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EXCLUSIVO CNBC: CEO da Hyundai acelera investimentos nos EUA e mira maior fatia do mercado

Publicado 26/08/2026 • 20:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Hyundai Motor registrou forte crescimento nos Estados Unidos nesta década, apesar das mudanças geopolíticas e da desaceleração do mercado automotivo.
  • A montadora sul-coreana pretende manter o ritmo com o aumento da produção em uma nova fábrica de US$ 7,6 bilhões na Geórgia.
  • O grupo se tornou a quarta maior montadora em vendas no país e oferece veículos que vão de modelos Hyundai e Kia, com preços a partir de US$ 20 mil, a carros de luxo Genesis que podem ultrapassar US$ 100 mil.

O CEO da Hyundai Motor, José Muñoz, sorriu e assentiu enquanto outro executivo da montadora falava sobre a filosofia “mueos-ideun ganeunghada”, durante a apresentação do novo SUV topo de linha Genesis GV90.

A expressão significa “tudo é possível” em coreano. É um mantra para a montadora sul-coreana que tem se mostrado verdadeiro tanto para as ambições da empresa nos Estados Unidos quanto para o próprio Muñoz, cidadão com dupla nacionalidade espanhola e americana e o primeiro executivo não coreano a comandar a montadora.

A Hyundai registrou um crescimento acelerado nos Estados Unidos nesta década, apesar de uma série de mudanças geopolíticas e da desaceleração do mercado. E espera manter esse ritmo.

A empresa está ampliando a produção em uma nova fábrica de US$ 7,6 bilhões (cerca de R$ 38,91 bilhões) na Geórgia, com o objetivo de continuar aumentando suas vendas e participação de mercado.

Minhas três principais prioridades são EUA, EUA e EUA”, disse Muñoz à CNBC, durante entrevista na semana passada após a apresentação da Genesis. “Os EUA estão nos ajudando a avançar significativamente, não apenas no mercado mais importante e competitivo do mundo, mas também em outros lugares.”

O Hyundai Motor Group, que reúne os veículos da própria Hyundai, além das marcas Kia e Genesis, aumentou sua participação no mercado americano nesta década mais do que qualquer outra grande montadora, segundo dados da Mobility Global.

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O grupo elevou sua participação no mercado dos Estados Unidos de 8,4% em 2020 para 11,2% até o ano passado, enquanto suas vendas cresceram 50% no período. O avanço tornou a empresa sul-coreana a quarta maior montadora em vendas no país.

A participação de mercado do grupo chegou a 11,8% no primeiro semestre deste ano, segundo a empresa de inteligência do setor automotivo Mobility Global.

Nenhuma outra grande montadora se aproximou desse ganho de participação de mercado, com a maioria das empresas mantendo resultados estáveis ou registrando queda no período.

A fabricante de veículos elétricos Tesla, com um aumento estimado de 2,1 pontos percentuais em sua participação de mercado, é a única empresa que chegou perto, segundo a Mobility Global.

O desempenho da Hyundai nos Estados Unidos ajudou a empresa a se tornar a terceira maior montadora do mundo em vendas e a segunda mais lucrativa em termos de lucro operacional, afirmou Muñoz.

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O presidente executivo do Hyundai Motor Group, Euisun Chung, minimizou a rápida ascensão da companhia ao falar à CNBC na semana passada: “É importante, mas a velocidade não importa. O que importa é como crescemos da maneira certa. Acho que isso é mais importante.”

Mas os investidores certamente perceberam esse crescimento: as ações da empresa na Bolsa da Coreia subiram quase 250% desde 2020.

O plano de US$ 26 bilhões da Hyundai nos EUA

A Hyundai espera que seu crescimento continue com um plano de investimento de US$ 26 bilhões (cerca de R$ 133,12 bilhões) até 2028, que pode incluir a transformação de sua nova Metaplant, na Geórgia, na maior fábrica de montagem de veículos dos Estados Unidos.

Muñoz disse à CNBC que a empresa considera aumentar a capacidade de produção prevista para a unidade de 500 mil veículos para entre 700 mil e 800 mil unidades até 2028. Atualmente, a fábrica produz os modelos totalmente elétricos Hyundai Ioniq 5 e Ioniq 9, além do Kia Sportage híbrido, e outros veículos devem ser adicionados nos próximos anos.

O objetivo é que a Hyundai produza internamente pelo menos 80% dos veículos que vende nos Estados Unidos até o fim desta década, ante cerca de 40% em 2024.

“Para isso, precisamos adicionar mais capacidade”, afirmou Muñoz. “Estamos ampliando a produção o mais rápido que podemos.

O investimento é o maior da história da empresa nos Estados Unidos, enquanto a companhia busca elevar as vendas globais para 5,55 milhões de veículos sob o plano “Bold 2030 Vision”, apresentado por Muñoz no ano passado, durante o primeiro dia do investidor da companhia realizado nos Estados Unidos.

O plano prevê um aumento ambicioso de aproximadamente 35% nas vendas globais entre o ano passado e 2030. A estratégia inclui a entrada em novos mercados ao redor do mundo, tendo os Estados Unidos como um dos pilares do crescimento rentável contínuo.

