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Heineken e Grupo Petrópolis aceleram inovações para atender à alta demanda por cervejas de baixa caloria e sem glúten
Publicado 01/09/2026 • 07:06 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 01/09/2026 • 07:06 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
TV Ação / Grupo Petrópolis
A indústria de bebidas brasileira e global passa por uma transformação silenciosa, mas profunda, em suas gôndolas e linhas de produção. O tradicional brinde com cerveja está ganhando novos contornos à medida que a Geração Z e o avanço da cultura de bem-estar (wellness) redefinem o que significa socializar com um copo na mão. Os jovens adultos estão bebendo de forma diferente, exigindo das grandes cervejarias um portfólio muito mais flexível, saudável e diversificado.
Para responder a esse novo ecossistema, gigantes do setor como o Grupo Heineken e o Grupo Petrópolis estão travando uma batalha de inovação que envolve desde a redução drástica de calorias e a eliminação do glúten até a aposta em bebidas não alcoólicas de alta performance.
O comportamento do consumidor jovem já não se encaixa em caixas rígidas. Hoje, a palavra de ordem é alternação. “Dependendo da ocasião, ele pode optar por cervejas tradicionais, cervejas premium, cervejas zero álcool, versões de menor teor calórico, drinks prontos para beber (RTDs), bebidas esportivas ou energéticos”, explica João Netto, CMO do Grupo Petrópolis. Esse trânsito fluido entre categorias, impulsionado pela Geração Z, também começa a se espalhar para outras faixas etárias.
Estudos de mercado mostram que esse público busca equilibrar o prazer e a socialização com a conveniência e o bem-estar físico. Não se trata de uma substituição radical da cerveja por outras bebidas, mas sim de uma escolha contextualizada. O maior desafio das cervejarias, portanto, passou a ser garantir que o consumidor encontre opções que façam sentido para o seu estilo de vida em qualquer momento de interação social.
Refletindo a relevância do mercado brasileiro, a Heineken escolheu o país como o primeiro do mundo a receber o seu mais novo rótulo global: a Heineken Ultimate. Lançada em junho de 2026, a cerveja chega com o apelo de ter 30% menos calorias do que a versão regular (97 calorias por porção), ser inteiramente sem glúten e possuir menor teor alcoólico.
O plano de expansão comercial da marca reflete a aposta na novidade. A distribuição começou em maio pelos estados de São Paulo e Minas Gerais. Em julho, a cerveja alcançou os PDVs do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, com o cronograma prevendo a chegada em todo o território nacional.
“O produto nasce a partir de uma transformação clara no comportamento do consumidor, que busca relações mais equilibradas com o consumo. Mais do que lançar um novo produto, estamos ampliando as possibilidades de escolha dentro da categoria”, afirmou Maurício Giamellaro, CEO do Grupo Heineken no Brasil.
Essa estratégia de diversificação não é isolada. Nos últimos anos, o grupo, que é líder no segmento premium no país, expandiu o portfólio para abrigar opções que vão desde o segmento low/zero álcool até águas funcionais e energéticos, como Amstel Ultra, Sol e Praya Lager (ambas sem glúten), Baer Mate, Mamba Water, Mamba Water Protein e Amstel Vibes. A gigante do setor emprega hoje mais de 12 mil pessoas e opera 13 cervejarias no Brasil, incluindo a fábrica inaugurada em Passos (MG) em 2025.
Do lado do Grupo Petrópolis, a resposta ao mercado wellness tem sido igualmente robusta, com 2026 consolidando-se como um ano estratégico de inovações. O principal destaque é a Petra Ultra, uma cerveja puro malte sem glúten, com baixo teor alcoólico e apenas 67 calorias na lata de 269 ml.
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Siga o Times | CNBCOs números da categoria são impressionantes: o segmento “ultra” triplicou de volume nos últimos dois anos no Brasil e a expectativa é que dobre de tamanho em 2026, atingindo cerca de 1,3% do mercado cervejeiro nacional.
Essa expansão está diretamente conectada a uma explosão no consumo de produtos sem glúten no país. De acordo com dados oficiais do Anuário da Cerveja 2026 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o volume de produção declarado da categoria sem glúten disparou de 71 milhões de litros em 2024 para aproximadamente 368 milhões de litros em 2025. Esse salto de mais de 400% em apenas um ano representa a maior variação absoluta registrada pelo ministério entre as características de produto monitoradas.
Paralelamente, as cervejas sem álcool ganham status de sofisticação. O Grupo Petrópolis lançou recentemente a Black Princess Zero, sua primeira cerveja premium zero álcool e também sem glúten. Dados da Nielsen mostram que, desde 2023, 62% do volume de cervejas zero álcool comercializadas pertence ao segmento premium, provando que o consumidor não quer abrir mão da qualidade e do sabor quando escolhe não beber álcool.
Embora o mercado também ensaie passos no segmento de cervejas proteicas ou enriquecidas com vitaminas, o Mapa ainda não possui recortes estatísticos oficiais para dimensionar esses volumes específicos, restando à indústria acompanhar o surgimento gradual de rótulos focados no estilo de vida ativo.
Para sobreviver aos novos tempos, as cervejarias entenderam que precisam ser mais do que apenas produtoras de cerveja — elas precisam se posicionar como empresas multibebidas. No Grupo Petrópolis, essa complementaridade de portfólio tem como pilares os energéticos e as bebidas esportivas.
Até mesmo fenômenos médicos recentes, como a popularização das canetas emagrecedoras, estão sob o radar atento das diretorias de planejamento. Embora ainda seja cedo para mensurar um impacto direto e isolado dessas canetas nas vendas, o Grupo Petrópolis avalia que elas se somam à grande onda de busca por saudabilidade iniciada no pós-pandemia.
Apesar da diversificação e da explosão de novas categorias, as cervejarias tradicionais podem respirar aliviadas em relação ao seu produto principal. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a cerveja continua sendo a protagonista absoluta, representando cerca de 90% do volume do setor de bebidas no Brasil [14, 18].
A revolução atual, portanto, não é de extinção, mas de convivência. O futuro pertence às companhias que souberem equilibrar a tradição de seus rótulos clássicos com a agilidade científica e mercadológica exigida pela geração do bem-estar.
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