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De “booksmaxxing” a “looksmaxxing”: por que tendências virais preocupam especialistas em saúde mental

Publicado 11/07/2026 • 18:17 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Fazer apenas o básico parece ter ficado para trás — a não ser que você esteja praticando o chamado relaxmaxxing.
  • Nas redes sociais, praticamente qualquer atividade pode ganhar o sufixo "maxxing", usado para descrever a busca por otimizar aspectos de desenvolvimento pessoal.
  • O fenômeno surge em meio ao crescimento da indústria do bem-estar.

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Fazer apenas o básico parece ter ficado para trás — a não ser que você esteja praticando o chamado relaxmaxxing.

Adicionar mais livros à lista de leitura este ano? Isso é booksmaxxing. Incluir mais alimentos ricos em fibras na alimentação? Fibermaxxing. Mudar a aparência na tentativa de se tornar mais atraente? Looksmaxxing.

Fazer apenas o básico parece ter ficado para trás — a não ser que você esteja praticando o chamado relaxmaxxing. Nas redes sociais, praticamente qualquer atividade pode ganhar o sufixo maxxing, usado para descrever a busca por otimizar aspectos como saúde, inteligência, produtividade ou outras formas de desenvolvimento pessoal.

O fenômeno surge em meio ao crescimento da indústria do bem-estar. Segundo estimativas do Global Wellness Institute, organização sem fins lucrativos que acompanha as tendências da economia do bem-estar, esse mercado poderá atingir quase US$ 10 trilhões até 2030.

As empresas também acompanham essa tendência. Fabricantes de alimentos e bebidas passaram a oferecer mais produtos ricos em fibras, de pipocas a refrigerantes. Já para quem pratica o chamado sleepmaxxing, crescem as opções de suplementos e produtos de cuidados com a pele que prometem melhorar a qualidade e a duração do sono.

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A lógica do maxxing sugere que não basta simplesmente realizar uma atividade: é preciso levá-la ao máximo para se tornar mais inteligente, saudável ou “melhor”. Para especialistas em saúde mental, essa mentalidade pode trazer riscos — inclusive para aqueles mais dedicados ao universo do bem-estar.

“Levar qualquer coisa ao extremo geralmente prejudica outras áreas da vida”, afirma Billie Dunlevy, psicoterapeuta que atende pacientes no Reino Unido. “Isso obviamente não é saudável e não é algo que qualquer profissional licenciado de saúde mental recomendaria.”

Jennifer Hartstein, psicóloga clínica de Nova York, faz uma avaliação semelhante.

“A proposta do maxxing é otimizar, mas o risco está justamente em exagerar.”

Busca por aperfeiçoamento pode se tornar prejudicial

Querer melhorar a saúde ou desenvolver novos hábitos é algo positivo, afirmam Dunlevy e Hartstein. O problema está na forma como esses objetivos são perseguidos.

“Não há problema em ser apaixonado por alguma coisa”, diz Dunlevy. “Mas o maxxing carrega um ideal de perfeccionismo que não corresponde à realidade.”

Entre as tendências que mais preocupam está o looksmaxxing, prática voltada para alterar características físicas com o objetivo de atingir padrões considerados mais atraentes, como definir o maxilar ou modificar outros traços do rosto.

Segundo a psicoterapeuta, a busca intensa por mudanças na aparência pode favorecer o surgimento de transtorno dismórfico corporal e outros problemas relacionados à imagem, mesmo em pessoas que inicialmente não apresentavam fatores de risco.

Além disso, algumas práticas populares entre adolescentes, como o uso de esteroides ou mastigar chicletes extremamente duros para modificar o formato do rosto, podem provocar danos físicos.

Mesmo quando o objetivo envolve hábitos saudáveis, especialistas alertam para o risco de transformar um passatempo em uma obrigação.

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Hartstein afirma que não faz sentido se culpar caso a meta fosse assistir a sete filmes durante um fim de semana e apenas quatro tenham sido vistos.

Segundo ela, apegar-se rigidamente às metas pode gerar sentimentos de vergonha e desencadear um ciclo de frustração.

“Para mim, o maior risco do maxxing é que ele pode alimentar a ansiedade e a depressão caso as coisas não aconteçam como a pessoa esperava ou se ela sentir que fracassou”, afirma.

Quando a meta nunca é suficiente

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Outro problema é que o foco excessivo em um único objetivo pode fazer com que outras áreas importantes da vida sejam deixadas de lado, como relacionamentos pessoais.

Dunlevy acrescenta que algumas pessoas acabam entrando em um ciclo de busca constante por novas conquistas, sem conseguir sentir satisfação pelas metas já alcançadas.

“Mesmo quando conseguem realizar algo realmente difícil, algo que exigiu muito esforço, elas não se sentem plenamente satisfeitas”, explica. “Logo passam para outro objetivo, depois outro, e depois outro.”

A psicoterapeuta recomenda fazer avaliações frequentes sobre a própria rotina e conversar com pessoas próximas para verificar se os hábitos de desenvolvimento pessoal permanecem saudáveis.

Caso perceba comportamentos obsessivos ou prejudiciais, a orientação é procurar ajuda de um profissional de saúde mental.

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Entenda sua motivação antes de buscar a otimização

Para os especialistas, não é surpresa que o maxxing tenha se popularizado em um período marcado por incertezas econômicas, políticas e ambientais.

“Tudo parece caótico e avassalador. Concentrar-se intensamente em uma única coisa acaba proporcionando uma sensação de estabilidade”, afirma Hartstein.

Ainda assim, ela destaca que é possível buscar melhorias pessoais sem impor uma pressão excessiva sobre si mesmo.

O primeiro passo é entender por que determinado objetivo é importante.

A psicóloga sugere fazer perguntas como:

  • Qual meta eu realmente quero alcançar?
  • Esse objetivo é realista para a minha realidade?

Ela lembra que o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Se a rotina impede frequentar a academia quatro vezes por semana, por exemplo, faz mais sentido estabelecer uma meta compatível com o próprio dia a dia.

Dunlevy propõe outra reflexão:

“Pergunte a si mesmo: se ninguém estivesse olhando ou se ninguém pudesse ver os resultados, eu ainda me esforçaria tanto? Grande parte desse comportamento está relacionada à aparência e à forma como somos vistos.”

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Segundo ela, a busca constante por otimização pode se tornar ainda mais desgastante durante períodos difíceis, como insegurança no emprego, luto ou problemas nos relacionamentos.

Por isso, tanto Dunlevy quanto Hartstein defendem que os hobbies e hábitos mais saudáveis são justamente aqueles que podem ser interrompidos quando necessário e retomados mais tarde, sem culpa ou cobranças excessivas.

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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