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Tech Check: Computação quântica esbarra em falta de investimento no Brasil, diz CTO do Venturus

Publicado 24/09/2026 • 22:26 | Atualizado há 38 minutos

KEY POINTS

  • Marcelo Abreu avalia que o Brasil tem profissionais qualificados em computação quântica, mas ainda oferece pouco espaço para atuação no setor.
  • Venturus desenvolve pesquisas em criptografia pós-quântica e alcançou desempenho dez vezes superior em um de seus simuladores.
  • Executivo aponta falta de investimentos, profissionais e ecossistema como obstáculos para transformar a tecnologia em negócios no país.

O Brasil tem profissionais altamente qualificados em computação quântica, mas ainda precisa avançar em investimentos e na criação de um ecossistema capaz de transformar conhecimento em negócios, segundo Marcelo Abreu, CTO do Venturus. Em entrevista nesta quinta-feira (24) ao programa Tech Check, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo afirmou que a aplicação prática da tecnologia ainda está em estágio inicial no país.

“Na parte prática, a gente ainda está engatinhando um pouco. Hoje, o trabalho de computação quântica acontece praticamente nos grandes bancos brasileiros, institutos de ciência e tecnologia como o Venturus e nas universidades”, disse Abreu.

Segundo o CTO, a computação quântica não deve substituir os computadores tradicionais. As duas tecnologias devem operar paralelamente, com sistemas quânticos direcionados principalmente a problemas cuja complexidade torna o processamento convencional extremamente demorado.

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Entre as possíveis aplicações, Abreu citou simulações para o desenvolvimento de medicamentos, pesquisas genéticas, aprimoramento de sementes, criptografia e problemas complexos de logística. “Ela vai resolver problemas que hoje são muito difíceis de serem resolvidos, problemas que levariam milhares, milhões de anos”, explicou.

Venturus desenvolve criptografia pós-quântica

No centro de excelência do Venturus, uma das frentes de pesquisa envolve criptografia pós-quântica, desenvolvida para preparar sistemas de segurança para os avanços dessa nova capacidade computacional.

“A gente tem uma plataforma de criptografia pós-quântica em que consegue trocar o algoritmo de criptografia em execução. É como trocar o pneu do carro com o carro em movimento”, comparou Abreu.

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Outra iniciativa envolve um simulador de hamiltonianos, ferramenta utilizada nas pesquisas da instituição. Segundo o executivo, o sistema desenvolvido pelo Venturus apresentou desempenho dez vezes superior ao de simuladores disponíveis no mercado.

“A gente conseguiu uma performance dez vezes mais rápida que os simuladores de mercado. São alguns dos resultados que estamos conseguindo com as nossas pesquisas”, destacou.

Formação brasileira se destaca, mas profissionais deixam o país

Para Abreu, existe uma diferença significativa entre o desenvolvimento teórico e prático da computação quântica no Brasil. Na área acadêmica, ele considera elevada a qualidade da formação oferecida pelas universidades brasileiras.

O executivo relatou ter participado recentemente de uma missão Brasil-Finlândia patrocinada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e afirmou ter encontrado profissionais brasileiros nas empresas de computação quântica visitadas no país europeu.

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“Toda empresa de computação quântica da Finlândia tem brasileiro trabalhando. Eles fizeram doutorado, são super bem formados, infelizmente não têm campo para trabalhar”, observou.

A dificuldade, segundo Abreu, está justamente em criar condições para que essa qualificação seja absorvida pelo mercado brasileiro. Mais investimentos, formação profissional e desenvolvimento de empresas especializadas estão entre as necessidades apontadas pelo CTO.

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IA disputa investimentos com tecnologia quântica

Outro obstáculo é a concentração atual de recursos e atenção empresarial na inteligência artificial. Como a computação quântica ainda é vista como uma tecnologia de prazo mais longo, ela acaba disputando espaço nos orçamentos de inovação.

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“Hoje, a IA ainda está na mesa de 11 em cada 10 CEOs. Se você não está fazendo IA, você é praticamente um alienígena dentro do Brasil”, afirmou.

Abreu explicou que o Venturus investe atualmente na área justamente para desenvolver conhecimento antes que a tecnologia alcance maior maturidade comercial. “A computação quântica não está acontecendo neste momento. O Venturus investe na computação quântica justamente para a gente estar preparado quando ela estiver pronta”, ressaltou.

Logística e medicamentos estão entre oportunidades

Na avaliação do executivo, empresas que enfrentam problemas computacionais de elevada complexidade estão entre as que podem se beneficiar primeiro da tecnologia.

“Se você tem um problema de logística muito difícil, computação quântica pode te ajudar. Se você quer fazer uma simulação de uma nova molécula que pode ser usada para um novo fármaco, imagine uma vacina numa pandemia, você vai conseguir fazer isso de uma maneira mais rápida”, exemplificou.

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Abreu considera que essas aplicações devem avançar conforme a tecnologia amadurecer e permitir que setores hoje concentrados em pesquisa comecem a desenvolver usos comerciais.

Brasil precisa criar ecossistema

Para acelerar esse processo, o CTO defendeu mais formação profissional, investimentos e intercâmbio tecnológico internacional. Segundo ele, o Brasil já dispõe de capital humano, mas precisa criar condições para desenvolver competências e empresas no setor.

“Faltam mais pessoas formadas, a gente tem que criar um ecossistema, falta investimento”, avaliou. Ao citar a experiência finlandesa, acrescentou que tecnologias quânticas fazem parte de uma estratégia do país para estimular novas empresas e competências.

A própria formação profissional ainda está em construção. “Hoje não existe um desenvolvedor de computação quântica formado. Você tem um físico que sabe programar ou um programador que sabe muito bem física”, explicou.

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Com o amadurecimento da tecnologia, Abreu espera o surgimento de cursos específicos de graduação e pós-graduação, além de mais parcerias internacionais. Para ele, o Brasil também precisa manter diálogo com diferentes polos tecnológicos.

“Hoje a gente tem uma disputa também na computação quântica, China e Estados Unidos. Então, a gente tem que conversar com todos. A Europa também é um belo exemplo de computação quântica”, concluiu.

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