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CEO da LVMH alerta para “catástrofe mundial” se conflito no Oriente Médio não for resolvido
Publicado 23/04/2026 • 12:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 23/04/2026 • 12:20 | Atualizado há 1 hora
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Stefano Rellandini | AFP | Getty Images (Reprodução CNBC Internacional)
Bernard Arnault alertou nesta quinta-feira para o risco de uma “catástrofe mundial” caso o conflito no Oriente Médio não seja resolvido.
O CEO da LVMH, Bernard Arnault, alertou nesta quinta-feira (23) para o risco de uma “catástrofe mundial” caso o conflito no Oriente Médio não seja resolvido.
Seus comentários vieram após a guerra envolvendo o Irã pressionar a demanda nos três primeiros meses do ano, reduzindo pela metade o crescimento das vendas da gigante do luxo.
“O mundo está agora em uma crise bastante séria no Oriente Médio”, disse o executivo, que está há décadas no comando da companhia, aos acionistas durante a assembleia geral anual realizada em Paris.
“Ou isso resultará em uma catástrofe mundial, com impacto econômico muito sério e muito negativo — caso em que ninguém pode dizer como 2026 se desenrolará — ou será resolvido mais rapidamente, de alguma forma que todos esperamos, ainda que não pareça fácil. Nesse caso, os negócios vão se recuperar e retomar seu curso normal”, afirmou, segundo tradução da LVMH.
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As vendas orgânicas da maior empresa de luxo do mundo cresceram 1% no primeiro trimestre. O conflito no Oriente Médio teve impacto negativo de 1 ponto percentual nesse crescimento, informou a companhia na semana passada.
Caso haja uma solução entre Irã, Estados Unidos e Israel, Arnault espera uma retomada do crescimento no segundo semestre deste ano.
Atualmente, há um cessar-fogo em vigor, mas ainda não está claro quando ou como o conflito chegará ao fim. Tanto os Estados Unidos quanto o Irã têm utilizado o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão, já que cerca de um quinto do petróleo mundial passa normalmente por essa via. O fechamento efetivo do estreito gerou a “maior ameaça à segurança energética da história”, segundo o chefe da International Energy Agency.
As declarações de Arnault ocorrem em um momento em que várias concorrentes da LVMH também registraram queda nas vendas em março devido à atividade mais fraca no Oriente Médio, impactando resultados e ações.
O conflito surge em um momento delicado para o setor de luxo, que era amplamente esperado voltar a crescer em 2026 após um período prolongado de desaceleração — recuperação que agora está em risco.
“O Oriente Médio era um dos pontos de maior crescimento… o que estamos ouvindo de nossos clientes é um duplo impacto: queda no sentimento do consumidor, no fluxo de clientes e nos gastos”, disse Gemma D’Auria, sócia sênior da McKinsey & Company.
No curto prazo, as marcas serão impactadas pela redução significativa do fluxo de consumidores na região. Ainda não está claro se essa queda será compensada por compras realizadas por clientes do Oriente Médio em outros mercados.
Para muitas grandes empresas de luxo, o Oriente Médio representa uma parcela de um dígito médio das vendas totais. Algumas, como a controladora da Cartier, Richemont, têm maior exposição. No entanto, a rentabilidade na região tende a ser mais alta, o que pode ampliar o impacto nos lucros.
Leia também: Queda da LVMH coloca em risco posição como principal ação de luxo do mundo após vendas desapontarem
Segundo Jelena Sokolova, analista da Morningstar, a recuperação do setor de luxo segue em curso, “mas de forma moderada e desigual”.
O setor vinha mostrando sinais de retomada após anos de fraqueza, em parte devido à demanda mais fraca de consumidores chineses, historicamente um dos principais motores de crescimento.
“A LVMH viu melhora entre consumidores chineses, mas a Kering ainda não observou o mesmo para a Gucci”, disse Sokolova. “Já a Hermès registrou desaceleração na Ásia (excluindo Japão). Com a pressão sobre os preços imobiliários na China, a confiança segue fraca.”
A Kering informou que a receita no varejo do Oriente Médio caiu 11% no primeiro trimestre. A região representa cerca de 5% de sua receita de varejo.
A Hermès, que vinha se destacando frente aos concorrentes graças à clientela de altíssimo poder aquisitivo, também ficou abaixo das expectativas no primeiro trimestre, apontando queda nas vendas em lojas de concessão, especialmente no Oriente Médio e em aeroportos.
Já empresas como Moncler e Brunello Cucinelli registraram impacto menor, embora a Moncler tenha indicado queda de 1% nas vendas na região EMEA, parcialmente devido à redução do turismo.
Leia também: Banco da Inglaterra alerta para riscos financeiros da guerra no Oriente Médio
Em uma “recuperação em dois ritmos”, como define D’Auria, marcas mais exclusivas seguem resilientes, enquanto aquelas voltadas ao segmento intermediário enfrentam mais dificuldades, especialmente após sucessivos aumentos de preços nos últimos anos.
Arnault destacou ainda a ambição da LVMH de expandir sua atuação no segmento de joias de luxo, que tem se mostrado mais resiliente durante a desaceleração do setor. O objetivo é tornar-se “a principal marca de joias” em cinco anos, apostando na Tiffany & Co. como motor desse crescimento.
Empresas como Richemont, Prada e Burberry ainda não divulgaram seus resultados do primeiro trimestre nem comentaram o impacto da guerra em seus negócios.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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