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Por dentro do investimento de US$ 720 bilhões da SK Hynix impulsionado pela I.A que está transformando a Coreia do Sul

Publicado 13/08/2026 • 12:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A SK Hynix está realizando a maior expansão de fábricas de memória do mundo, apostando US$ 720 bilhões apesar do histórico de ciclos de alta e baixa da indústria de memória.
  • A CNBC foi o primeiro veículo de imprensa a realizar uma visita filmada ao complexo de Yongin, que começará a produzir em fevereiro.
  • O presidente da Coreia do Sul está pressionando a SK Hynix e sua principal concorrente, a Samsung, a ampliar rapidamente a capacidade de produção de memória, dentro de um plano nacional que inclui um pacote de apoio ao setor de chips de pelo menos US$ 22 bilhões.

Divulgação

SK hynix - Korea – Cheongju Campus

Na Coreia do Sul, onde o relevo montanhoso torna a construção de grandes projetos um desafio enorme, a maior fabricante mundial de memórias de alta largura de banda para computadores está investindo US$ 720 bilhões naquele que, segundo a companhia, será o maior complexo de fábricas de memória do mundo.

A SK Hynix, cuja capitalização de mercado aumentou mais de cinco vezes no último ano e agora supera US$ 1 trilhão, está fazendo uma grande aposta na permanência da demanda extrema provocada pela inteligência artificial. A disparada dos preços, agravada pelas restrições de capacidade, está mudando a dinâmica de uma indústria historicamente marcada por ciclos de expansão e retração, enquanto gigantes de chips para I.A, como a Nvidia, aceitam assumir mais riscos na corrida para garantir o fornecimento.

A indústria depende de apenas alguns fabricantes. A SK Hynix controlava 58% do mercado de memórias de alta largura de banda, ou HBM, no primeiro trimestre, seguida pela também sul-coreana Samsung e pela americana Micron, ambas com 21%, segundo a Counterpoint Research.

Para ajudar a financiar seu ambicioso plano de expansão, a SK Hynix, que é negociada na Bolsa da Coreia, levantou US$ 26,5 bilhões em julho ao listar ações na Nasdaq. Foi o maior volume de recursos já captado por uma empresa estrangeira em uma listagem nos mercados americanos.

O desempenho, porém, tem sido difícil para os novos investidores. Desde atingir uma máxima de quase US$ 195 em 14 de julho, as ações negociadas nos Estados Unidos recuaram cerca de 21%, encerrando a quarta-feira a US$ 154,41. A queda ocorreu em meio à volatilidade mais ampla dos investimentos relacionados à inteligência artificial, especialmente entre ações de empresas de chips, e à queda do mercado sul-coreano, que tem cerca de metade de seu valor concentrado na SK Hynix e na Samsung.

Nada disso deve impedir a SK Hynix de seguir adiante com seu histórico plano de expansão. O projeto faz parte de um plano maior apresentado em junho pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, para dobrar a produção de memória do país em cinco anos, incluindo a construção de várias novas megafábricas da Samsung.

A CNBC teve acesso aos bastidores da expansão da SK Hynix no mês passado, realizando a primeira visita filmada ao complexo de Yongin, além de conhecer as salas limpas para fabricação de memórias em Cheongju, onde a empresa também está promovendo uma grande expansão de infraestrutura.

Leia também: SK Hynix investirá US$ 38 bilhões na construção de novas fábricas de chips de memória

“É como uma guerra”

A principal diferença entre as fábricas de chips americanas e as três unidades da SK Hynix visitadas pela CNBC na Coreia do Sul está na altura. A primeira fábrica do complexo de Yongin já tem paredes construídas até aproximadamente metade da estrutura, que, segundo a SK Hynix, terá a altura equivalente à de um prédio residencial de 50 andares.

A unidade terá seis salas limpas conectadas por vários andares, em vez de se espalhar por um único pavimento, como ocorre em novas fábricas da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) e da Intel no Arizona.

A HBM, ou memória de alta largura de banda, é produzida por meio do empilhamento de memórias DRAM convencionais. Trata-se do tipo de memória com maior largura de banda, capaz de permitir acesso rápido aos dados e ajudar processadores de inteligência artificial a executar tarefas.

Essas estruturas de HBM consomem tanta DRAM que estão reduzindo a oferta disponível para produtos eletrônicos de consumo, à medida que gigantes de IA firmam contratos de fornecimento com prazos muito maiores do que os acordos de curto prazo tradicionalmente utilizados para uma commodity considerada de baixa margem.

