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Tech Check: Wearables podem ampliar prevenção e identificar sinais precoces de doenças, diz diretor da Samsung no Brasil

Publicado 10/09/2026 • 21:42 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Dispositivos vestíveis permitem acompanhar continuamente métricas de saúde e comportamento, produzindo dados mais objetivos sobre a rotina dos usuários.
  • Inteligência artificial pode analisar informações coletadas por relógios e anéis para reconhecer padrões, riscos e sinais precoces relacionados a doenças.
  • Uso de modelos fundacionais pode acelerar o desenvolvimento de tecnologias de saúde e reduzir a necessidade de novos estudos clínicos para cada aplicação.

A combinação entre inteligência artificial e dispositivos vestíveis (wearables), pode ampliar a prevenção de doenças ao permitir a análise contínua de hábitos e a identificação de sinais precoces de problemas de saúde, afirmou Otavio Penatti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento em IA para Saúde e Bem-Estar no laboratório da Samsung no Brasil.

Penatti explicou, em entrevista nesta quinta-feira (10) ao programa Tech Check, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, que relógios, anéis e outros wearables conseguem produzir informações sobre o usuário durante longos períodos, abrindo espaço para que sistemas de IA reconheçam padrões que dificilmente seriam identificados apenas em avaliações pontuais.

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“A IA tem um poder muito grande de analisar a grande quantidade de dados que a gente tem hoje das pessoas. A gente tem os dispositivos vestíveis como aliados a isso, que coletam dados por períodos longos de tempo”, afirmou.

Prevenção ganha espaço com inteligência artificial

O laboratório da Samsung no Brasil integra uma rede global formada por 40 centros de pesquisa e desenvolvimento. Com operações em Campinas e Manaus, a estrutura brasileira trabalha, entre outras frentes, com tecnologias para monitoramento de exercícios físicos, fitness e sono.

Segundo Penatti, o desenvolvimento dessas soluções exige a integração de pesquisadores de computação e outras áreas de exatas com profissionais ligados à saúde.

Ao analisar as possibilidades da IA nesse segmento, o executivo destacou que parte do potencial está em uma área mais próxima da rotina das pessoas: a prevenção por meio da mudança de comportamento. “Tem um ponto muito mais próximo do nosso dia a dia, muito mais acionável pela gente, que é a prevenção, é a gente cuidar do nosso comportamento”, explicou.

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A partir dos dados coletados pelos dispositivos, sistemas de inteligência artificial podem procurar padrões associados aos hábitos do usuário. “A gente consegue usar IA para entender esses padrões de comportamento, para identificar riscos de doença, para identificar sinais precoces de doenças e aí as pessoas conseguem buscar um especialista para acompanhamento”, disse.

Monitoramento contínuo complementa informações sobre saúde

Para Penatti, uma das principais vantagens dos wearables está justamente na capacidade de permanecerem com o usuário durante boa parte do dia e até durante o sono.

Isso permite produzir informações longitudinais, que registram o comportamento ao longo do tempo, em contraste com os dados obtidos exclusivamente em momentos específicos, como uma consulta médica.

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“Eles estão com a gente o tempo todo. A gente usa durante o dia, a gente usa durante a noite. A gente tem inúmeras métricas calculadas pelos wearables e essas métricas têm informações mais objetivas e refletem o seu comportamento ao longo do dia”, afirmou.

O executivo citou como exemplo perguntas sobre qualidade do sono ou frequência de atividades físicas. Sem registros tecnológicos, as respostas dependem principalmente da memória e da percepção do próprio paciente.

“Com os wearables, a gente tem informações mais objetivas e longitudinais, que é algo bastante importante”, ressaltou.

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Esse volume de dados, acrescentou, também cria um ambiente propício para a aplicação da inteligência artificial na busca por padrões que possam auxiliar na compreensão da saúde e do comportamento dos usuários.

Dados são desafio para aplicação da IA na saúde

O avanço da tecnologia, entretanto, traz desafios. Penatti destacou especialmente a necessidade de qualidade e diversidade dos dados utilizados no desenvolvimento dos sistemas, uma vez que os resultados produzidos pela inteligência artificial dependem das informações utilizadas em seu treinamento.

“A IA reflete o que ela aprendeu dos dados. Então, a diversidade é importante, é importante que esses dados estejam alinhados com o público que vai usar aquela tecnologia”, explicou.

Na área da saúde, novas soluções também podem exigir estudos clínicos e protocolos específicos de coleta de informações, processos que demandam recursos e tempo.

Uma alternativa que começa a ganhar espaço, segundo Penatti, é o uso de modelos fundacionais, ou foundation models. Esses sistemas podem ser treinados com grandes conjuntos de informações e posteriormente aproveitados como base para diferentes aplicações.

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“Com isso, a gente consegue treinar esses grandes modelos de IA e reaproveitar um modelo de base para múltiplas aplicações”, afirmou.

Segundo o executivo, a abordagem pode acelerar o desenvolvimento de novas ferramentas e, potencialmente, reduzir a quantidade de estudos clínicos ou de participantes necessários em determinadas etapas, além de contribuir para melhorar os resultados das tecnologias voltadas à saúde.

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