CNBC

CNBCPetroleiros próximos a Omã são alvejados enquanto o Irã ameaça bloquear rotas de navegação

Tecnologia & Inovação

EXCLUSIVO: Fraude com vídeo falso cresce 800% ao mês e engana biometria de bancos

Publicado 01/08/2026 • 08:00 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • Injeção de imagem e vídeo manipulado já representa 45,8% das fraudes biométricas classificadas pela Unico
  • Ataques com vídeo falso crescem 9 vezes ao mês na rede global de monitoramento antifraude
  • Deepfakes respondem por 23,3% dos casos, impulsionados pela queda no custo de produção via inteligência artificial

Uma videochamada de poucos segundos costuma bastar para abrir uma conta bancária, aprovar um empréstimo ou validar uma transferência de valor alto. É exatamente essa etapa, pensada para provar que existe uma pessoa real do outro lado da tela, que criminosos aprenderam a falsificar com softwares comuns de computador.

Para entender o golpe, vale imaginar a verificação exigida por um banco nesse momento. Em vez de ligar a câmera do celular na hora pedida pelo aplicativo, o fraudador interrompe o processo e insere um vídeo já pronto no fluxo de validação. Para o sistema, a cena parece uma captura ao vivo. Na prática, é uma gravação manipulada, muitas vezes gerada por inteligência artificial.

Dados exclusivos obtidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC junto à Unico mostram que esse tipo de ataque contra a biometria usada por bancos e aplicativos financeiros cresce em ritmo acelerado, sem sinal de desaceleração.

Segundo a Unico, a injeção de imagem e vídeo manipulado já representa 45,8% dos casos de fraude classificados na rede global da empresa. O crescimento mensal chega a 9 vezes, ritmo mais acelerado do que qualquer outra categoria de golpe monitorada atualmente.

Leia também: Gasolina com mais etanol: entenda o que muda com o E32 a partir deste sábado (1º)

Emuladores driblam a câmera do celular e simulam vida

Diferente da selfie exigida em tempo real pelos bancos, a técnica funciona a partir de softwares emuladores instalados em computador. O criminoso usa esses programas para inserir um arquivo de imagem ou vídeo falso diretamente no fluxo de validação do aplicativo, sem passar pela câmera física do celular.

🔍 Prova de vida: etapa de verificação em que o sistema pede movimentos como piscar ou sorrir para confirmar que a pessoa do outro lado da tela está realmente presente e é humana, não uma foto ou gravação reaproveitada.

Assim, o fraudador cria um vídeo com uma pessoa piscando e sorrindo e faz o aplicativo do banco reconhecer essa gravação como se fosse captura ao vivo pela câmera. A fragilidade explorada não está na senha nem no cartão, mas na própria confiança do sistema em identificar o que é real.

Para Edson Hideki, sócio-fundador da REVIO (AI Company), episódios como esse não devem ser tratados como exceção dentro do cenário atual de segurança digital. “Casos de injeção de vídeo via emulador podem acontecer e não devem ser encarados como anomalias totalmente fora da curva”, afirma. Segundo ele, a postura das instituições também precisa deixar de ser apenas reativa. “A defesa não pode ser vista de forma estática, esperando pelo erro do fraudador”, completa.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Deepfakes aceleram fraude contra biometria facial

Além da injeção de vídeo, a Unico mapeou o avanço dos deepfakes como categoria isolada, hoje em 23,3% dos casos analisados pela empresa. O crescimento é puxado pela queda no custo de produção desses conteúdos sintéticos, hoje cerca de 100 vezes mais barato do que há poucos anos.

🔍 Deepfake: rosto ou voz sintéticos, criados por inteligência artificial a partir de fotos ou vídeos reais, usados para simular a presença de uma pessoa que nunca participou da ação.

Com uma única foto tirada de redes sociais, o criminoso consegue montar um modelo tridimensional de rosto capaz de se mexer e falar. Esse rosto sintético é então usado para tentar enganar sistemas de biometria facial de aplicativos financeiros.

Prova de vida se torna alvo direto da fraude biométrica

Ao contrário de golpes tradicionais, que miram senhas ou dados de cartão, esse tipo de ataque tenta convencer o próprio sistema de biometria de que está diante de uma pessoa real, no momento exato da verificação. Por isso, bancos e fintechs vêm reforçando camadas adicionais de checagem, como análise de textura de pele, reflexo de luz e padrões de movimento que emuladores ainda têm dificuldade de reproduzir com precisão.

Hideki descarta a ideia de que esse tipo de ataque mire perfis específicos de clientes. “Este incidente não é isolado, ele representa um desafio global e inédito criado por esta nova era da tecnologia”, diz. Para ele, o risco se distribui de forma pareja entre os usuários. “O risco hoje é uniforme e sistêmico”, resume.

Custo baixo da IA generativa acelera avanço dos golpes

A queda no custo de produção de conteúdo sintético aparece, segundo a Unico, como fator direto por trás da escalada dos dois métodos. Ferramentas que antes exigiam conhecimento técnico avançado hoje estão disponíveis de forma simplificada, ampliando o número de criminosos capazes de montar esse tipo de ataque sem depender de equipes especializadas.

Para Hideki, essa queda de custo também embaralhou a fronteira entre pequenos golpistas e grupos organizados. “A linha entre a ação de grandes grupos organizados e de criminosos individuais torna-se cada vez mais tênue”, afirma. Ele avalia ainda que essa tendência dificilmente perde força. “Não faz sentido pensar que o avanço tecnológico ou o acesso a ele vá desacelerar”, completa.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Tecnologia & Inovação