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Por que a chinesa Anta Sports aposta US$ 1,8 bilhão na Puma em meio à reestruturação da marca

Publicado 27/01/2026 • 07:53 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Anta vai pagar 1,5 bilhão de euros (US$ 1,79 bilhão), ou 35 euros por ação, para adquirir uma participação de 29,06% na Puma.
  • O acordo ocorre num momento em que a Puma tem enfrentado dificuldades para retomar o crescimento das vendas desde que o novo CEO, Arthur Hoeld, ex-executivo da Adidas, assumiu o comando no ano passado.
  • A operação reforça os esforços da Anta para ampliar sua presença fora da China, onde a empresa enfrenta concorrência crescente de marcas como Nike e Adidas.

As ações da Puma dispararam nesta terça-feira (27) após a chinesa Anta Sports anunciar que vai adquirir uma participação de 29% da família Pinault, bilionários franceses, enquanto a empresa alemã de artigos esportivos tenta se reestruturar em meio à queda nas vendas e à perda de força da marca.

A Anta vai pagar 1,5 bilhão de euros (US$ 1,78 bilhão), ou 35 euros por ação em dinheiro, para assumir uma fatia de 29,06% da Puma. O negócio tornaria a Anta a maior acionista da companhia, embora a empresa chinesa tenha afirmado que “não tem planos no momento” de fazer uma oferta de aquisição total, o que seria exigido pela legislação alemã do mercado de capitais a partir de 30% de participação.

Leia também: Ações da Puma disparam com possível interesse de grupo chinês

As ações da Puma chegaram a subir até 20% no início do pregão, mas depois reduziram os ganhos. O papel era negociado em alta de 9,4%, a 23,7 euros, ainda próximo do menor nível em dez anos.

O acordo, que deve ser concluído até o fim do ano e está sujeito a aprovações regulatórias, ocorre num momento em que a Puma enfrenta dificuldades para retomar o crescimento das vendas e avançar em sua reestruturação após Arthur Hoeld, ex-executivo da Adidas, assumir o comando no ano passado.

A operação também pode ajudar a Anta, listada em Hong Kong, a ampliar sua presença global.

A estratégia da Anta Sports

A Anta tem histórico de expansão internacional por meio da aquisição e revitalização de marcas ocidentais de esportes e estilo de vida. Em 2019, liderou um consórcio que comprou a Amer Sports, dona de marcas como Wilson, Arc’teryx, Salomon e Atomic.

O negócio com a Puma reforça ainda mais a estratégia de expansão global e crescimento multimarcas da Anta, afirmou o analista Felix Dennl, do Metzler, acrescentando que o mercado deve enxergar o investimento como um impulso aos esforços de recuperação da Puma.

Leia também: Ações da Puma despencam 17% após corte nas projeções de vendas e lucro devido a tarifas dos EUA

O plano de reestruturação de Hoeld até agora incluiu cortes de empregos, redução do portfólio de produtos e melhorias nas operações de marketing, e a empresa classificou 2025 como um “ano de reset”.

A avaliação de 1,5 bilhão de euros parece “razoável” em comparação com os múltiplos de empresas pares do setor de artigos esportivos, especialmente considerando o atual “status de prejuízo” da Puma, disse Melinda Hu, analista de consumo da China no Bernstein.

“A Anta está, essencialmente, comprando uma marca com forte herança e produtos historicamente sólidos a um valor depreciado”, acrescentou Hu.

O acordo dá continuidade aos esforços da Anta para expandir sua presença fora da China, onde enfrenta concorrência crescente de empresas como Nike e Adidas. Ao aproveitar a herança da Puma, a Anta poderia se diversificar em uma nova categoria de produtos e em mercados onde ainda não tem uma posição forte, afirmou Hu.

“A Puma preenche a lacuna do mercado de calçados esportivos de massa e lifestyle esportivo — um segmento posicionado entre Nike, Adidas e marcas de baixo custo”, disse Julia Zhu, sócia e chefe da área de varejo de consumo da consultoria CIC.

A Puma é forte na Europa e na América Latina, mas fraca na China e na América do Norte, o que cria “sobreposição mínima e máximo potencial de sinergia”, acrescentou Zhu.

Reestruturação

As ações da Puma sofreram forte pressão no ano passado, com queda de quase 50%, segundo dados da LSEG, à medida que a política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abalou investidores e varejistas passaram a temer que as tarifas reduzissem a demanda do consumidor. Até o início do pregão desta terça-feira, os papéis da Puma acumulavam queda superior a 3% no ano.

“Isso não é uma aquisição total, já que a Anta não tem controle pleno e a Puma permanece uma empresa independente, com sua própria gestão”, observou Hu. A Reuters informou nesta terça-feira que a equipe de gestão da Anta disse que falaria com seus pares na Puma “logo no início desta manhã”.

O negócio pode levantar questionamentos para a concorrente Adidas, especialmente nos mercados europeu e asiático, já que muitos investidores veem a Anta como uma operadora forte, capaz de aumentar a pressão competitiva, observaram analistas do UBS. As ações da Adidas caíam 0,7% no meio da manhã.

As ações da Kering eram negociadas estáveis, após alguns ganhos no início do pregão.

Retomada global de fusões e aquisições

O acordo entre Anta e Puma também ocorre num momento em que empresas globais reavaliam cada vez mais seus riscos e retornos diante de disrupções tecnológicas, maior incerteza geopolítica e consolidação setorial.

“As empresas farão movimentos mais ousados para reforçar partes de sua presença global e minimizar a exposição a áreas menos favoráveis”, aponta uma pesquisa da Bain & Company divulgada nesta terça-feira. Mais da metade das empresas consultadas afirmou que está preparando ativos para venda nos próximos anos, segundo a Bain, impulsionadas pelo desejo de aumentar o foco do negócio, liberar caixa e aproveitar avaliações mais elevadas no mercado atual.

A atividade global de fusões e aquisições voltou a ganhar força desde o ano passado, com o valor dos negócios crescendo 40%, para US$ 4,9 trilhões — o segundo maior volume já registrado, de acordo com a Bain.

A consultoria espera que o ritmo global de transações se mantenha em 2026, citando a redução das tensões geopolíticas e a maior disponibilidade de capital, à medida que fundos de private equity e venture capital buscam se desfazer de um volume crescente de ativos acumulados.

Enquanto isso, as empresas “precisam urgentemente se reinventar para se antecipar às grandes forças da disrupção tecnológica, de uma economia pós-globalização e da mudança nos polos de lucro”, afirmou Suzanne Kumar, vice-presidente executiva da área global de fusões, aquisições e desinvestimentos da Bain.

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