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EXCLUSIVO: Fraude com vídeo falso cresce 800% ao mês e engana biometria de bancos
Publicado 01/08/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 01/08/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Uma videochamada de poucos segundos costuma bastar para abrir uma conta bancária, aprovar um empréstimo ou validar uma transferência de valor alto. É exatamente essa etapa, pensada para provar que existe uma pessoa real do outro lado da tela, que criminosos aprenderam a falsificar com softwares comuns de computador.
Para entender o golpe, vale imaginar a verificação exigida por um banco nesse momento. Em vez de ligar a câmera do celular na hora pedida pelo aplicativo, o fraudador interrompe o processo e insere um vídeo já pronto no fluxo de validação. Para o sistema, a cena parece uma captura ao vivo. Na prática, é uma gravação manipulada, muitas vezes gerada por inteligência artificial.
Dados exclusivos obtidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC junto à Unico mostram que esse tipo de ataque contra a biometria usada por bancos e aplicativos financeiros cresce em ritmo acelerado, sem sinal de desaceleração.
Segundo a Unico, a injeção de imagem e vídeo manipulado já representa 45,8% dos casos de fraude classificados na rede global da empresa. O crescimento mensal chega a 9 vezes, ritmo mais acelerado do que qualquer outra categoria de golpe monitorada atualmente.
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Diferente da selfie exigida em tempo real pelos bancos, a técnica funciona a partir de softwares emuladores instalados em computador. O criminoso usa esses programas para inserir um arquivo de imagem ou vídeo falso diretamente no fluxo de validação do aplicativo, sem passar pela câmera física do celular.
🔍 Prova de vida: etapa de verificação em que o sistema pede movimentos como piscar ou sorrir para confirmar que a pessoa do outro lado da tela está realmente presente e é humana, não uma foto ou gravação reaproveitada.
Assim, o fraudador cria um vídeo com uma pessoa piscando e sorrindo e faz o aplicativo do banco reconhecer essa gravação como se fosse captura ao vivo pela câmera. A fragilidade explorada não está na senha nem no cartão, mas na própria confiança do sistema em identificar o que é real.
Para Edson Hideki, sócio-fundador da REVIO (AI Company), episódios como esse não devem ser tratados como exceção dentro do cenário atual de segurança digital. “Casos de injeção de vídeo via emulador podem acontecer e não devem ser encarados como anomalias totalmente fora da curva”, afirma. Segundo ele, a postura das instituições também precisa deixar de ser apenas reativa. “A defesa não pode ser vista de forma estática, esperando pelo erro do fraudador”, completa.
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Siga o Times | CNBCAlém da injeção de vídeo, a Unico mapeou o avanço dos deepfakes como categoria isolada, hoje em 23,3% dos casos analisados pela empresa. O crescimento é puxado pela queda no custo de produção desses conteúdos sintéticos, hoje cerca de 100 vezes mais barato do que há poucos anos.
🔍 Deepfake: rosto ou voz sintéticos, criados por inteligência artificial a partir de fotos ou vídeos reais, usados para simular a presença de uma pessoa que nunca participou da ação.
Com uma única foto tirada de redes sociais, o criminoso consegue montar um modelo tridimensional de rosto capaz de se mexer e falar. Esse rosto sintético é então usado para tentar enganar sistemas de biometria facial de aplicativos financeiros.
Ao contrário de golpes tradicionais, que miram senhas ou dados de cartão, esse tipo de ataque tenta convencer o próprio sistema de biometria de que está diante de uma pessoa real, no momento exato da verificação. Por isso, bancos e fintechs vêm reforçando camadas adicionais de checagem, como análise de textura de pele, reflexo de luz e padrões de movimento que emuladores ainda têm dificuldade de reproduzir com precisão.
Hideki descarta a ideia de que esse tipo de ataque mire perfis específicos de clientes. “Este incidente não é isolado, ele representa um desafio global e inédito criado por esta nova era da tecnologia”, diz. Para ele, o risco se distribui de forma pareja entre os usuários. “O risco hoje é uniforme e sistêmico”, resume.
A queda no custo de produção de conteúdo sintético aparece, segundo a Unico, como fator direto por trás da escalada dos dois métodos. Ferramentas que antes exigiam conhecimento técnico avançado hoje estão disponíveis de forma simplificada, ampliando o número de criminosos capazes de montar esse tipo de ataque sem depender de equipes especializadas.
Para Hideki, essa queda de custo também embaralhou a fronteira entre pequenos golpistas e grupos organizados. “A linha entre a ação de grandes grupos organizados e de criminosos individuais torna-se cada vez mais tênue”, afirma. Ele avalia ainda que essa tendência dificilmente perde força. “Não faz sentido pensar que o avanço tecnológico ou o acesso a ele vá desacelerar”, completa.
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