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Tech Check: IA eleva padrão das produções brasileiras e aproxima setor de Hollywood, diz Paulo Barcellos, da CEO da O2 Filmes
Publicado 20/08/2026 • 21:41 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 20/08/2026 • 21:41 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
A inteligência artificial pode ajudar produtoras brasileiras a alcançar um padrão de produção próximo ao de grandes projetos de Hollywood sem precisar dos mesmos orçamentos, avalia Paulo Barcellos, CEO da O2 Filmes. Para o executivo, o principal impacto da tecnologia não está na substituição de profissionais ou na redução de custos, mas na possibilidade de elevar a qualidade e ampliar os caminhos criativos disponíveis.
Em entrevista ao programa Tech Check, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Barcellos explicou que a O2 já utiliza IA em diferentes etapas das produções, desde a análise de roteiros até storyboards, pré-visualizações e concepção de cenas. “A gente consegue hoje decupar os roteiros já com inteligência artificial para nos ajudar na definição de locações, elenco, quando cada pessoa tem que estar em cada cena”, afirmou.
Um dos principais ganhos, segundo Barcellos, está na capacidade de experimentar diferentes possibilidades antes que uma produção avance para etapas nas quais mudanças se tornam mais difíceis e caras.
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“A gente teve um ganho de produtividade mais até em opções de caminhos, porque tem muita coisa no audiovisual que é tão trabalhosa que às vezes você se compromete a um caminho e gostaria de ir para um outro caminho e aquilo já está tarde demais”, explicou. “Então você ter a opção de ver 500 alternativas antes de decidir em que caminho seguir ajuda muito”, acrescentou.
Apesar desse avanço, o CEO afirma que a experiência da O2 até agora não resultou em redução de custos. “A gente não tem redução de custos, a gente tem melhora de processos e um aumento de qualidade exponencial”, ressaltou.
Barcellos também rejeita a ideia de que a tecnologia necessariamente eliminará postos de trabalho no audiovisual. “Isso não vai eliminar empregos, isso vai subir o sarrafo dos projetos”, afirmou.
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Na avaliação do executivo, a tecnologia ganha importância especialmente para produtoras independentes brasileiras, que não dispõem dos mesmos recursos financeiros das grandes companhias americanas.
“Uma produtora independente brasileira não tem recursos como uma produtora americana de Hollywood. Então a gente não consegue fazer determinados filmes, determinados temas no Brasil muito por falta de orçamento”, explicou. “A inteligência artificial vai ajudar a gente a conseguir igualar com grandes produções americanas sem ter que gastar o que grandes produtoras americanas gastam”, acrescentou.
A IA ainda não transformou completamente o modelo de negócios da O2, mas Barcellos acredita que isso deverá ocorrer. Atualmente, segundo ele, parte das receitas da produtora está vinculada a um percentual sobre o custo das produções.
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Siga o Times | CNBC“Se esse custo de produção cair, a gente também vai ter uma queda de faturamento”, afirmou. A estratégia, portanto, é utilizar a tecnologia para aumentar a ambição dos trabalhos: “O que a gente vê com essa ferramenta é justamente subir o nível dos projetos para que a gente não tenha esse problema de faturamento”.
Criada em 2024 para explorar a combinação entre criatividade e tecnologia, a BOT enfrentou inicialmente um obstáculo dentro da própria companhia. “O principal desafio na criação da BOT foi o convencimento interno”, contou Barcellos.
Antes da divisão ganhar forma, a O2 manteve um laboratório de pesquisa e desenvolvimento para entender os limites da tecnologia e de que maneira as novas ferramentas poderiam ser incorporadas sem prejudicar o negócio.
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Segundo Barcellos, um dos caminhos encontrados foi usar IA para viabilizar ideias que anteriormente não caberiam no orçamento disponível, especialmente na publicidade. “No final, você leva um projeto muito mais rico, muito mais funcional e dentro do orçamento que era possível de se obter”, afirmou.
A produtora agora avançou para uma nova etapa: além de utilizar ferramentas disponíveis no mercado, passou a treinar internamente modelos de inteligência artificial para funções específicas.
“O principal diferencial da O2 nesse momento é o treinamento, o fine tuning de modelos de IA internos nossos”, disse Barcellos. “A gente usa todas as ferramentas que estão disponíveis para todo mundo, mas a gente já está numa fase onde está treinando modelos de inteligência artificial específicos para determinadas funções dentro da produtora”, explicou.
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Segundo o CEO, esse conhecimento permanece interno e representa um novo grau de desenvolvimento tecnológico da companhia. “É uma coisa que não está compartilhada com o mercado, é uma coisa interna nossa. Então, a gente já conseguiu atingir esse nível de maturação”, destacou.
Atualmente, a O2 trabalha com duas IAs principais desenvolvidas para necessidades da operação. Uma delas analisa e decupa roteiros, identificando as necessidades de cada cena sob as perspectivas de produção e assistência de direção.
“A gente tem duas IAs principais hoje. Uma faz ler roteiro e consegue decupar os roteiros, entender com a cabeça de um assistente de direção, com a cabeça de um produtor, o que cada cena ali vai precisar”, explicou.
A segunda ferramenta é voltada ao planejamento das produções. Segundo Barcellos, o modelo é “treinado em cronogramas para que a gente possa acertar os prazos e as dependências desse cronograma dentro das produções”.
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