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El Niño pode pressionar alimentos, mas impacto na safra ainda é incerto
Publicado 07/07/2026 • 18:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 07/07/2026 • 18:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A possibilidade de um novo episódio de El Niño na safra 2026/27 aumenta os riscos para a produção agropecuária brasileira e pode gerar impactos sobre os preços dos alimentos, mas ainda não permite conclusões definitivas sobre o tamanho das perdas. A avaliação é do pesquisador do FGV Agro, Felippe Serigati, que destaca que os modelos climáticos apontam uma elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno, embora ainda exista incerteza quanto à sua intensidade.
“Os mapas climáticos indicam praticamente 100% de probabilidade de que a atmosfera opere sob influência do El Niño durante a safra 2026/27. O que ainda está em aberto é qual será a intensidade desse fenômeno“, afirmou nesta terça-feira (7) Serigati em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo o pesquisador, o aumento da intensidade do fenômeno amplia os riscos para parte do agronegócio brasileiro, mas não significa, automaticamente, que haverá quebra de safra.
“O El Niño não é determinístico. O fato de termos observado determinados impactos em eventos anteriores não significa que eles irão se repetir da mesma forma nesta safra“, ressaltou.
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Na avaliação de Serigati, um dos principais pontos de atenção está no Centro-Norte do Brasil, especialmente em áreas do Centro-Oeste e da região conhecida como Matopiba, formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Segundo ele, o fenômeno costuma provocar redução das chuvas, atraso no início do período chuvoso, irregularidade das precipitações e temperaturas acima da média nessas regiões.
“Esse conjunto de fatores aumenta a probabilidade de quebra de safra justamente em áreas que concentram grande parte da produção de grãos e de proteínas do País, o que naturalmente pode gerar reflexos sobre os preços“, explicou.
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Ao mesmo tempo, o pesquisador lembra que o impacto do El Niño não é uniforme em todo o território nacional.
“Quando olhamos para a Região Sul, normalmente ocorre o contrário. Em muitos anos de El Niño, as chuvas aumentam e as safras tendem a ser mais favoráveis“, observou.
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Siga o Times | CNBCQuestionado sobre as ondas de calor registradas na Europa, Serigati ponderou que ainda não é possível estabelecer uma relação direta entre esses eventos e o fenômeno climático que começa a se formar no Oceano Pacífico.
Segundo ele, a atmosfera responde de forma gradual ao aquecimento das águas, principal indicador utilizado para caracterizar o El Niño.
“Não dá para afirmar que a onda de calor observada na Europa esteja diretamente relacionada ao El Niño que deverá influenciar a safra brasileira. Ainda é cedo para fazer esse tipo de associação“, afirmou.
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Apesar disso, ele destaca que o aumento da probabilidade de períodos secos e de veranicos durante a primavera preocupa o setor produtivo.
O pesquisador explica que outro fator importante é o estágio atual da próxima safra. Como o plantio ainda não foi iniciado, há espaço para mudanças no cenário climático ao longo dos próximos meses.
Segundo ele, o momento mais sensível ocorrerá durante a implantação das lavouras, quando eventuais atrasos nas chuvas ou períodos prolongados de estiagem poderão comprometer a germinação das culturas.
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“Dependendo de quando esses veranicos ocorrerem, eles podem atingir justamente a fase de germinação dos grãos e provocar impactos mais relevantes sobre a produtividade“, disse.
Para Serigati, embora o setor esteja atento às previsões meteorológicas, ainda não há elementos suficientes para afirmar que o Brasil enfrentará uma quebra expressiva de safra ou, por outro lado, que passará ileso pelo fenômeno.
“Ainda não plantamos nem a primeira semente da safra 2026/27. Há muita coisa que pode acontecer até lá e muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte“, concluiu.
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