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Imóveis

Mercado imobiliário troca metragem por qualidade de vida e ganha força mesmo com juros elevados

Publicado 11/06/2026 • 12:51 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • O comprador de imóveis passou a priorizar mobilidade, conveniência e proximidade do trabalho e dos serviços, reduzindo a importância do tamanho da residência.
  • Novos modelos de moradia, como os estúdios, avançam em grandes centros urbanos e atraem tanto investidores quanto moradores.
  • Apesar das incertezas econômicas e dos juros elevados, o setor imobiliário mantém resiliência, enquanto acompanha com atenção os efeitos da reforma tributária.

O mercado imobiliário brasileiro vive uma transformação impulsionada por mudanças de comportamento aceleradas após a pandemia, com compradores cada vez mais focados em qualidade de vida, mobilidade e integração urbana, afirma Henrique Blecher, CEO da Nivi Capital e Archi Incorporadora.

Segundo ele, a decisão de compra de um imóvel deixou de ser baseada apenas em metragem e localização tradicional para incorporar fatores ligados ao cotidiano das pessoas.

Hoje o mercado imobiliário é muito mais sobre pertencimento do que sobre consumo de um produto específico”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (11). Para Blecher, o imóvel passou a ser visto como parte de uma experiência mais ampla, em que o entorno, a facilidade de deslocamento e o acesso a serviços ganharam peso na decisão dos compradores.

Nova lógica

De acordo com o executivo, a pandemia levou muitas pessoas a reavaliar prioridades e a atribuir maior valor ao tempo. “As pessoas ficam felizes não pelo apartamento em si, mas pelo que está em volta delas e pelo que é proporcionado a partir daquela escolha”, destacou.

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Blecher afirma que fatores antes considerados secundários passaram a influenciar diretamente a demanda por imóveis. Como exemplo, ele cita a preferência por unidades menores em regiões mais próximas do trabalho, escolas e áreas de convivência.

Se você consegue se mudar para um lugar mais próximo do seu trabalho, mais próximo da escola do seu filho, você ganhou 360 horas no ano”, afirmou. Segundo ele, a redução do tempo gasto em deslocamentos passou a ser percebida como ganho efetivo de qualidade de vida e produtividade.

Microcidades

Na avaliação do empresário, a transformação dos hábitos urbanos reforça um conceito cada vez mais presente no planejamento das grandes cidades: a criação de microcidades dentro das metrópoles.

A cidade precisa ter microcidades dentro da cidade”, disse Blecher ao defender modelos urbanos capazes de concentrar moradia, trabalho, lazer e serviços em regiões integradas. Segundo ele, essa dinâmica também favorece a geração de riqueza e o desenvolvimento econômico local.

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O executivo acredita que grandes eventos culturais, esportivos e de entretenimento ajudam a fortalecer esses polos urbanos ao atrair investimentos e estimular melhorias em infraestrutura e mobilidade.

Ascensão dos estúdios

Blecher relembrou que esteve entre os primeiros empreendedores a apostar nos empreendimentos do tipo estúdio na zona sul do Rio de Janeiro, movimento impulsionado por mudanças na legislação urbanística e por novas demandas dos consumidores.

Eu entendi não só o potencial do Rio para turismo, mas também uma releitura de como as pessoas querem morar”, afirmou. Segundo ele, a discussão sobre a necessidade de imóveis maiores perdeu força diante da busca por praticidade e acesso a uma estrutura urbana mais completa.

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O executivo observa que os estúdios inicialmente atraíram investidores interessados em renda com locação, mas começam a ganhar espaço também entre moradores. “Já começo a perceber um movimento de moradores entendendo que morar dessa forma pode ser uma opção eficiente e interessante”, disse.

Reforma tributária

Ao comentar os impactos da reforma tributária, Blecher afirmou que o setor acompanha as mudanças com atenção devido à complexidade da cadeia produtiva da construção civil.

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A cadeia é muito longa e o tributo é muito pesado nesse processo construtivo”, afirmou. Segundo ele, qualquer alteração na tributação afeta diretamente a incorporação imobiliária, a construção civil, os fundos imobiliários e o preço final dos empreendimentos.

O executivo reconheceu a importância da reforma para o país, mas ressaltou que o setor ainda busca compreender seus efeitos práticos. “A construção civil é uma das grandes áreas de investimento do Brasil e é diretamente impactada por qualquer mudança tributária”, afirmou.

Setor resiliente

Mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados, incertezas eleitorais e instabilidade internacional, Blecher avalia que o mercado imobiliário continua atraente para investidores.

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O mercado imobiliário se mostra resiliente porque existe um componente importante de composição de portfólio e de geração de renda no longo prazo”, afirmou. Segundo ele, a busca por ativos imobiliários continua sendo uma estratégia relevante para investidores que procuram estabilidade e previsibilidade ao longo dos anos.

Para o executivo, essa capacidade de adaptação às mudanças econômicas e sociais ajuda a explicar por que o setor continua se transformando e atraindo investimentos mesmo em períodos de maior incerteza.

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