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Tarifas do Trump: Especialistas analisam impactos aos EUA após derrota na Suprema Corte
Publicado 21/02/2026 • 11:43 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 21/02/2026 • 11:43 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Carlos Barria / Reuters
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que declarou ilegal o uso de poderes emergenciais para impor as chamadas Tarifas do Trump pode gerar um impacto fiscal expressivo: o governo americano poderá ter de devolver até US$ 175 bilhões a importadores que busquem ressarcimento judicial.
O julgamento, aprovado por seis votos a três, limitou a utilização da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) como fundamento para a imposição unilateral de tarifas comerciais. A Corte entendeu que houve invasão de competência do Congresso, responsável constitucionalmente pela política comercial.
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Para Mary Elbe Queiroz, advogada tributarista, presidente do Cenapret e sócia do Queiroz Advogados, o alcance da decisão vai além da política comercial.
“A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, tomada por 6 votos a 3, não apenas declarou ilegal o uso da lei utilizada para justificar tarifas com base em emergência, como também abriu espaço para uma consequência fiscal relevante: o governo americano pode ter de devolver até US$ 175 bilhões a importadores que se considerem prejudicados e busquem reembolso judicial”, afirma.
Segundo a especialista, tarifas são tributos sobre importação e exigem fundamento legal estrito. “Ao entender que o presidente invadiu prerrogativas do Congresso, a Corte reforça o princípio da legalidade tributária e da separação de poderes.”
Ela destaca ainda o impacto internacional do precedente. “Esse precedente é relevante para o comércio internacional, pois sinaliza que medidas fiscais adotadas fora dos limites institucionais podem gerar passivos bilionários e insegurança jurídica para empresas e cadeias globais.”
No campo econômico, a reversão das Tarifas do Trump tende a reduzir incertezas.
Peterson Rizzo, gerente de Relações com Investidores da Multiplike, avalia que o movimento pode beneficiar exportadores brasileiros.
“A decisão tende a beneficiar as exportações brasileiras ao reduzir incertezas e enfraquecer barreiras comerciais impostas de forma unilateral. Esse movimento diminui a pressão sobre o mercado de capitais, ao melhorar a previsibilidade, aliviar o câmbio e reduzir a aversão ao risco.”
Para ele, embora as tarifas não desapareçam automaticamente, o enfraquecimento da base legal reduz o risco de mudanças abruptas nas regras. “Para as empresas, o cenário favorece planejamento, investimentos e acesso a financiamento.”
A decisão também altera o ambiente de risco para contratos internacionais.
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Siga o Times | CNBCGustavo Assis, CEO da Asset Bank, afirma que a Suprema Corte reforçou a segurança jurídica ao limitar a imposição unilateral de tarifas.
“A redução do risco de decisões abruptas melhora a previsibilidade para exportadores brasileiros, mas não elimina a necessidade de estrutura financeira robusta.”
Ele aponta instrumentos financeiros que ganham relevância nesse contexto. “Alternativas como antecipação de recebíveis, FIDCs, securitização de contratos de exportação e linhas estruturadas em moeda estrangeira ajudam a proteger fluxo de caixa e reduzir exposição cambial.”
Segundo Assis, em ambiente de juros elevados e volatilidade global, gestão ativa de risco e acesso a crédito estruturado são decisivos para manter competitividade.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, reforça que o limite imposto ao Executivo americano amplia a previsibilidade institucional.
“Para exportadoras brasileiras, isso reduz o risco de rupturas inesperadas em contratos e cadeias de fornecimento, permitindo planejamento mais consistente.”
Ele destaca que previsibilidade jurídica, por si só, não garante expansão. “Estruturas como FIDCs e operações customizadas ajudam empresas a transformar previsibilidade jurídica em capacidade real de expansão.”
Araújo afirma que disciplina financeira e acesso inteligente a crédito são determinantes para capturar oportunidades externas em cenário ainda volátil.
A decisão da Suprema Corte não elimina o uso de tarifas como instrumento de política comercial, mas estabelece limites claros para sua adoção sem autorização legislativa.
O possível ressarcimento bilionário adiciona dimensão fiscal ao debate e reforça que políticas tributárias adotadas fora dos parâmetros constitucionais podem gerar custos elevados ao Estado.
Para empresas e investidores, o efeito imediato é a redução da incerteza institucional. Para o governo americano, abre-se a necessidade de reorganizar sua estratégia comercial dentro dos limites estabelecidos pelo Judiciário.
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