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Nova fase do GLP-1: comprimidos contra a obesidade avançam em 2026
Publicado 10/01/2026 • 14:01 | Atualizado há 14 horas
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Publicado 10/01/2026 • 14:01 | Atualizado há 14 horas
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REUTERS/Tom Little
O logotipo da empresa farmacêutica Novo Nordisk é exibido em frente aos seus escritórios em Bagsvaerd , nos arredores de Copenhague, Dinamarca, em 24 de novembro de 2025.
O mercado de medicamentos GLP-1 cresceu apoiado principalmente em injeções semanais. Em 2026, a chegada de novos comprimidos para obesidade deve inaugurar uma nova fase desse setor.
Os pacientes já estão tendo acesso ao primeiro comprimido de GLP-1 para obesidade da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, um medicamento de uso diário que carrega a mesma marca de sua popular injeção, o Wegovy. Um comprimido de GLP-1 da principal rival da empresa, a Eli Lilly, não deve demorar a chegar, com aprovação nos Estados Unidos esperada para os próximos meses.
Para algumas pessoas, os comprimidos podem servir como uma alternativa mais conveniente, e potencialmente mais barata, às atuais injeções de grande sucesso.
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Os preços à vista do comprimido Wegovy, da Novo Nordisk, variam de US$ 149 a US$ 299 por mês, a depender da dosagem, valor ligeiramente inferior aos preços à vista recém-reduzidos das injeções.
Embora os comprimidos não devam proporcionar uma perda de peso maior do que as injeções semanais, com base em estudos clínicos separados, alguns especialistas em saúde afirmam que a ampliação das opções de tratamento ainda pode representar um grande avanço para os pacientes.
Os comprimidos podem atrair novos pacientes a buscar tratamento para obesidade pela primeira vez, ampliando o mercado mais amplo de medicamentos para perda de peso e diabetes e potencialmente impulsionando as vendas da Novo Nordisk e da Eli Lilly.
Entre esses novos usuários podem estar pessoas com medo de agulhas, assim como pacientes que poderiam se beneficiar das injeções existentes, mas não consideram sua condição grave o suficiente para justificar uma aplicação semanal.
“Acho que há muitas pessoas que nunca experimentaram esses medicamentos GLP-1 e talvez estejam esperando a chegada dos comprimidos”, disse o médico Eduardo Grunvald, diretor médico do UC San Diego Health Center for Advanced Weight Management. “É uma preferência natural para algumas pessoas e até para alguns prescritores.”
“Em segundo lugar, se for preciso pagar do próprio bolso, os comprimidos tendem a ser um pouco mais baratos do que as injeções, então esse é outro motivo”, acrescentou.
Não está claro exatamente quantas pessoas usam atualmente GLP-1 nos Estados Unidos, especialmente para obesidade. Mas cerca de um em cada oito adultos afirmou estar tomando um medicamento GLP-1 para perder peso ou tratar outra condição crônica em novembro, segundo uma pesquisa da organização de pesquisa em políticas de saúde KFF.
Agora, os comprimidos surgem como o próximo campo de batalha para a Novo Nordisk e a Eli Lilly, que estabeleceram o mercado de GLP-1 e que, segundo alguns analistas, pode valer quase US$ 100 bilhões até a década de 2030. Em agosto, analistas do Goldman Sachs projetaram que os comprimidos poderiam capturar cerca de 24%, ou aproximadamente US$ 22 bilhões, do mercado global de medicamentos para perda de peso até 2030.
Veja como os comprimidos para obesidade podem remodelar esse mercado.
Os medicamentos orais podem atrair novos pacientes para o mercado de tratamento da obesidade.
“Acredito que isso vai expandir bastante o mercado”, disse o CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar, à CNBC no fim de dezembro. “Sabemos, por membros da nossa própria família e círculos de amigos, que há muitas pessoas que ainda preferem não tomar uma injeção… Para esse grupo, ter a opção de um comprimido é importante.”
