Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
“Funflation” chega às salas de estar: ficar em casa já não é a opção mais barata de lazer
Publicado 11/07/2026 • 21:11 | Atualizado há 56 minutos
“Funflation” chega às salas de estar: ficar em casa já não é a opção mais barata de lazer
Enquanto Neuralink, de Elon Musk, aposta em implantes, chinesa BrainCo aposta que o futuro da tecnologia cerebral será vestível
De “booksmaxxing” a “looksmaxxing”: por que tendências virais preocupam especialistas em saúde mental
Nos Estados Unidos, nova lei de habitação busca ampliar oferta de imóveis e reduzir preços; veja o que muda
Empresas de IA deixam de focar em modelos maiores e passam para sistemas mais baratos e inteligentes
Publicado 11/07/2026 • 21:11 | Atualizado há 56 minutos
KEY POINTS
Raw Pixels
Agora, depois de uma série de reajustes de preços, até atividades de lazer dentro de casa, como assistir a filmes por streaming ou jogar videogame, estão pesando no bolso e levando consumidores a reduzir gastos.
Durante décadas, os videogames foram um dos principais passatempos de Alyx Green. Nos últimos anos, porém, a estudante de pós-graduação passou a sentir que esse hobby ficou caro demais.
Em vez de comprar os principais lançamentos, Green passou a optar por jogos mais baratos produzidos por estúdios independentes ou até mesmo por jogos de tabuleiro e cartas. Em alguns casos, a jovem de 31 anos prefere assistir, no YouTube, a vídeos de outras pessoas jogando os títulos mais populares em vez de comprá-los.
“Os preços vêm aumentando. Está cada vez mais difícil acompanhar”, afirmou.
Leia também: Fusão entre Paramount e Warner criará gigante do entretenimento com dívida de R$ 409 bilhões
Há alguns anos, consumidores americanos enfrentam a chamada “funflation”, expressão utilizada para definir a forte alta dos preços de experiências presenciais, como shows, eventos esportivos e outras atrações que ficaram suspensas durante os períodos de isolamento na pandemia.
Agora, o impacto dos aumentos de preços deixou de ser sentido apenas fora de casa.
Após sucessivos reajustes promovidos por gigantes como Amazon, Apple e Netflix, atividades de lazer doméstico — como assistir a filmes em plataformas de streaming ou jogar videogame — também passaram a pressionar o orçamento de consumidores como Green.
Dados exclusivos analisados pela CNBC em parceria com o PNC Financial Services mostram que, diante da alta dos preços, o consumidor médio reduziu os gastos com entretenimento doméstico em junho na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A queda foi mais intensa entre integrantes da Geração Z e os millennials, que reduziram o número de transações em aproximadamente 4%.
“A funflation voltou em 2026″, afirmou Brian LeBlanc, economista sênior do PNC.
“Já víamos isso claramente em viagens, entretenimento e shows. Agora, começamos a observar o mesmo fenômeno também no lazer dentro de casa.”
Leia também: Como a Disney deixou de ser só entretenimento e virou uma potência da tecnologia
No fim de junho, Microsoft e Apple anunciaram aumentos de preços em alguns de seus dispositivos. Em comunicado, a Apple reconheceu que a notícia “não será bem recebida” pelos consumidores.
Um mês antes, a Nintendo informou que elevaria em 11% o preço do console Switch 2 nos Estados Unidos.
As empresas atribuíram os reajustes ao aumento do custo de componentes eletrônicos provocado pela escassez de chips de memória, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial.
Para Deborah Weinswig, fundadora da consultoria Coresight Research, parte desses aumentos pode simplesmente afastar consumidores do mercado.
A CEO da divisão Xbox da Microsoft, Asha Sharma, afirmou recentemente que os videogames estão se tornando inacessíveis para boa parte do público e que a empresa pretende concentrar esforços no desenvolvimento de consoles mais baratos.
Nesta semana, a Microsoft anunciou a demissão de milhares de funcionários da divisão Xbox e a separação de diversos estúdios de desenvolvimento de jogos.
“Chegamos a um ponto em que fica difícil imaginar consumidores gastando milhares de dólares em uma nova geração de consoles”, afirmou Sharma durante um evento promovido pela revista Fortune no início do mês passado.
