de postos de combustíveis, lubrificantes e aviação, além de manter sua participação no conselho de administração da Raízen.

“Continuaremos trabalhando com a equipe de gestão da companhia, seus credores e demais partes interessadas para apoiar a implementação do plano e a sustentabilidade de longo prazo da Raízen”, afirmou a empresa.

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Uma gigante que movimenta a economia brasileira

A dimensão da Raízen ajuda a explicar por que sua recuperação é acompanhada de perto por investidores, bancos, fornecedores, produtores rurais e pelo mercado de capitais.

Criada a partir da associação entre a Shell e a Cosan, a companhia se transformou em uma das maiores empresas integradas de energia do mundo.

Hoje, a Raízen atua em áreas estratégicas como:

  • distribuição de combustíveis;
  • produção de etanol;
  • fabricação de açúcar;
  • geração de bioenergia;
  • comercialização de energia elétrica;
  • lubrificantes;
  • combustível para aviação.

A empresa opera uma das maiores redes de postos licenciados Shell do Brasil, com milhares de pontos de abastecimento espalhados pelo país.

Além disso, é uma das maiores produtoras globais de etanol de cana-de-açúcar e uma das principais exportadoras brasileiras do setor sucroenergético.

A companhia também possui dezenas de unidades industriais e emprega dezenas de milhares de trabalhadores direta e indiretamente, mantendo forte presença em estados como São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná.

Impacto para o agronegócio e para a transição energética

A importância da Raízen vai além do setor de combustíveis.

A companhia é uma das principais compradoras de cana-de-açúcar do país, movimentando uma extensa cadeia produtiva que envolve produtores rurais, cooperativas, transportadoras e prestadores de serviço.

O grupo também é considerado um dos protagonistas da agenda de transição energética no Brasil por sua atuação em biocombustíveis e geração de energia renovável.

O etanol produzido pela empresa é um dos pilares da matriz energética brasileira e uma das principais alternativas de descarbonização do transporte leve.

Por isso, uma eventual deterioração financeira da companhia poderia gerar efeitos em diferentes segmentos da economia, desde o campo até o mercado financeiro.

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Venda de ativos e reorganização dos negócios

A recuperação financeira da Raízen vem sendo acompanhada por uma ampla estratégia de simplificação operacional.

Nesta semana, a empresa anunciou a venda de suas operações de refino, distribuição e comercialização de combustíveis na Argentina para o grupo suíço Mercuria por US$ 1,42 bilhão.

Os recursos obtidos serão direcionados para fortalecer a estrutura de capital da companhia.

A partir de 2027, a empresa também pretende concluir uma divisão societária que separará suas operações em duas companhias:

Raízen Energia

  • etanol;
  • açúcar;
  • bioenergia.

Raízen Combustíveis

  • distribuição de combustíveis;
  • lubrificantes;
  • operações associadas à marca Shell.

A avaliação da administração é que a separação permitirá maior foco operacional e facilitará a gestão dos negócios.

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Nova estrutura acionária pode mudar controle da companhia

Um dos pontos mais relevantes do plano é a conversão de parte da dívida em ações.

Com a transformação de 45% do passivo reestruturado em participação acionária, os credores poderão assumir uma fatia próxima de 80% do capital da companhia após a implementação do plano.

Na prática, isso pode alterar significativamente a estrutura de controle historicamente compartilhada entre Shell e Cosan.

Mesmo assim, a Shell decidiu permanecer no projeto, reforçando sua confiança na capacidade de recuperação da empresa.

Próximo desafio: negociar passivos tributários

Apesar da aprovação pelos credores, a reestruturação ainda não está totalmente concluída.

A companhia segue negociando cerca de R$ 25 bilhões em passivos tributários junto ao governo federal, etapa considerada fundamental para consolidar o processo de reorganização financeira.

Além disso, o plano ainda depende da homologação judicial pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

Por que o mercado acompanha a Raízen de perto

A recuperação da Raízen não envolve apenas uma empresa com elevado endividamento.

Ela envolve uma companhia que ocupa posição estratégica em setores essenciais para a economia brasileira, como energia, combustíveis, agronegócio, logística e exportação.

O apoio explícito da Shell ao plano aprovado pelos credores é visto pelo mercado como um sinal de confiança na continuidade dos negócios e na capacidade da companhia de atravessar um dos processos de reestruturação mais relevantes da história corporativa do país.

Se bem-sucedida, a reorganização poderá redefinir o futuro de uma das maiores empresas brasileiras e preservar uma cadeia econômica que movimenta bilhões de reais todos os anos.

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