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A DeepSeek abalou os mercados há um ano. Por que esse impacto ficou para trás?
Publicado 06/01/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 dia
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Publicado 06/01/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 dia
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REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
Quase um ano atrás, a DeepSeek abalou o mundo da inteligência artificial.
As ações de algumas das principais empresas de tecnologia do Ocidente despencaram quando os mercados entraram em modo de pânico diante da perspectiva de um novo modelo desenvolvido por um laboratório chinês de IA, até então pouco conhecido, que colocava em xeque a premissa da dominância dos Estados Unidos nesse setor.
A Nvidia caiu 17%, perdendo cerca de US$ 600 bilhões em valor de mercado. A fabricante americana de chips Broadcom também recuou 17%, enquanto a ASML teve queda de 7% em um único dia.
Onze meses depois, essas empresas não apenas se recuperaram como continuaram a crescer. A Nvidia se tornou a primeira companhia a atingir uma avaliação de US$ 5 trilhões em outubro. As ações da Broadcom avançaram 49% ao longo de 2025, e os papéis da ASML subiram 36%.
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“Janeiro [com o DeepSeek] provocou uma reprecificação ampla e visível porque mudou crenças globais sobre as curvas de custo de modelos de fronteira e sobre a competitividade da China, e fez isso de uma forma que atingiu diretamente a narrativa de semicondutores e hyperscalers”, afirmou Haritha Khandabattu, diretora sênior e analista da Gartner, à CNBC.
Desde então, a DeepSeek lançou sete atualizações de modelos. Nenhuma delas, porém, causou o tipo de impacto visto em janeiro. Então, por que os mercados não reagiram?
Fundada em 2023, a DeepSeek lançou no fim de 2024 um grande modelo de linguagem (LLM) gratuito e de código aberto, chamado V3. A empresa afirmou que o modelo foi treinado com chips menos potentes e a uma fração do custo dos sistemas desenvolvidos por companhias como OpenAI e Google.
Semanas depois, em janeiro de 2025, a empresa apresentou o modelo de raciocínio R1, que alcançou benchmarks semelhantes ou superou muitos dos principais LLMs do mundo.
O lançamento de janeiro do laboratório chinês “realmente surpreendeu o mercado”, disse Alex Platt, analista sênior da empresa de investimentos D.A. Davidson, à CNBC. “A narrativa [na época] era de que a China estava de 9 a 12 meses atrás dos Estados Unidos.”
A promessa de um modelo capaz de atingir resultados semelhantes aos dos sistemas mais avançados, mas usando menos capacidade computacional, gerou preocupações de que a demanda por infraestrutura de IA fosse afetada e que a receita de empresas como a Nvidia sofresse impacto, afirmou Brian Colello, analista sênior de ações da Morningstar, à CNBC.
“Em vez disso, não vimos desaceleração nos gastos em 2025 e, olhando para frente, prevemos uma aceleração dos investimentos em 2026 e além.”
Outro ponto é o tipo de lançamentos feitos pela DeepSeek desde janeiro, todos eles atualizações dos modelos V3 e R1, e não modelos totalmente novos.
Embora as versões mais recentes representem “avanços incrementais críveis” em eficiência e capacidade, o mercado as enxergou como uma “continuidade e consolidação, e não como uma nova onda de choque”, disse Khandabattu.
Parte da razão pela qual a DeepSeek ainda não lançou um novo modelo está provavelmente ligada à limitação de capacidade computacional, segundo analistas ouvidos pela CNBC.
“A capacidade de computação tem sido um grande gargalo”, afirmou Platt. “É possível fazer apenas até certo ponto em pesquisa algorítmica e encontrar um número limitado de inovações arquitetônicas.”
A empresa adiou o lançamento do modelo R2, inicialmente previsto para maio, devido a desafios para treiná-lo em chips da Huawei desenvolvidos na China, informou o Financial Times em agosto.
Segundo a publicação, autoridades chinesas vinham incentivando a DeepSeek a usar esses processadores como forma de reduzir a dependência de alternativas dos Estados Unidos, em meio aos controles de exportação sobre os chips mais potentes da Nvidia. A DeepSeek foi procurada para comentar a reportagem.
“A China tem estado limitada na quantidade de poder computacional a que consegue acessar nos últimos anos, em grande parte por causa das restrições dos Estados Unidos à venda de chips”, disse Chris Miller, autor do livro Chip War, à CNBC.
“Se você quer construir modelos avançados, precisa de acesso a capacidade computacional avançada.”
A DeepSeek afirmou, em um artigo de pesquisa divulgado no início deste mês, que reconhece “certas limitações em comparação com modelos fechados de fronteira”, como o Gemini 3, incluindo restrições de recursos computacionais.
Os mercados também se sentiram mais tranquilos quanto à continuidade da liderança dos Estados Unidos em IA após novos lançamentos de modelos avançados por laboratórios de ponta no Ocidente.
Em agosto, a OpenAI apresentou o GPT-5, a Anthropic lançou o Claude Opus 4.5 e o Google lançou o Gemini 3 em novembro.
“A competição entre esses fornecedores é intensa, com lançamentos rápidos de modelos e melhorias incrementais de capacidade”, afirmou Arun Chandrasekaran, analista da Gartner, à CNBC. “Como resultado, os temores de um choque súbito de comoditização diminuíram.”
Ainda assim, há sinais de que a DeepSeek esteja se preparando para um lançamento de modelo mais relevante nos próximos meses. Na véspera de Ano-Novo, a empresa publicou um artigo detalhando uma forma mais eficiente de desenvolver modelos de IA.
Dan Ives, da Wedbush Securities, acredita que novos choques ainda virão. “Alguns desses momentos que vimos vão continuar aparecendo no próximo ano”, disse à CNBC.
“Vai haver outra DeepSeek.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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