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GSK compra Nuvalent por US$ 10,6 bilhões para reforçar aposta em tratamentos contra câncer

Publicado 09/06/2026 • 08:07 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O grupo farmacêutico britânico GSK firmou um acordo para adquirir a Nuvalent, empresa americana de biotecnologia especializada em oncologia, por US$ 10,6 bilhões.
  • A aquisição pode ajudar a GSK a compensar a queda na receita prevista para quando seu medicamento mais vendido para o HIV perder a exclusividade a partir de 2028.
  • O acordo representa uma mudança em relação ao foco da GSK em transações menores nos últimos anos e ocorre em meio a um aumento nas fusões e aquisições no setor biofarmacêutico.
Fachada metálica com logo de GSK

Loriene Perere/Reuters

A farmacêutica britânica GSK, segunda maior do setor no Reino Unido, firmou um acordo para adquirir a biofarmacêutica norte-americana Nuvalent por US$ 10,6 bilhões, em uma operação destinada a fortalecer seu pipeline de oncologia. A transação será a maior aquisição da companhia em mais de uma década.

O acordo, integralmente em dinheiro, avalia a Nuvalent em cerca de US$ 124 por ação, segundo um documento divulgado pela GSK nesta terça-feira, representando um prêmio de 40% em relação ao preço de fechamento anterior dos papéis.

As ações da Nuvalent chegaram a subir 39% no pré-mercado dos Estados Unidos, enquanto os papéis da GSK recuavam 2,6% em Londres.

Leia também: GSK fecha o ano em alta e projeta crescimento de até 9% nos lucros com novos medicamentos

O jornal britânico Financial Times informou sobre a transação mais cedo nesta terça-feira. A Nuvalent não respondeu a um pedido de comentário.

A Nuvalent é uma empresa de biotecnologia especializada em oncologia e em estágio avançado de desenvolvimento, com foco em subgrupos de câncer de pulmão associados a mutações genéticas específicas. A aquisição deve ajudar a GSK a compensar a queda de receita esperada quando seu medicamento para HIV mais vendido perder a exclusividade a partir de 2028.

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A operação dará à GSK acesso a dois tratamentos para câncer de pulmão em estágio avançado de desenvolvimento, que a companhia considera ter potencial para se tornarem medicamentos de vendas bilionárias. A aquisição também inclui um medicamento em estágio inicial de desenvolvimento e o portfólio pré-clínico da Nuvalent, composto por diversos programas de pesquisa.

“A aquisição oferece à GSK oportunidades imediatas de crescimento de vendas”, afirmou o CEO da empresa, Luke Miels, em comunicado. “Os dois principais produtos são ativos com potencial para serem os melhores de suas classes terapêuticas e podem ser lançados ainda este ano, caso sejam aprovados pela FDA, além de oferecerem novas opções importantes de tratamento para pacientes com duas formas de câncer de pulmão de células não pequenas.”

Analistas do Barclays afirmaram que a aquisição faz sentido do ponto de vista estratégico, pois adiciona ativos em estágio avançado e com riscos clínicos reduzidos ao negócio de oncologia da GSK. No entanto, eles questionaram o potencial dos dois principais candidatos a medicamento — zidesamtinib e neladalkib — de alcançarem o status de megablockbusters, avaliando que o potencial de valorização é limitado.

Segundo o banco, a aquisição acelerará a entrada da GSK no mercado de câncer de pulmão e poderá ajudar a compensar os impactos da perda de exclusividade dos medicamentos para HIV a partir de meados de 2028.

A GSK informou que não houve alterações em suas projeções para 2026 de lucro operacional ajustado e crescimento do lucro ajustado por ação. A empresa espera que a aquisição comece a contribuir para o crescimento da receita a partir de 2027.

O negócio é a segunda maior aquisição da história da GSK, atrás apenas da troca de ativos realizada com a Novartis em 2014, quando assumiu o controle da divisão de vacinas da farmacêutica suíça em uma transação avaliada em US$ 20 bilhões.

A operação também representa uma mudança significativa em relação à estratégia recente da companhia, que vinha priorizando aquisições de menor porte.

Miels, que assumiu o comando da empresa no início deste ano, substituindo a executiva Emma Walmsley, disse a investidores em fevereiro que pretendia concentrar-se em operações na faixa de 2 bilhões a 4 bilhões de libras esterlinas (entre US$ 2,67 bilhões e US$ 5,34 bilhões) que estivessem “escondidas à vista de todos”.

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O executivo recebeu a missão de reestruturar uma companhia que enfrenta dificuldades para dissipar as preocupações dos investidores em relação ao seu pipeline de medicamentos. Desde o anúncio de sua nomeação, em setembro, as ações da GSK acumulam valorização de aproximadamente 29%.

O principal ativo da Nuvalent, o neladalkib — terapia voltada para determinados tipos de câncer de pulmão —, está atualmente sob análise da agência reguladora norte-americana FDA, que tem até 27 de novembro para emitir uma decisão.

A empresa também possui um pedido de aprovação para o zidesamtinib, destinado a pacientes com um tipo de câncer conhecido como câncer de pulmão de células não pequenas positivo para ROS1, igualmente em análise pela FDA.

Em relatório divulgado em janeiro, analistas da CGS International estimaram que, se aprovados, neladalkib e zidesamtinib poderão gerar receitas anuais combinadas de US$ 823 milhões no ano fiscal de 2029.

A transação ocorre em um momento de forte atividade de fusões e aquisições no setor de biotecnologia, impulsionada pela aproximação do vencimento de patentes importantes, pela melhora das condições dos mercados de capitais e pela corrida das grandes farmacêuticas para reforçar seus pipelines de desenvolvimento. Segundo dados da PitchBook, as aquisições no setor de biotecnologia já somam US$ 106 bilhões em 201 operações realizadas globalmente em 2026, colocando a indústria no caminho para registrar seu melhor ano desde o pico observado antes da pandemia.

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