Os comprimidos podem levar algumas pessoas a iniciar o tratamento da obesidade porque “eles parecem de alguma forma mais aceitáveis ou acessíveis” do que uma injeção, afirmou a médica Caroline Apovian, codiretora do Center for Weight Management and Wellness do Brigham and Women’s Hospital.
Isso não significa que o comprimido seja a melhor opção para todos. Mas, uma vez que os pacientes entram no sistema de saúde para tratamento, os médicos podem orientá-los sobre todas as alternativas — seja uma injeção, cirurgia metabólica ou programas estruturados de dieta e exercícios, disse Apovian.
Grunvald, da UCSD, afirmou que a adoção dos comprimidos para obesidade provavelmente será impulsionada por médicos de atenção primária, que tratam a maioria dos pacientes elegíveis e podem se sentir mais confortáveis em prescrever um medicamento oral.
Segundo ele, especialistas em medicina da obesidade, que atendem apenas cerca de 5% a 10% dos pacientes elegíveis, tendem a continuar favorecendo as injeções, que parecem mais eficazes do que os comprimidos com base em estudos clínicos separados.
Deborah, uma bibliotecária de 53 anos em St. Louis, no Missouri, disse estar curiosa sobre o novo comprimido Wegovy, em parte por sua conveniência. Ela preferiu não divulgar o sobrenome por receio do estigma associado aos GLP-1.
Ela afirmou que consideraria um GLP-1 oral porque já está acostumada a tomar comprimidos para outras prescrições. Segundo Deborah, o medicamento oral também traria outros benefícios, como facilitar viagens, já que não exige refrigeração, como ocorre com as injeções.
Ela também demonstrou interesse nos custos potencialmente mais baixos dos comprimidos. Deborah usa injeções semanais de Wegovy desde junho e pagava US$ 449 por mês à vista antes de a Novo Nordisk reduzir o preço para US$ 349 mensais.
O custo também pode ser um fator para outros pacientes.
O comprimido da Novo Nordisk parece ter alguns dos preços à vista mais baixos do mercado: US$ 149 por mês na dose inicial e US$ 299 por mês nas duas doses mais altas. Espera-se que o comprimido concorrente da Eli Lilly tenha preços semelhantes para pacientes que pagam do próprio bolso.
Esses usuários também poderão acessar a dose inicial de ambos os comprimidos por US$ 149 mensais por meio do site de venda direta ao consumidor do presidente Donald Trump, o TrumpRx, em um acordo que as duas empresas firmaram com o governo em novembro.
As injeções para obesidade há muito são difíceis de obter para os pacientes, em parte devido à cobertura irregular dos planos de saúde e aos preços de tabela em torno de US$ 1.000 por mês. Tanto a Novo Nordisk quanto a Eli Lilly passaram a enfrentar essas questões ao reduzir os preços à vista de seus medicamentos injetáveis para menos da metade desse valor.
Em dezembro, a Eli Lilly informou que as doses mais altas dos frascos de dose única do Zepbound custarão US$ 449 por mês para pacientes que pagam à vista. Já a Novo Nordisk anunciou em novembro que quase todas as doses do Wegovy custarão US$ 349 mensais nesse modelo.
Esses valores se aproximam do custo do comprimido da Novo Nordisk, que ainda pode ser caro para alguns. Mas Grunvald disse que a diferença mensal de cerca de US$ 150 entre as doses mais altas do Zepbound e o comprimido da Novo “pode ser significativa para muitas pessoas” dispostas a pagar do próprio bolso.
Pacientes com cobertura de planos de saúde para o medicamento oral da Novo Nordisk podem pagar apenas US$ 25 por mês pelo tratamento. Ainda assim, é improvável que os comprimidos mudem de forma relevante o cenário da cobertura de GLP-1 para obesidade nos Estados Unidos.