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Na quarta-feira, Muñoz reafirmou esses planos durante o dia do investidor de 2026 da companhia, incluindo a meta de alcançar 6% de participação no mercado global para as marcas Hyundai e Genesis.

Muñoz afirmou na semana passada que as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo uma alíquota de 15% sobre automóveis sul-coreanos, contribuíram para a aceleração dos planos da empresa de ampliar a produção no país.

“As tarifas estão ajudando a acelerar nosso plano de localização da produção. É muito, muito simples”, afirmou. “O lado positivo é que já havíamos começado antes do anúncio das tarifas. Então, de certa forma, isso está nos ajudando a acelerar.”

A fábrica na Geórgia é fundamental para a Hyundai e a Kia, cujas vendas nos Estados Unidos cresceram cerca de 45% desde 2020.

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“Esta década foi marcada por uma transformação da marca, e o crescimento tem sido fenomenal. Nós realmente transformamos tudo”, afirmou Eric Watson, vice-presidente de operações de vendas da Kia America, durante uma entrevista. “Continuamos planejando crescer.

Os planos de crescimento da Kia incluem elevar as vendas nos Estados Unidos para 1,02 milhão de veículos até 2030, afirmou o CEO da companhia, Ho Sung Song, no início deste ano. A estratégia deve ser impulsionada pela entrada da Kia no segmento de picapes e pela oferta de SUVs mais robustos, conhecidos como veículos de carroceria sobre chassi (body-on-frame).

“Acreditamos que é um segmento importante no qual precisamos atuar, o de veículos ou picapes com carroceria sobre chassi”, disse Watson. “Será uma parte importante da nossa estratégia de crescimento, e esperamos anunciar mais novidades sobre isso no futuro.”

A Hyundai também planeja adicionar veículos desse tipo ao portfólio, incluindo uma picape de porte médio. No início deste ano, a companhia apresentou um veículo-conceito robusto chamado Boulder, que pode indicar uma ampliação da capacidade de produção nos Estados Unidos para modelos com carroceria sobre chassi.

É um território novo e ainda inexplorado para nós”, afirmou Muñoz. “Estamos sempre, sempre avaliando as oportunidades que temos no mercado.”

De “barato” a luxo e valor

A Hyundai entrou no mercado americano em 1986, seguida pela Kia, em 1993, oferecendo veículos mais baratos do que os disponíveis aos consumidores americanos por meio das montadoras dos Estados Unidos e buscando competir com fabricantes japonesas em crescimento, como a Toyota Motor.

Desde então, segundo executivos da Hyundai, uma série de transformações, da reformulação da qualidade e do design aos logotipos e às concessionárias, levou as marcas à posição atual, com foco na combinação entre qualidade e valor.

“Tanto a Kia quanto a Hyundai são muito boas em oferecer, no veículo, mais do que o consumidor espera e mais do que espera receber naquela faixa de preço”, disse Stephanie Brinley, diretora associada da divisão AutoIntelligence da Mobility Global. “Não se trata de ser um ‘carro barato’. Trata-se de conseguir oferecer um pouco mais do que o esperado.”

Muñoz atribuiu o sucesso da Hyundai ao foco nos clientes e à capacidade de surpreender os compradores, muitos dos quais são novos consumidores da marca, com os recursos e as características de seus veículos. Ele também afirmou que a presença global da Hyundai, que possui usinas siderúrgicas e outros fornecedores, é fundamental para o progresso da companhia.

“Determinamos que ser competitivo é um elemento fundamental para o consumidor americano. Por isso, a acessibilidade é algo que entendemos plenamente e aplicamos”, afirmou. “Queremos oferecer ao cliente o produto certo, os recursos certos e o nível de preço adequado.”

Esse “nível adequado” vem se ampliando para a montadora nos Estados Unidos. A empresa continua vendendo veículos de entrada da Kia e da Hyundai com preços a partir da faixa dos US$ 20 mil (cerca de R$ 102,4 mil), enquanto amplia as vendas de modelos de maior valor das duas marcas. A marca de luxo Genesis, por sua vez, tem modelos que chegam a US$ 100 mil ou mais (cerca de R$ 512 mil).

A Hyundai afirmou na quarta-feira que planeja realizar mais de 100 lançamentos e atualizações de veículos das marcas Hyundai e Genesis até 2030, incluindo 58 na América do Norte. A empresa também ampliará significativamente sua oferta de veículos eletrificados, incluindo híbridos de autonomia estendida.

A Genesis, lançada há uma década nos Estados Unidos, registrou um crescimento particularmente acelerado e se tornou a marca de luxo que atingiu mais rapidamente 1 milhão de vendas no mundo, segundo a empresa.

Executivos descreveram o novo SUV topo de linha GV90, incluindo uma versão com portas de abertura oposta e assentos lounge giratórios, como um novo capítulo para a marca Genesis, reiterando que “tudo é possível”.

Desde o início, o mundo prestou atenção na Genesis”, afirmou o diretor de operações da Genesis North America, Tedros Mengiste, durante a apresentação do GV90, enquanto Muñoz assentia. “E, esta noite, vocês verão o mueos-ideun ganeunghada, tudo é possível, ganhar vida.”

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