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Salesforce emite R$ 131,5 bilhões em dívida para recomprar ações e levanta questionamentos
Publicado 22/03/2026 • 11:49 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 22/03/2026 • 11:49 | Atualizado há 7 meses
KEY POINTS
A Salesforce anunciou nesta semana que iniciou os primeiros passos de seu plano de recompra acelerada de ações de US$ 25 bilhões (R$ 131,5 bilhões), parte de um programa maior de US$ 50 bilhões (R$ 263 bilhões) aprovado em fevereiro. A decisão de emitir dívida para financiar a recompra dos papéis gerou questionamentos no mercado.
Levantar recursos via dívida para recomprar ações é uma estratégia que exige cautela, já que ações não geram obrigações legais diretas, enquanto a dívida impõe compromissos financeiros e riscos jurídicos em caso de inadimplência. Ou seja, o movimento aumenta a pressão sobre o balanço da companhia.
A própria empresa já indicou o motivo da recompra: a gestão acredita que a forte queda recente das ações, causada por temores relacionados à inteligência artificial, tornou o papel atrativo. “Estamos muito confiantes no futuro da Salesforce”, afirmou o CEO Marc Benioff. Além disso, executivos também estão comprando ações — Laura Alber e David Kirk adquiriram cerca de US$ 500 mil cada (R$ 2,63 milhões).
Uma das razões para a emissão de dívida pode ser a preservação de caixa, mas o principal fator é a comparação entre o custo de capital próprio (equity) e o custo da dívida. No mercado, empresas costumam buscar a estrutura mais eficiente, baseada no chamado custo médio ponderado de capital (WACC).
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Esse indicador representa a média entre os custos de financiamento por dívida e por ações, ponderados pela participação de cada um na estrutura da empresa. Quanto menor o WACC, maior o valor presente dos fluxos de caixa futuros, o que favorece a avaliação da companhia.
No caso da Salesforce, o custo da dívida é relativamente baixo. Para títulos com vencimento em 2066, o custo antes de impostos é de cerca de 6,7%, enquanto o custo após impostos pode cair para algo próximo de 5,3%, considerando uma alíquota corporativa de 22%.
Isso ocorre porque juros pagos sobre dívida são dedutíveis de impostos, reduzindo o custo efetivo desse tipo de financiamento.
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Siga o Times | CNBCJá o custo de capital próprio foi estimado em cerca de 9,27%, utilizando o modelo CAPM, com base em um beta de 1,21, taxa livre de risco de 4,24% e retorno esperado de mercado de 8%.
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Como o custo do equity é significativamente maior que o da dívida, a substituição de ações por dívida tende a reduzir o WACC, tornando a estrutura de capital mais eficiente.
Apesar da lógica financeira, a estratégia envolve riscos. A recompra financiada por dívida ocorre em um momento em que o mercado questiona o impacto da inteligência artificial sobre o modelo de negócios da Salesforce.
A operação também levou a uma redução na classificação de crédito pela S&P Global, refletindo o aumento da alavancagem financeira, o que pode encarecer futuras captações.
No fim, o sucesso da decisão dependerá da capacidade da empresa de gerar caixa suficiente para honrar a dívida. Se a Salesforce conseguir crescer e se beneficiar da IA, a estratégia pode fortalecer sua estrutura de capital. Caso contrário, a dívida pode se tornar um peso relevante no balanço, pressionando ainda mais as ações.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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