Os preços diretos ao consumidor do medicamento oral da Novo Nordisk tendem a ser “significativamente mais baixos” do que o valor que empregadores e intermediários, como gestores de benefícios farmacêuticos, pagariam para cobrir o medicamento, afirmou John Crable, vice-presidente sênior da Corporate Synergies, uma corretora e consultoria de seguros e benefícios corporativos.
Segundo Crable, não está claro quanto o comprimido custará, ao fim, para pagadores como os empregadores, já que esses preços não são divulgados. Mas, se refletirem os custos das injeções — frequentemente acima de US$ 1.000 por mês —, os empregadores podem relutar em incluir o medicamento em seus formulários.
Algumas empresas que já oferecem cobertura para injeções contra obesidade podem adicionar os comprimidos ainda neste ano. No entanto, Crable afirmou que alguns empregadores chegaram a retirar a cobertura de GLP-1 para obesidade em 2026 devido aos altos custos.
“Não vejo os empregadores muito motivados a adicionar o que provavelmente será outro medicamento de alto volume e custo muito elevado ao formulário, quando o preço direto ao consumidor é tão mais baixo”, disse.
As farmacêuticas têm tentado argumentar que pacientes que usam injeções podem migrar facilmente para medicamentos orais. Em dezembro, a Eli Lilly divulgou dados mostrando que pacientes que inicialmente usaram injeções de Wegovy ou Zepbound mantiveram a maior parte da perda de peso após a mudança para o comprimido da empresa.
Mas Apovian, do Brigham and Women’s Hospital, afirmou que o custo seria o único motivo real para transferir pacientes que estão indo bem com injeções para um comprimido.
“Se o preço à vista for semelhante, eu sempre prefiro os injetáveis, porque acredito que a perda de peso é melhor e os efeitos colaterais são menores”, disse.
Ela afirmou ainda que gostaria de ver dados do mundo real comparando o desempenho dos comprimidos com o das injeções, mas estudos avançados separados já oferecem algumas pistas.
O Zepbound mostrou uma perda média de peso superior a 20% em estudos de fase avançada, resultado maior do que o observado tanto com a injeção quanto com o comprimido de Wegovy, além do medicamento oral da Eli Lilly, em ensaios distintos.
Nesses mesmos estudos, cerca de 7% ou menos dos pacientes interromperam o tratamento devido a efeitos colaterais das injeções de Zepbound e Wegovy.
O comprimido de Wegovy apresentou taxas semelhantes de descontinuação, enquanto cerca de 10,3% dos pacientes que tomaram a dose mais alta do medicamento oral da Eli Lilly interromperam o tratamento por efeitos colaterais.
Segundo o analista David Risinger, da Leerink Partners, pacientes com obesidade que precisam perder uma porcentagem maior do peso corporal tendem a permanecer com as injeções, a menos que tenham medo de agulhas.
Os comprimidos, afirmou, devem atrair principalmente novos pacientes com sobrepeso ou obesidade leve, que buscam uma perda de peso apenas “modesta”.
Alguns pacientes que atualmente usam injeções semanais podem experimentar os comprimidos, acrescentou Risinger, embora nem todos considerem a opção oral diária mais conveniente.
É o caso de Karen Galante, de 42 anos, de Horsham, na Pensilvânia, que utiliza uma versão manipulada de semaglutida — o princípio ativo do Wegovy —, que, segundo ela, tem preço semelhante ao do novo comprimido da Novo Nordisk.
Galante disse que não pretende mudar.
“Já é difícil o suficiente lembrar de tomar minhas vitaminas todos os dias”, afirmou. “Gosto da praticidade de tomar uma injeção por semana e não precisar pensar nisso.”
Risinger disse esperar que ambos os comprimidos, da Novo Nordisk e da Eli Lilly, “decolem como um foguete” neste ano.
Ele observou que a adoção inicial será maior para o comprimido de Wegovy, já que o medicamento da Eli Lilly, o orforglipron, ainda deve levar alguns meses para chegar ao mercado.
Ainda assim, Risinger acredita que o comprimido da Eli Lilly acabará gerando vendas maiores, pois os pacientes podem considerá-lo mais conveniente.
