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EXCLUSIVO: Padilha diz que IA, clima e financiamento forçam transformação do sistema de saúde
Publicado 20/01/2026 • 11:28 | Atualizado há 2 horas
Publicado 20/01/2026 • 11:28 | Atualizado há 2 horas
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O avanço da inteligência artificial, a crise climática e a pressão sobre o financiamento do SUS colocam o sistema de saúde brasileiro diante de uma transformação estrutural para a próxima década. Para discutir esse cenário, o programa Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, conversou com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“O Ministério da Saúde lidera a combinação da saúde pública brasileira, que tem o maior sistema público universal de saúde do mundo, e, ao mesmo tempo, regula um setor privado que atende entre 50 e 70 milhões de vidas”, afirmou Padilha. Segundo ele, essa dupla função confere ao governo um papel central na coordenação do mercado e na definição das diretrizes para o futuro do setor.
O ministro explicou que a pasta regula cerca de 23% do PIB brasileiro, abrangendo desde a indústria farmacêutica e de equipamentos até o setor cosmético e parte da agricultura. De acordo com Padilha, as decisões do ministério têm impacto direto na atração de investimentos nacionais e internacionais, especialmente para estimular a produção local de medicamentos estratégicos.
“Um exemplo claro é a insulina. O Brasil ficou 20 anos sem produzir esse medicamento essencial, e isso nos deixava vulneráveis”, disse. Ele destacou que, por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o BNDES e empresas da Índia e da China, o país voltou a produzir insulina a partir do ano passado.
Padilha afirmou que a retomada da produção nacional garante segurança aos pacientes diabéticos, reduz riscos de desabastecimento e fortalece a economia. Segundo ele, além de assegurar o tratamento contínuo, a iniciativa gerou empregos, renda e incorporação de tecnologia ao parque industrial brasileiro.
“A inteligência artificial chegou para ficar na área da saúde. Ela ajuda no diagnóstico, no tratamento dos médicos e na organização dos serviços”, declarou o ministro. Padilha ressaltou que o SUS já utiliza IA em diferentes frentes, incluindo compras públicas de medicamentos e apoio à regulação sanitária.
Ele explicou que o Ministério da Saúde emprega ferramentas de IA para identificar medicamentos com menor custo e novos registros, enquanto a Anvisa utiliza a tecnologia para acelerar a análise de processos e reduzir filas de aprovação. O ministro também destacou parcerias com hospitais de excelência e universitários para uso da IA no apoio ao diagnóstico clínico.
“Estamos liderando a criação de uma rede de hospitais inteligentes no Brasil, com financiamento de mais de R$ 1,4 bilhão do Banco dos BRICS”, afirmou Padilha. Segundo ele, os recursos permitirão a implantação de UTIs inteligentes e a conexão de equipamentos hospitalares para agilizar o atendimento à população.
O ministro detalhou que será construído um hospital 100% inteligente no Hospital das Clínicas da USP, totalmente integrado ao SUS, além da modernização de unidades já existentes, como hospitais universitários, o Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul, e hospitais no Rio de Janeiro.
“Com a conexão dos equipamentos e o uso da inteligência artificial, será possível reduzir drasticamente o tempo de espera”, disse. Padilha relatou que experiências semelhantes visitadas por ele na China e na Índia reduziram o início de tratamentos de 17 horas para cerca de duas horas, o que pode ser decisivo em casos de urgência e emergência.
Leia também: Brics avalia investimento de R$ 1,7 bilhão em primeiro hospital inteligente do SUS
Segundo o ministro, a crise climática já deve ser tratada como uma crise de saúde pública. Ele alertou que eventos extremos têm impactado diretamente a operação de hospitais em todo o mundo e favorecido a disseminação de doenças em regiões antes consideradas livres de determinados vetores.
“Hoje temos dengue em regiões onde ela não existia, transmissão de chikungunya na Europa e até vetor da doença de Chagas nos Estados Unidos”, afirmou. Padilha relatou que, quando atuava como médico residente no fim dos anos 1990, não havia transmissão de dengue na cidade de São Paulo, cenário que mudou com o aumento das temperaturas médias.
O ministro explicou que o governo tem priorizado a construção de hospitais resilientes, capazes de operar mesmo em situações de colapso de infraestrutura. Segundo ele, unidades reconstruídas após enchentes no Rio Grande do Sul já contam com sistemas que permitem funcionamento por até 20 dias sem abastecimento regular de água.
“Também estamos investindo em protocolos de calor extremo, como o desenvolvido no Rio de Janeiro, que cruza dados climáticos com informações das unidades de saúde para antecipar atendimentos e reduzir mortes”, disse Padilha. Ele afirmou que esse tipo de planejamento será cada vez mais necessário diante do avanço das mudanças climáticas.
Ao comentar o financiamento do SUS, o ministro destacou que o governo Lula promoveu o maior crescimento do orçamento da saúde nos últimos anos, a partir da PEC da Transição, e que o arcabouço fiscal manteve a previsão de crescimento anual dos recursos para o setor.
Padilha reconheceu que o Brasil ainda investe menos por habitante do que países europeus em sistemas públicos de saúde, mas defendeu que a digitalização e a expansão da saúde digital são fundamentais para otimizar os recursos disponíveis e ampliar o acesso ao atendimento.
“Hoje fazemos telecirurgias e teleconsultorias que conectam unidades básicas no interior ou na Amazônia a centros de excelência em São Paulo”, afirmou. Segundo ele, essa estratégia reduz custos, aproxima o cuidado da população mais vulnerável e melhora a eficiência do sistema.
Sobre a modernização da infraestrutura, o ministro afirmou que o governo utiliza diferentes mecanismos, incluindo parcerias público-privadas. Ele citou como exemplos hospitais do Grupo Hospitalar Conceição, o novo hospital do Inca, no Rio de Janeiro, e a nova planta industrial da Fiocruz, que envolve mais de R$ 4 bilhões em investimentos.
Padilha destacou ainda o programa Agora Tem Especialistas, que permite que hospitais privados atendam pacientes do SUS em troca de compensações financeiras ou fiscais. Segundo ele, a iniciativa ajuda a reduzir filas e mobiliza toda a capacidade instalada do sistema de saúde brasileiro.
“A inovação precisa ser estimulada, não freada”, afirmou o ministro ao comentar o papel das startups. Ele ressaltou que o Ministério da Saúde, o BNDES, hospitais de excelência e a Anvisa têm atuado de forma coordenada para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de novas tecnologias.
Padilha citou como exemplos o comitê de inovação radical da Anvisa, que acelerou a aprovação de produtos como a polilaminina e a tecnologia Wolbachia para combate à dengue, além de parcerias internacionais no âmbito do G20 e dos BRICS.
Ao falar sobre soberania sanitária, o ministro reforçou que a estratégia do governo é usar a força de compra do SUS para atrair produção local de medicamentos, vacinas e terapias avançadas. Ele destacou a vacina nacional contra a dengue do Instituto Butantan e os investimentos em hemoderivados, terapia celular e novos tratamentos oncológicos.
“Produzir no Brasil é uma questão de segurança nacional em saúde”, afirmou Padilha. Segundo ele, ampliar a produção interna reduz vulnerabilidades, garante abastecimento em crises globais e posiciona o país como polo regional de inovação e tecnologia em saúde.
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