“É como uma guerra”, afirmou Chey Tae-won, presidente do SK Group, controlador da SK Hynix, em entrevista em Seul. “Todo mundo quer comprar os chips de memória. Sem eles, não conseguem produzir seus sistemas de computação e chips de I.A.”

Tae-won afirmou à CNBC que os “preços subiram rápido demais” e disse esperar que toda essa expansão da capacidade de produção ajude a equilibrar o mercado. “Estou fazendo o meu melhor”, afirmou.

A SK Hynix informou em julho que assinou 10 contratos de longo prazo com grandes clientes. A Nvidia acaba de “garantir um fornecimento estável de HBM” e concordou em desenvolver conjuntamente uma nova geração de memórias como parte de um acordo de US$ 500 bilhões com o SK Group, que inclui a construção de novos data centers com a SK Telecom até 2027.

Tae-won mostrou à CNBC um wafer com uma mensagem do CEO da Nvidia, Jensen Huang, que dizia: “Por favor, produzam mais.”

Ele afirmou que se reúne ocasionalmente com líderes de grandes empresas do setor, como Satya Nadella, da Microsoft; Sundar Pichai, do Google; e Mark Zuckerberg, da Meta. Huang e a CEO da AMD, Lisa Su, também estiveram na Coreia do Sul nos últimos meses para reuniões sobre memórias.

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MS Hwang, diretor de pesquisa da Counterpoint Research, afirmou que todos os hotéis próximos às expansões das fábricas de memória da SK Hynix e da Samsung estão lotados.

“Se você citar qualquer empresa de Big Tech, todas estão na Coreia para assinar um contrato”, disse.

A SK Hynix também fabrica chips de memória em três fábricas na China, mas está proibida de vender no país sua HBM mais avançada devido aos controles de exportação dos Estados Unidos.

A China possui seus próprios fabricantes emergentes da memória necessária para sistemas de inteligência artificial, incluindo a CXMT, que teve uma estreia de grande destaque na Bolsa de Xangai.

“É uma corrida, e agora o adversário nessa corrida é a China”, afirmou Hwang. “Isso será muito mais perigoso do que qualquer outra coisa no mundo.”

O presidente Lee agora está pressionando pela aceleração da construção das fábricas na Coreia do Sul, enquanto os Estados Unidos também correm para ampliar sua capacidade de produção.

Leia também: Samsung e SK Hynix despencam e puxam forte baixa nas bolsas da Ásia

Corrida para construir maior e mais rápido

A Micron está investindo US$ 50 bilhões na construção de duas enormes fábricas de memória em Boise, Idaho, sendo que a primeira deve começar a produzir wafers em 2027. Em Clay, Nova York, a empresa está construindo um complexo de US$ 100 bilhões, com capacidade para até quatro fábricas.

A SK Hynix também está construindo sua primeira unidade nos Estados Unidos, cuja conclusão está prevista para 2028. A fábrica de US$ 4 bilhões em West Lafayette, Indiana, será destinada ao empacotamento — etapa em que os chips de memória são empilhados e conectados — e não à fabricação na etapa inicial do processo.

Além dos planos para Indiana, a SK Hynix já possui operações nos Estados Unidos. Em 2020, a companhia fechou um acordo para comprar o negócio de NAND da Intel por US$ 9 bilhões, criando posteriormente a subsidiária Solidigm, com sede próxima a Sacramento, na Califórnia.

Em janeiro, a SK Hynix reestruturou esse negócio e lançou nos EUA uma “empresa de I.A” de US$ 10 bilhões, mas não há planos relacionados à fabricação de chips na etapa inicial do processo.

Sobre os planos para novas fábricas de chips nos Estados Unidos, Tae-won afirmou que a SK Hynix está estudando possíveis locais há mais de um mês.

“Estou disposto a fazer isso, mas o problema é que realmente preciso encontrar o lugar certo”, disse.

Enquanto isso, Tae-won afirmou que o mercado de memória está em um “ponto de virada”, com o próximo salto tecnológico em direção à HBM personalizada ajudando a proteger o enorme investimento da SK Hynix contra riscos.

A HBM personalizada agora é desenvolvida em conjunto com processadores de inteligência artificial, uma tendência que está ganhando força com a próxima geração de HBM5.

Leia também: SK Hynix cai 13%; por que as ações da empresa se comportam como fichas de cassino nos pregões pós IPO

“A Nvidia quer seus próprios chips personalizados e o Google quer sua própria HBM customizada, então não se trata apenas de uma commodity”, afirmou Tae-won. “Isso muda, de fato, o status do chip de memória.”

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