Segundo Elizabeth Renter, economista sênior da NerdWallet, computadores e equipamentos eletrônicos costumavam ficar mais baratos ao longo do tempo, considerando inflação e evolução tecnológica, graças ao aumento da eficiência da produção.
Essa tendência, porém, começou a se inverter com a disparada no preço dos componentes, reduzindo um dos fatores que ajudavam a conter os custos para os consumidores.
Além disso, o próprio funcionamento desses equipamentos ficou mais caro.
Segundo dados do governo americano, o preço da eletricidade aumentou 45% desde 2019, impulsionado, entre outros fatores, pelos choques na oferta de energia decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e da guerra entre Irã e Israel em 2026.
Leia também: Política e entretenimento colidem após polêmica sobre papel de Trump em negócio bilionário
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCOs aumentos também atingiram os serviços de streaming, fenômeno que passou a ser chamado de “streamflation”.
Netflix, Amazon e Spotify anunciaram reajustes neste ano, seguindo aumentos promovidos pela Disney e pela HBO Max, da Warner Bros. Discovery, no fim de 2025.
A Apple também elevou os preços do Apple TV+ em meados de 2025, marcando o terceiro reajuste em apenas três anos.
Enquanto isso, a plataforma gratuita Tubi, pertencente à Fox Corp., registrou em alguns momentos audiência superior à de serviços líderes do mercado.
A aposta da empresa é que consumidores cansados da escalada das mensalidades aceitem assistir a anúncios em troca de conteúdo gratuito.
A gerente de projetos Fiona Williams afirma que costuma alternar assinaturas para manter os gastos sob controle.
Ela assina uma plataforma, assiste ao conteúdo desejado e cancela antes de contratar outra.
Em alguns casos, nem chega a assinar.
Para acompanhar a nova temporada do reality show Love Island, por exemplo, Williams preferiu assistir aos melhores momentos publicados nas redes sociais em vez de contratar o serviço Peacock.
“É um equilíbrio constante”, disse a moradora de Akron, Ohio.
“Mas nunca mantenho mais de uma assinatura ao mesmo tempo, porque simplesmente ficou caro demais.”
Ela também passou a dedicar parte do tempo livre à leitura, categoria que não sofreu aumentos tão expressivos quanto outras formas de entretenimento.
Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA mostram que, desde o início de 2019, o custo de assinatura ou aluguel de vídeos e videogames aumentou 53%.
Os serviços de televisão ficaram 27% mais caros e as assinaturas de música subiram 14%.
Já os preços dos livros destinados ao lazer caíram 4% no mesmo período.
Leia também: Warner e Paramount discutem fusão bilionária em meio à crise do setor de entretenimento
Segundo a análise do PNC Financial Services, a inflação também acelerou em atividades presenciais de lazer, como eventos esportivos e parques de diversão, voltando a pressionar o índice de gastos com consumo pessoal (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve.
A Copa do Mundo da FIFA deste ano, realizada conjuntamente pelos Estados Unidos, registrou preço mediano dos ingressos superior a US$ 900, segundo dados da TicketData divulgados nesta semana.
Questionado sobre as críticas aos preços elevados, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou à CNBC que assistir a uma partida nos Estados Unidos representa “uma oportunidade única na vida” e que a demanda supera amplamente a registrada em edições anteriores do torneio.
Economistas alertam que a alta dos preços do lazer — tanto fora quanto dentro de casa — pode ampliar o pessimismo dos consumidores em relação à economia.
Um dos principais indicadores de confiança do consumidor, elaborado pela Universidade de Michigan, mostra que o sentimento econômico atingiu níveis historicamente baixos nos últimos meses.
“A possibilidade de jogar videogame e escapar um pouco da realidade era uma das formas que eu tinha de encontrar felicidade”, afirmou Green.
“Agora, a economia está piorando, e nem essas distrações estão mais ao meu alcance.”
Leia mais: O streaming gratuito venceu? O que a compra da Roku diz sobre o futuro da TV
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
Maiores Audiências
1
Como uma Copa do Mundo mudou a carreira de Vozinha em poucas semanas?
2
CBF exclui CazéTV da disputa pelos direitos da Copa do Brasil até 2030
3
Patria fecha fundo de US$ 670 mi e amplia sequência de operações no Brasil e nos EUA
4
Copa do Mundo 2026: conheça todas as seleções classificadas para as quartas
5
Ibovespa sobe quase 3% e fecha na máxima do dia após dados de inflação