O orforglipron, da Eli Lilly, é um medicamento de molécula pequena, absorvido com mais facilidade pelo organismo e que não exige restrições alimentares como o comprimido da Novo Nordisk, que é um peptídeo. No caso do Wegovy oral, os pacientes devem ingerir no máximo cerca de 120 ml de água e aguardar 30 minutos antes de comer ou beber qualquer outra coisa diariamente.
Doustdar, CEO da Novo Nordisk, argumenta que essas exigências não devem limitar a adoção. Em entrevista à CNBC em dezembro, ele afirmou que isso não tem sido um problema para mais de um milhão de pessoas que utilizam a versão de dose mais baixa do comprimido para diabetes, comercializada como Rybelsus, lançada em 2019.
“É só tomar e seguir a vida normalmente”, disse Doustdar. “Essas pessoas acordam de manhã, tomam o comprimido com um copo de água e, meia hora depois, retomam a rotina diária.”
Ele também classificou o medicamento da empresa como o “comprimido mais eficaz”, afirmando que nenhum outro produto em desenvolvimento conseguiu demonstrar o mesmo nível de perda de peso em um estudo de fase avançada.
A dose mais alta do comprimido Wegovy ajudou pacientes a perder, em média, até 16,6% do peso corporal em 64 semanas em um estudo avançado, resultado comparável ao da versão injetável.
Não há estudos diretos comparando esse comprimido ao da Eli Lilly. Em um dos estudos avançados da Eli Lilly, a dose mais alta do seu comprimido ajudou os pacientes a perder, em média, 12,4% do peso corporal em 72 semanas.
Apesar dessa diferença de eficácia, Risinger afirmou que os dois comprimidos são vistos como capazes de promover níveis de perda de peso relativamente semelhantes. Alguns pacientes também podem não precisar da dose mais alta de nenhum dos dois medicamentos.
Em nota divulgada em agosto, analistas do Goldman Sachs disseram esperar que o comprimido da Eli Lilly detenha 60% — ou cerca de US$ 13,6 bilhões — do segmento de medicamentos orais diários em 2030. Já o semaglutida oral da Novo Nordisk teria uma fatia de 21%, ou aproximadamente US$ 4 bilhões. Os analistas projetam que os 19% restantes fiquem com outros comprimidos emergentes.
Outras farmacêuticas correm para lançar suas próprias opções orais, incluindo Pfizer, AstraZeneca, Structure Therapeutics e Viking Therapeutics.
Risinger destacou o GLP-1 oral diário da Structure, que deve entrar em estudos de fase três ainda neste ano. As ações da empresa dispararam mais de 100% em 9 de dezembro, após a divulgação de dados intermediários mostrando que seu comprimido, o aleniglipron, ajudou pacientes com obesidade a perder mais de 11% do peso em 36 semanas, quando ajustado pelo placebo.
Dados adicionais indicaram que uma dose mais alta poderia oferecer eficácia ainda maior — mais de 15% de perda de peso —, superando os resultados observados com a dose mais alta do orforglipron, da Eli Lilly. Ainda assim, os dados de tolerabilidade, ou seja, o quão bem os pacientes toleraram o tratamento da Structure, pareceram piores do que os do comprimido da Eli Lilly.
Em comunicado na época, o CEO da Structure, Raymond Stevens, afirmou que o medicamento poderia ser “potencialmente o melhor da categoria” entre os GLP-1 orais de molécula pequena.
Risinger disse esperar que esse comprimido e outro GLP-1 oral da AstraZeneca sejam lançados já no fim de 2028.
Segundo ele, possíveis comprimidos de uso semanal, em vez de diário, e com “perfis atrativos”, podem inclinar ainda mais o mercado a favor das opções orais.
Risinger citou a empresa privada Verdiva Bio, que desenvolve vários tratamentos orais em peptídeos projetados para serem administrados uma vez por semana. A companhia mantém atualmente um estudo de fase dois com um GLP-1 oral.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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