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Harsco aposta em resíduos da siderurgia para crescer no agro, infraestrutura e saneamento, diz CEO Wender Alves

Publicado 07/07/2026 • 19:06 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Wender Alves afirma que a economia circular está no modelo de negócios da Harsco desde a origem da companhia.
  • Empresa transforma resíduos siderúrgicos em corretivos de solo, fertilizantes e materiais para infraestrutura.
  • CEO diz que produtos sustentáveis precisam competir em preço e não depender de prêmio ambiental.

A Harsco Environmental vê na economia circular uma estratégia de crescimento para ampliar negócios no agronegócio, na infraestrutura e no tratamento de resíduos no Brasil. A companhia aposta no reaproveitamento de materiais da siderurgia para desenvolver produtos com menor pegada de carbono e matriz reciclada.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Wender Alves, CEO da Harsco para a América Latina, afirmou que a empresa nasceu com foco em reaproveitamento industrial antes mesmo de o termo economia circular ganhar espaço no mercado.

“A Harsco já foi criada muito pensando sobre a economia circular, antes mesmo do termo economia circular existir”, disse.

Segundo Alves, a companhia começou há quase 200 anos minerando resíduos da siderurgia em busca de commodities metálicas. Com o tempo, o modelo evoluiu para o desenvolvimento de aplicações para materiais reciclados vindos de outras indústrias, especialmente da cadeia siderúrgica.

Hoje, de acordo com o executivo, a empresa transforma escórias siderúrgicas em corretivos de solo e fertilizantes para o agronegócio, além de materiais que podem ser usados em infraestrutura.

“Nós nos dedicamos muito a buscar utilização para materiais reciclados, vindos de outras indústrias e também da siderurgia, para a construção de produtos de menor pegada de carbono”, afirmou.

Alves disse que a indústria siderúrgica brasileira já tem práticas sustentáveis relevantes, incluindo o uso de fontes alternativas de energia. Ainda assim, afirmou que há espaço para ampliar a destinação de materiais não metálicos gerados no processo produtivo.

Segundo ele, a Harsco tem trabalhado em conjunto com siderúrgicas para transformar esses resíduos em produtos de maior valor agregado.

“Hoje a gente já tem destinos nobres para utilização das escórias siderúrgicas, que é essa transformação em corretivo de solo e fertilizante”, disse.

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O CEO afirmou que o mercado valoriza produtos de menor impacto ambiental, mas ressaltou que a sustentabilidade precisa vir acompanhada de competitividade econômica. Para ele, o produtor rural não deve pagar mais apenas pela redução da pegada de carbono.

“A gente não espera que o agricultor aqui no Brasil nos pague a mais pela descarbonização”, afirmou.

Segundo Alves, a estratégia da companhia é oferecer produtos com qualidade, menor impacto ambiental e preços competitivos em relação às alternativas tradicionais, como calcários agrícolas e outras fontes de fertilizantes.

O executivo afirmou que as próximas oportunidades de crescimento estão na conexão entre diferentes setores industriais. Materiais vistos como coprodutos por uma indústria podem se tornar matéria-prima para outra.

“O que eventualmente um setor industrial enxerga como um coproduto, a gente enxerga como uma fonte de matéria-prima para outras indústrias”, disse.

No setor de infraestrutura, Alves afirmou que a Harsco já transforma materiais reciclados em alternativas equivalentes à brita. A empresa também vê potencial no tratamento de esgoto, com a busca por novas aplicações para materiais que hoje ainda são tratados como resíduos.

Para o CEO, a economia circular deixou de ser apenas uma pauta ambiental porque passou a combinar redução de emissões, reaproveitamento de resíduos e geração de novos negócios.

“Foi assim no setor agrícola, onde a gente transformou uma parte da história siderúrgica em corretivo de solo e em fertilizante. Está sendo assim no mercado de infraestrutura”, afirmou.

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