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Instituto acusa Americanas de fake news e desinformação em comunicado ao mercado
Publicado 27/07/2026 • 20:59 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 27/07/2026 • 20:59 | Atualizado há 2 semanas
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Notícia atualizada em 29/07, às 8h20 com a inclusão da resposta da Americanas e a réplica do Instituto Empresa
A Americanas informou ao mercado, nesta segunda-feira (27), que venceu uma etapa de disputa arbitral contra um grupo de investidores. Horas depois, o Instituto Empresa, que representa acionistas minoritários prejudicados pelo escândalo contábil da varejista, classificou a comunicação como desinformação e fake news e anunciou que vai levar o caso à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Segundo o comunicado divulgado pela Americanas, a decisão saiu no âmbito do Procedimento Arbitral n. 236/23, que tramita na Câmara de Arbitragem do Mercado. A companhia relatou que os requerentes desistiram dos pedidos formulados contra ela e que, na quinta-feira (16), foi proferida decisão extintiva homologando a desistência, sem julgamento do mérito.
🔍 Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM): órgão vinculado à bolsa que julga disputas societárias em caráter confidencial, alternativa aos tribunais comuns para litígios entre empresas e investidores.
Segundo o Instituto Empresa, a companhia escolheu divulgar um episódio processual pontual enquanto deixou de comunicar o fato que considera mais relevante, a instauração de um novo procedimento arbitral, em janeiro, que unificou os investidores anteriormente divididos em duas frentes e ampliou os pedidos contra os controladores.
De acordo com a entidade, essa seletividade transforma uma obrigação regulatória de transparência em instrumento de desinformação. Para o Instituto, ao apresentar sua própria interpretação dos fatos como se fosse relato neutro, a Americanas produziu uma narrativa unilateral sobre a disputa.
O Instituto afirmou ainda que o desequilíbrio entre as partes é estrutural. Enquanto a companhia pode se comunicar livremente com o mercado, os investidores requerentes ficam impedidos de responder publicamente por causa do sigilo que cobre os procedimentos arbitrais.
Essa assimetria, segundo a entidade, favorece companhias em geral, não apenas a Americanas, e explica por que arbitragens bilionárias envolvendo outras empresas abertas seguem praticamente fora do radar público quando foram abertas antes de 2022.
🔍 Resolução CVM 80: norma de 2022 que obriga companhias abertas a comunicar ao mercado determinadas demandas judiciais e arbitrais capazes de afetar investidores, mas que não alcança obrigatoriamente processos anteriores à sua vigência.
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Siga o Times | CNBCO histórico do caso ajuda a entender a acusação. Investidores da Americanas abriram um primeiro procedimento arbitral em 2023, buscando ressarcimento pelos prejuízos do escândalo contábil de R$ 45 bilhões revelado naquele ano. Em 2024, o grupo se dividiu, e um segundo procedimento surgiu.
Essa fragmentação, segundo o Instituto Empresa, prejudicava o principal pedido dos investidores, a responsabilização dos controladores por abuso de poder de controle. Por isso, os dois procedimentos anteriores foram extintos e substituídos, em janeiro, por um terceiro, que reuniu os investidores e ampliou o escopo das reivindicações.
Esse novo procedimento é o fato que deveria ter sido comunicado ao mercado com destaque, e não o desfecho de uma ação pontual que teve seus pedidos retirados pelos próprios requerentes.
Por fim, o Instituto apontou que a obrigação de comunicar demandas societárias existe para ampliar a transparência, não para funcionar como monopólio de informação de uma das partes. A entidade também lembra que qualquer decisão arbitral definitiva ainda pode ser submetida ao Judiciário, nas hipóteses previstas em lei.
A Americanas rejeita as afirmações e informa que a instauração de novo procedimento arbitral que referencia os anteriores foi devidamente informada pela Companhia em Comunicado ao Mercado de 02 de fevereiro de 2026, disponível no seu site de Relações com Investidores e na CVM. A Americanas afirma que todos os fatos ou atualizações relativos às arbitragens têm sido comunicados de forma tempestiva e sem qualquer interpretação, como pode ser verificado nos próprios documentos disponibilizados. A Companhia segue com transparência em todas as suas comunicações e em conformidade com as normas estabelecidas pelo órgão regulador.
As últimas comunicações das Americanas são parcializadas e fazem crer que que os investidores desistiram da demanda quando, em realidade, houve a concentração em único e novo procedimento, inclusive com a ampliação dos pedidos. Também apresentam movimentos burocráticos e provisórios como decisões de mérito e de caráter definitivo. Apenas paralelamente e para quem tem todo o domínio das informações o teor dos pronunciamentos guarda alguma pertinência com a realidade dos fatos, predominando, assim, a contrução de narrativas à informação técnica.
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